Have you ever seen such a beautiful night? I could almost kiss the stars for shining so bright. | celene
Faltavam pouco mais do que alguns dias para o vigésimo quarto aniversário de Cecília e desde pequena ela seguia a incrível ideia de que qualquer coisa que acontecesse de importante para ela perto de seu aniversário era uma espécie de presente silencioso. Não que ela contasse isso para alguém, já achavam que ela tinha alguns parafusos a menos, imagine se ela falasse sobre isso. Por isso ela apenas aproveitava aqueles bons momentos, momentos que lhe traziam muitas vezes felicidade. Assim quando Helene Yaxley a convidou para ir ao evento beneficente junto com ela, Cecília só soube dizer sim. É claro que ela não seria nem um pouco louca de recusar tal convite, ela adorava a presença da mais velha, adorava conversar com ela e via aquilo como uma oportunidade ainda maior de conhecer mais sobre Helene.
Ela só não tinha certeza do quão real estava sendo aquilo, principalmente porque tudo parecia estar acontecendo muito rápido. Não que isso fosse um problema, longe disso, Cecília sabia perfeitamente bem que era uma pessoa totalmente emocionada e que se apaixonava fácil demais, mas não sabia até que ponto a outra poderia algum dia o mesmo. Entendera desde muito cedo sobre a sua própria sexualidade, não duvidando nem mesmo por segundo de que realmente gostava de garotas, nem mesmo quando quase sugeriram para que ela beijasse Mateo na adolescência, o que teria sido um desastre. E agora, estando passando mais tempo com Helene, queria saber se elas eram apenas amigas ou se seriam algo a mais. Afinal, ela não estava louca de estar pensando nisso, certo?
Cecília também esqueceu de todas as suas dúvidas quando a viu naquela noite, esplêndida no vestido que escolheram juntas. Não achava que ela poderia ficar ainda mais bonita, mas estava claramente enganada, Helene brilhava mais do que a lua, tinha certeza disso. — Não se preocupe com isso, já disse que estou aqui esta noite para te ajudar. Nada de se esconder debaixo das mesas, certo? — disse enquanto ajustava o cabelo de Helene, que havia soltado, para atrás da orelha. — Obrigada, mas você também está deslumbrante. Seu vestido e o colar realmente combinaram com os seus olhos, Lene — apertou de leve a bolsa que segurava em uma das mãos, ela estava realmente nervosa e Helene não parecia estar diferente, já tinha bebido uns dois copos de bebida seguidos. — Você, hm, quer sair do meio daqui? Parece estar um pouco mais nervosa do que o habitual — sugeriu enquanto pegava um copo de bebida para si.
Sabia que seria por pouco tempo que conseguiria esconder o nervosismo habitual, mas por mais que quisesse parecer que era alguém despojada e tranquila, as coisas pioravam quando tinha que estar em um núcleo com pessoas que possuíam os mesmos pensamentos que seu pai. Helene sempre teve dificuldade em se expressar de maneira...elegante, e ela sabia que até mesmo seu pai havia desistido disso. Afinal, havia “comprado” para ela um emprego na divisão de Gobstone onde ficaria escondida de qualquer contato que o homem pudesse ter. Ela tinha medo de quando o homem ficasse de saco cheio das tentativas de Helene para burlar seus sistemas até mesmo aqueles para burlar seus pretendentes. O pai já deveria entender que ela não estava interessada em seus pretendentes...Ele havia tentando colocar homens de todo tipo de um outro lado da mesa de sua filha, e só se ele fosse realmente burro para entender que o problema não era com os homens, apesar deles serem candidatos horríveis.
E em momentos como aquele, eventos grandiosos, onde seu pai gostava de mostrar a riqueza que os Yaxley possuíam, ele também gostava de exibir os filhos como se fossem uma extensão de suas propriedades, mas ela e os irmãos faziam questão de tentar ao máximo ficar o mais longe possível do homem e evitar serem apresentados aquelas pessoas. Ela e seus irmãos, por algum milagre, tinham conciência do que os estavam cercando e não queriam colaborar com aquilo, bom, pelo menos a maioria de irmãos, afinal, sempre teriam o problema; Corban. Que dos irmãos era o mais difícil de ler, muitos achariam que era Minah, mas Minah era mais fachada do que qualquer outra coisa.
Com o convite de Cecília suas pernas ficaram moles e felicidade escapou pelos seus pulmões em alívio. “Por favor, vamos embora daqui.” Isso era um sinal que Cecilia não estava ali por status ou qualquer outra coisa. Ela teve a oportunidade perfeita para se esgueirar em contatos, mas tudo que pediu foi para sair dali com ela. Se sentiu corajosa o suficiente para segurar a mão da outra e a levar para saída onde poderiam aparatar sem chamar muita atenção. “Para onde devemos ir? Ainda é um pouco cedo, e acho que ficaremos com fome. Ate poderia sugerir meu apartamento, mas eu não sei cozinhar nada.”E se amaldiçoou um pouco por não ter uma habilidade que pudesse prender Cecilia em sua casa pelo resto da noite. Ela queria levar Cecilia em um jardim, ou talvez, para ver o show no Beco Diagonal, ou em algum restaurante ou lugar privado onde poderiam só olhar uma para outra. “Você escolhe.” Terminou por dizer, e percebendo que não havia soltado as mãos dela e que agora fazia leves carinhos com seu dedão na palma da mão alheia não querendo soltar.