A PRAGA
2 de abril, 3h50 da madrugada
A Áustria não estava nem perto de ser alcançada, mas por incrível que pareça eu conseguia enxergar a situação de uma forma bem otimista, já que eu poderia passar mais tempo planejando o ataque.
Fator surpresa… era a única coisa que se passava em minha cabeça no momento em que qualquer plano aparecia em minha mente, já que o inesperado na maioria das vezes pode ser surpreendente.
Estávamos todos acampados entre duas montanhas, meu exército estava sendo bem alimentado, o que era um bom sinal. Enviei Ophelia com uma turma de patrulhadores pra ficarem no turno da noite junto com os Lucífugos: Criaturas noturnas que um dia já tinham sido lobos, cães da floresta e javalis mas agora não passam de monstros famintos e cheios de ódio, com um odor quase impossível de confundir. Conseguia-se sentir o cheiro de carne podre a quilômetros, fazendo com que qualquer um que estivesse perto soubesse de nossa aproximação. Eram verdadeiros frutos da camada mais sombria de magia negra.
A academia Wolff estava na ponta do mapa, e, graças aos corvos, soube que os refugiados de diversos países vizinhos estavam indo parar lá, o que me faz pensar que qualquer movimentação estranha perto dali fariam os desgarrados procurarem refúgio na academia.
20h32
O clima estava ao nosso favor, o céu estava escuro e a névoa estava densa o suficiente para cobrir o nosso exército por completo, naquele momento o de imediato era cortar totalmente a comunicação, os feitiços que envolviam animais geralmente eram mais difícil para mim por algum motivo que eu não sabia qual era, mas a sorte estava ao meu lado, pois tinha carmélia junto comigo.
— Avium, o antigo feitiço do envenenamento de pássaros, é esse que iremos usar.
— Então do que iremos precisar Carmélia?
— O sangue da maior fonte de poder presente — ela diz enquanto coloca em minha frente uma cumbuca.
Sem exitar, corto minha mão fazendo com que o sangue seja derramado dentro da cumbuca.
— Agora podemos começar.
Carmélia se afasta de todos nós, era o ritual pessoal dela, onde precisava de total isolamento. Segundo ela o barulho de nossos pensamentos era ensurdecedor. Carmélia colocava ervas que estavam em seu bolso dentro da cumbuca; o recipiente começava a fumaçar, enquanto os olhos de Carmélia ficavam totalmente brancos; aos berros, ela começou a conjurar o feitiço em um Latim tão antigo que nem mesmo eu conseguia entender; conseguia-se ouvir seus ossos estalando, enquanto a fumaça ficava mais alta e densa.
O ritual havia acabado, Camélia ficou estirada no chão por alguns minutos e logo veio em nossa direção.
— Está feito, qualquer pássaro que passar dessa fronteira será envenenado, a fumaça fará com que seus cérebros virem líquido.
Ótimo! A comunicação estava prestes a ser cortada, a ideia é que em alguns dias estariamos na fronteira da Áustria, onde metade do exército seria enviado para ao outro lado do país a apenas alguns quilômetros da academia, enquanto a outra metade que estaria comigo passaria por todos os estados, aniquilando os primeiros Monarcas austríacos, e espalhando terror por onde passássemos, fazendo com que os aldeões não tivessem nenhuma alternativa a não ser fugir para o outro lado em direção a academia e consequentemente ao encontro do meu exército. A academia Wolff nesse ponto vai estar repleta de aldeões encurralados, feridos e assustados, cenário perfeito pro ataque final.
21h39
Já tinham se passado duas horas de caminhada e o inesperado aconteceu… a Áustria que devia estar a quilômetros de distância, estava ali, bem diante de nossos olhos. E pra nossa surpresa a fronteira estava inteiramente reforçada com muros extremamente altos, e não havia um pedaço daquele muro sem um guarda armado…
— Não me recordo disso sendo mencionado por nenhum de vocês na última patrulha — digo indo em direção aos responsáveis por esse deslize.
— Mestre, eu devia ter dito mais cedo, porém estava com medo que o senhor ficasse furioso e descontasse tudo em cima de mim — diz o bruxo totalmente amedrontado.
— Tem razão… desculpa se passei essa impressão pra todos vocês, eu sou seu mestre e todos devem confiar em mim — digo enquanto tento passar um ar de esperança.
— Eu amo todos vocês meus servos e aliados, e prometo sempre proteger todos, mas em troca espero nada menos que sinceridade e lealdade…dito isso… — puxo aquele bruxo pelo pescoço em minha direção e com o beijo da morte dreno qualquer tipo de vida que tinha dentro daquela alma conturbada e jogo seu corpo morto e desidratado no chão enquanto os outros bruxos ficam assustados ao ver aquela cena.
— QUE ISSO SIRVA DE LIÇÃO PARA TODOS. A PARTIR DE HOJE QUALQUER DESLIZE, SEJA LÁ O QUÃO PEQUENO, HAVERÁ PUNIÇÃO, SEM EXCEÇÕES, E NÃO PENSEM QUE A MORTE É A MELHOR OPÇÃO, PORQUE EU GARANTO QUE ATORMENTAREI VOCÊS ATÉ MESMO NO INFERNO… AGORA ANDEM!
Desde criança aprendi que é melhor ser amado do que odiado, mas medo é medo, e não existe sentimento mais leal que ele.
2h30
A metade do exército já tinha sido enviada para o outro lado do país, e provavelmente chegariam lá em alguns dias, o plano estava indo bem, porém como vamos conseguir passar por aqueles guardas? Ophelia e Carmélia tinham ido com a outra metade do exército, comigo só restou Vladimir, que apesar de muito poderoso ele não era muito inteligente quando o assunto era estratégia.
Sabia que eu teria que resolver aquela situação sozinho, então ando em direção ao portão principal onde imediatamente centenas de arcos e flecha viram em minha direção.
— EU SÓ IREI DIZER UMA VEZ, SE RENDAM OU EU NÃO MOSTRAREI NEM UM TIPO DE MISERICÓRDIA — minha voz ecoava por a metros de distância.
— Sabemos do que você é capaz de fazer Salazhar, você só pensa em si mesmo, não pode ser digno de confiança, e não se iluda, não queremos sua confiança, apenas queremos ver sua cabeça pendurada em uma lança — diz o capitão da guarda.
Rio com um tom de deboche
— VOCÊS FORAM AVISADOS! — digo enquanto me viro de costas — ad pestem dimittere — sussurro.
No momento que o feitiço é conjurado, abro a minha boca enquanto um enxame de milhões de vespas voam para fora do meu corpo atraves de minha garganta, indo em direção aos guardas que são mortos em minutos.
Os que não morreram regurgitando o próprio estômago devido ao veneno das vespas, se jogaram do muro pois não aguentaram tamanha dor, tudo isso acontecendo ali diante dos meus olhos, e cada último suspiro dado era mais um motivo de alegria.
3h00
O silêncio chegava a ser agoniante, as únicas coisas que se podiam ouvir era o barulho dos animais noturnos e insetos, centenas de guardas mortos, o muro que parecia ser impossível ser ultrapassado já não parecia mais.
Passando por aquele portão foi o momento que eu percebi que a minha vingança estava mais próxima, e que o que eu esperei 360 anos pra alcançar, estava apenas a alguns dias de distância.
















