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A. Mueller
Jornada rumo à lugar algum
Estamos em uma jornada rumo à lugar algum.
Estamos em uma jornada rumo à destinos infinitos.
Nós não sabemos para onde estamos indo,
mas nós sabemos aonde iremos chegar.
Nos lembramos de cada lugar onde estivemos,
mas não temos nenhuma ideia da onde viemos.
O futuro é certo, incerto
Não sabe o que esperar
na próxima curva.
Estamos em uma jornada rumo à lugar algum.
Não há por que ter pressa.
A pé, correndo ou voando,
a viagem é a mesma.
A viagem é sempre diferente.
Não importa o caminho, o nome da via.
A encruzilhada é certa,
a decisão sempre correta.
Estamos em uma viagem rumo à lugar algum.
Quer caminhar junto comigo?
Sozinho, solitude ou em caravana.
Não importa, é tudo o que importa.
No final da estrada só você que sabe
o que encontrar.
Estamos em uma viagem rumo à lugar algum.
Não caminhe para trás,
pois atrás não existe mais.
O passado é imaginação.
O presente é o único mistério.
Estamos em uma viagem ruma à lugar algum.
Você já sabe quem você é?
Já sabe aonde deve chegar?
- A. Mueller road-to-nowhere
-A. Mueller road-to-nowhere
Lindo Nada
Da luz que brilha lá no futuro,
cuidado que é fogo.
Das águas geladas que seguram teus pés,
acredita que é a verdade.
Confia no peito, que ele sempre sabe.
Das vozes que falam confiantes,
são fracas.
A voz que conta um segredo,
é tudo.
Ganhaste.
Do amor que te encontrou, não se perca,
é a resposta.
Abraça a liberdade.
Lá na frente há de ser bonito,
não importa o caminho.
Não faz mal se a pé.
Não faz mal o veículo.
Vai chover igual, vai brilhar o sol igual.
Só melhora a viagem, se levar amor contigo.
Todo resto, é resto.
Tudo isso, é jornada.
Somos os mesmos desde sempre.
Calam as vozes,
restam o lindo nada.
- A. Mueller

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Amador
Amo manhãs ensolaradas
Amo noites de risada.
Amo o toque da tua pele e a companhia de amigos.
Amo quando a fortuna anda junto comigo.
Amo, te amo, os amo.
Tenho em mim a capacidade de dar amor à todo aquele que precisar dele.
Eu jamais poderia dizer não, jamais poderia ser diferente.
Nada é mais feliz que partilhar os pedaços deste coração carente.
Amar é minha própria natureza
Afeto meu idioma, empatia minha nobreza.
Partilhar amor me vem fácil.
Perdoar alguém sempre é possível.
É fácil amar uma criança, meu gato, um momento, meu amante.
É irrepreensível partilhar o sensível.
Facilmente daria todo meu amor, se você o quisesse
Eu facilmente mudaria tudo, seria outra pessoa, se você dissesse.
Qualquer coisa faria para doar o meu amor.
Quase como se eu não o quisesse dentro de seu lar.
Como se precisasse se livrar dele, minha mente secular.
O coração é um fardo pesado
e ciente de seu próprio peso, quer-se fazer despedaçado.
Tenta fazer-se leve ao esquecer suas partes,
Tenta fazer-se novo ao enterrar seus desastres,
Tenta fazer-se puro ao mergulhar-se em arte.
Ele não suporta olhar-se no espelho,
Contemplar sua própria nudez, sua própria figura.
Quer esquecer-se de seus erros, apagar a própria feiura.
Juiz dos juizes,
Nenhum outro conseguiria contra advogar,
Nenhum outro conseguirá seu fardo revogar.
Fico a esperar um dia, que na sua inigualável soberania,
Saiba consigo mesmo ser justo.
Saiba perdoar sua própria covardia,
consiga quitar seus exorbitantes custos.
Talvez um dia sentirá-se em casa dentro de meu busto.
Um coração livre parece um sonho,
Parece-me tão inalcançável que eu duvide que exista
Apaixonado por si mesmo me parece um delirante narcisista.
Seria este o maior segredo de todos,
E aquele que o guarda, gênio dos gênios?
Amar-se sem cegar-se aos seus próprios erros,
Perdoar-se sem mortificar seus próprios defeitos.
Um dia eu quero me abraçar tão forte,
como se abraçasse outro corpo,
Acariciar-me tão ternamente,
como se fosse outro rosto,
Beijar-me tão fervorosamente,
como se eu fosse outra outra boca,
Dizer te amo tão honestamente,
como se fosse pra outra pessoa.
Aí então meu amor não será em partes, será infinito.
E dentro de mim, o princípio mais bonito.
- A. Mueller
Cartografias de uma Web-cidade, mapas de uma urbanidade digital.
- A. Mueller
CIDADES AZUIS
“Um coração pesado como as roupas encharcadas de lama e chuva. Desarmada de qualquer articulação, qualquer palavra oportuna. Do outro lado da vida, o aeroporto. O peso do futuro me prende a esta terra e não o peso do meu próprio corpo.
Todos os olhos desta cidade miram a cima, e desde então a letra desce da mente ao peito o conforto de sentir o coração um pouco mais pesado Como da mãe ternos seios, brisa marítima. Crua, visceral e sublime existência. Aqui a leveza é frágil demais, enganosa demais, é complacência.
Caminho sobre ruas, pontes, ilhas de uma cidade itinerante. Circo de lixo, da minha vibrante cidade azul, filha única semelhante. Das vezes que te olhei de cima, em estado alado, em estado alheio cidade azul de brinquedo. Além da metrópole brilhante, só se voa leve e ignorante.
Lentamente o esquecimento pesa nas pálpebras Vivendo a prisão das telas azuis, de cidades pútridas azuis. Minhas digitais viciadas, meus olhos programados, Meus pensamentos, algoritimados. Destinados ao cárcere em torres luminosas que brilham ainda mais no escuro, vertiginosas quando todos os olhos estão fechados.
No cárcere construímos a própria cela de detritos calculados, orçamentados, consumidos consumimos por tela. Partilho meus rejeitos aos rejeitados, sonhando fantasias de um mundo azul inventado. E os homens rejeitados levam tudo embora. Insuportavelmente leves a ventania nos sopra em frente. A mãe brada, já é hora.
Aqui embaixo, as grandes máquinas explodem ouvidos E de 60 em 60 minutos, por 60 anos, lembram que em uma única máquina, jas o caminho não traçado de muitas vidas. Grande autômata, mãe de todas as máquinas, cresce, devora, cega, processa e pilha.
Máquina cidade conectada por veias de dejeto da artéria ao coração colapsante, destino certo. A mãe que morre, ficando os órfãos de futuro a explorar ilhas de lixo, navegar mares cloacais, capitães de desfechos prematuros. Rezamos ao espírito de um rio desgarrado, por veias químicas, deturpado. Rio irmão, hoje quimera, compartilhamos mesmo fado.
A máquina é corpo, mas o corpo é rejeito. sendo parte do corpo, também o destino do coração ser rejeitado sujeito. E a gente sabe que o coração vai morrer dizendo a verdade tal qual sucumbe o grande rio, mortalha desta terra, liberdade.
O coração que pesa e que chora, vive no afeto aflora e abre os caminhos na franqueza do irmão. Compartilha comigo as mais valiosas memórias, conta comigo as mais belas histórias, de um tempo onde éramos todos um pouco mais livres um pouco mais felizes.”
- A. Mueller
A. Mueller