narumi.
ㅤ ㅤ Uma vez tão focada, agora era fácil se distrair e se perder nos próprios pensamentos. Qualquer instante sem algo para lhe tomar a atenção e já estava viajando, contemplando o que faria agora que finalmente conseguiu o que sempre quis, bem como refletia se um dia estariam totalmente seguras - ela e Leiko. Leiko esta que ainda discorria sobre o quanto não era tão burra assim, declaração que arrancou de Narumi um risinho baixo enquanto bebia mais do refrigerante. “Com certeza, só porque você quer,” Concordou com a cabeça, sem qualquer intenção de disfarçar a ironia, ainda que o sorriso nos lábios denunciassem o tom de piada. “Não é porque você é descontrolada e consumista.” Embora tentasse transparecer calma, foi apenas quando o ônibus deu a partida que sentiu um peso enorme sair de suas costas, como se finalmente estivesse livre - e acima de tudo, mais segura. Ainda assim, falar em alto e bom tom sobre o dinheiro poderia despertar algum tipo de suspeita, e foi por isso que Narumi outra vez arregalou os olhos, agora sinalizando com o indicador em frente aos lábios em sinal de silêncio para a outra garota. Por fim, relaxou o corpo no assento novamente, fitando-a. “Ah é, você entende bem mais sobre isso do que eu…” Deu de ombros, rindo. “Ainda bem que vou ter você por perto! Vou precisar me livrar das roupas de criança que eu tenho e provavelmente adotar um visual novo.” Era detalhista o suficiente para notar o tom melancólico de Leiko no final de sua sentença, e numa tentativa de consolar a garota, abriu um sorriso largo, estendendo a mão livre na direção dela. “Sim, vamos recomeçar! Do jeito que a gente queria, não é?” Olhava para ela o tempo inteiro, tentando reafirmar (até para si mesma) a motivação de estarem fazendo tudo aquilo. “Precisamos mesmo descansar… eu daria qualquer coisa por uma cama quentinha e confortável agora!”
❛ quase engasgou com o que tinha escutado, o semblante ficando extremamente defensivo, algo quase cômico se pensasse bem na situação. “eu, descontrolada?” o tom era fino, em seguida tossindo algumas vezes porque o refrigerante tinha descido pelo tubo errado ali dentro. “tudo bem que teve aquela vez que eu acabei comprando 20 quilos de laranja pensando que eram 20 laranjas, mas ninguém reclamou dos sucos, doces, molhos e mais coisas que a minha mãe fez! uma descontrolada teria te dando bolo de laranja dentro de uma laranja? creio que não.” balançou um pouco a cabeça como se recusasse a escutar tudo aquilo. porém, no fundo, leiko tinha um certo descontrole motivado por coisas bem baratas, quase não lendo direito o que havia adquirido por conta disso. ela suspirou, deitando bem as costas na poltrona enquanto o ônibus começava a se movimentar cada vez mais rápido. ela queria tirar uma soneca, mas ali não sabia quando iriam parar para comer. e o senso de se alimentar de leiko era ainda maior do que ter algumas horas desconfortáveis de sono propícias a pesadelos terríveis, como tinha tido há alguns dias. “visual novo? deixe-me ver...”, parou para pensar por algum momento. naquele momento ela desejava ter gosto por estilos, porque não lenbrava de ter comprado alguma revista sequer sobre roupas. aquele medo infantil de perder os únicos amigos que tinha por parecer feminina demais para eles, frágil demais para andar ao seu lado. cruzou os braços. “vai fazer o quê, pintar o cabelo, virar punk? eu acho que vou comprar um óculos falso e usar roupas mais curtas... será que vai ficar bom?” o rosto era pensativo, outra ação cômica transparecer como se realmente pensasse naquela possibilidade. “aaaaaaaargh.” jogou a cabeça para trás, levemente frustrada, mas ainda não disse porquê. “pode dormir durante a viagem se quiser, eu te acordo quando paramos para comer e quanco chegarmos. até lá eu realmente preciso deletar algumas coisas do meu celular e...” leiko parou um pouco. “jogar meu chip fora, eu acho. você fez isso já?” ela mascarou a tristeza de momentos antes, um pouco pensativa agora. a única coisa que a confortava é que as pessoas com quem ela se preocupava não pensaram que ela morreu ou desapareceu, mas sim que achou uma ótima oportunidade de emprego na capital. para disfarçar a falta de contato primário, ela disse que não poderia mandar notícias até se estabelecer, mas pretendia contáta-los em breve. só tinha receio de não conseguir. “vai ficar tudo bem, pode deitar a cabeça no meu ombro se quiser!” ❜














