yunalicious:
yuna não tinha lá a melhor das réguas para medir quando a falta de respostas a mensagens passava de normal para preocupante, considerando que sua necessidade constante de atenção sempre a fazia dramatizar mais do que era o usual aquelas questões. mas, após o terceiro dia sem receber um sinal de vida de @zhcngkai, a choi decidiu que era uma boa hora para fazer uma visita ao amigo. o estúdio do zhang não ficava muito longe do próprio apartamento, de forma que lhe eram requeridos apenas alguns minutos de caminhada até estar tocando a campainha da casa do rapaz. tocou uma vez. duas vezes. três vezes… e nada. “kai! eu sei que você está aí dentro. eu ‘tô ouvindo o barulho da televisão!” decidiu gritar do lado de fora, achando que, com a identificação, seria mais fácil conseguir uma resposta. felizmente, a tática dera certo, pois não demorou muito mais para que pudesse ouvir os passos do lado de dentro chegando mais perto, até que a porta fosse aberta de uma vez. “finalmente! eu achei que você tinha morrido!” uma das mãos foi ao peito para dizer aquilo, para dar ainda mais peso às palavras, que por si só já eram exageradas. estreitando levemente o olhar, yuna fez uma checagem rápida de cima abaixo no outro, uma breve careta tomando a expressão. “não me leve a mal, bonitão, mas você ‘tá um caco…” resmungou, voltando a focar em seu rosto e cruzando os braços sobre o peito. “de qualquer forma, me convide para entrar. eu vim aqui procurar o seu celular pra você. quero dizer… você perdeu o celular, não é? é a única resposta aceitável para você não me dar atenção por três. dias.”
estar sozinho nunca fora algo agradável para o jovem tatuador, a solidão comumente abria espaço para divagações as quais costumava evitar, fazia com que ele fosse obrigado a reviver partes de seu passado que preferia deixar para trás e, inevitavelmente, encarar as inseguranças que se esforçava para esconder, por esse motivo, kai sempre se sentiu mais confortável estando cercado por outros; focar nas histórias e narrativas de terceiros era uma boa distração, uma maneira cômoda de preencher as lacunas em sua mente. no entanto, ainda assim, existiam situações nas quais nem mesmo sua aversão à quietude era o suficiente para fazer com que ele tivesse ânimo o suficiente para ter qualquer contato com outra pessoa e o encontro com a ex-namorada, dias antes, foi o ponto de partida para um desses cenários. não era raro para o zhang permitir que seu emocional tomasse conta de si, deixar-se levar por sentimentos em vez de manter uma ordem racional em sua mente e ver haejin, pela primeira vez após o término, fez com que a ferida causada pelo fim do relacionamento se abrisse novamente. por esse motivo, ele se fechou. as mensagens enviadas por amigos foram ignoradas e a maior parte de suas tatuagens adiadas, de modo que o contato humano obtido desde o dia em questão fora mínimo, até aquele momento. seu primeiro instinto foi de ignorar as batidas na porta, contudo, a insistência alheia fez com que ele finalmente se levantasse de sua cama e fosse até a entrada do pequeno studio “podia ter trazido alguma coisa pra comer” foi a única coisa que disse à mais nova antes de retornar ao interior do apartamento, deixando a porta aberta para que ela o seguisse, “meu telefone ‘tá sem bateria” deu de ombros ao se jogar de volta em seu colchão “pode entrar, tem um resto de uma vodca e meia pizza de ontem se quiser alguma coisa, só isso que tenho pra te oferecer dessa vez” diminuiu o volume da televisão e ajeitou sua posição de uma forma mais confortável. “vi a haejin esses dias” contou, após alguns instantes em silêncio, mesmo que yuna não tivesse lhe questionado nada, “passei lá pra devolver as coisas dela e pegar as minhas, foi...” respirou fundo e balançou a cabeça em um sinal de negação “achei que ia ser tranquilo, fazem meses já, achei que ia ser de boa, mas... eu sinto falta dela.”



















