Resumo: ApĂłs ver uma curiosidade sobre a forma como os gregos pediam alguĂ©m em casamento em uma aula de HistĂłria, vocĂȘ passa a usar maçãs como uma forma secreta de flertar com Baji e ela se torna simbĂłlica na relação de vocĂȘs.
GĂȘnero: Romance, capĂtulo Ășnico, fluffy, comĂ©dia romĂąntica, friends to lovers.
Postado também em: Wattpad e Spirit Fanfics.
â Como vocĂȘs jĂĄ sabem, a GrĂ©cia Antiga foi o berço de vĂĄrios filĂłsofos famosos que...
Sendo, de repente, tirada do transe de foco em que estava presa desde que o professor começara a explicar o conteĂșdo, vocĂȘ desviou suas orbes do quadro e voltou-as para a carteira ao seu lado, onde Chifuyu estava sentado.
Ao perceber que tinha conseguido chamar sua atenção, o loiro lhe mostrou um sorriso brincalhĂŁo e apontou disfarçadamente para a carteira logo atrĂĄs da sua. Curiosa, vocĂȘ olhou por cima do ombro esquerdo, uma risada fantasma escapando de sua boca logo quando viu o que era. Baji estava recostado em sua mesa, completamente alheio Ă aula, ele tinha caĂdo num sono tĂŁo profundo que atĂ© mesmo babava um pouco sobre seu caderno, era uma visĂŁo digna de foto.Â
ApĂłs dar uma boa olhada em seu amigo, vocĂȘ fitou Chifuyu novamente e compartilhou um sorriso confidente com ele, ambos claramente segurando a risada.
â Esses gregos tinham uns costumes bem diferentes dos nossos, nĂ©? â Um dos alunos comentou em voz alta de sĂșbito, atraindo o interesse de todo o restante da sala, incluindo os que nĂŁo estavam prestando atenção.
O professor riu, sendo claramente um fĂŁ do assunto abordado.
â Totalmente diferente, Ă© fascinante estudar certos hĂĄbitos deles, como por exemplo... â Ele fez uma pausa, fazendo suspense e despertando ainda mais curiosidade nos alunos. â VocĂȘs sabiam que na GrĂ©cia Antiga, jogar uma maçã em alguĂ©m era considerado um flerte? As pessoas faziam isso para pedir seus interesses amorosos em casamento.
Um barulho coletivo de espanto dominou a sala, que se tornou barulhenta.
â Sem chance de que eles flertavam assim!
Erguendo as sobrancelhas em interesse, vocĂȘ puxou sua caneta e começou a anotar em um espaço separado do caderno essa informação. Sabia que nĂŁo tinha chance nenhuma daquele detalhe cair na prova, mas quis anotar mesmo assim porque achou cativante.
Mais tarde, naquele mesmo dia, o Sol lançava um brilho laranjado sobre o mundo enquanto começava lentamente a se esconder no horizonte. O cĂ©u era um enorme quadro pintado de uma mirĂade de cores celestiais e belas, que se misturavam e se enroscavam numa dança harmoniosa e majestosa. Era um retrato lindo de se ver.
VocĂȘ, Baji e Chifuyu andavam lado a lado, rindo e se divertindo enquanto voltavam da escola para casa, assim como faziam todos os dias.
â Ei, mas eu entendi o assunto! â O moreno se defendeu, dando um sorriso orgulhoso. â O cateto Ă© o lado maior do triĂąngulo losango.
Chifuyu gargalhou ainda mais alto do que antes, segurando a barriga que jĂĄ estava dolorida. VocĂȘ fungou e enxugou as lĂĄgrimas enquanto se recuperava do ataque histĂ©rico de risos que acabara de ter.
â Isso aĂ Ă© a hipotenusa, Baji. E Ă© triĂąngulo retĂąngulo.
â Porcaria â murmurou o rapaz, estalando a lĂngua no cĂ©u da boca.
Subitamente, um vislumbre de vermelho surgiu na sua visĂŁo perifĂ©rica, distraindo-lhe da interação amistosa que ainda acontecia. Parando de andar e olhando para o lado, vocĂȘ procurou pela fonte daquele carmesim, encontrando-a sem demora logo atrĂĄs de um pequeno muro que adornava uma casa tradicional japonesa.
Era uma macieira, uma que tinha sido plantada e cultivada bem próxima ao muro, de modo que seu tronco se inclinava ligeiramente para a rua e seus lindos frutos brilhavam contra o delicioso banhar do sol. Ela estava cheia de maçãs, todas bem maduras e vermelhas, saborosas, de dar ågua na boca; seria tão fåcil roubar uma apenas se esticando para alcançar...
Seus olhos distraidamente pousaram nas costas de Baji, que ainda andava e jĂĄ estava um pouco distante de vocĂȘ. Foi quando, como um lampejo de uma ideia maravilhosa, lhe veio Ă mente.
Baji não sabia o que aconteceria a seguir, ele simplesmente não esperava, estava totalmente desprevenido quando inopinadamente foi acertado em cheio na nuca por algo que não era exatamente duro, mas também não era exatamente macio. Uma interjeição escapou de seus låbios e sua cabeça tombou para frente.
Massageando o local prejudicado e virando-se para trĂĄs, ele encontrou vocĂȘ hĂĄ alguns passos de distĂąncia, rindo malandramente enquanto jogava uma maçã que segurava para o ar e a aparava em seguida repetidamente.
â Ei! Por que diabos vocĂȘ... â Ele parou de falar quando seus olhos caĂram para baixo, na maçã que jazia parada prĂłxima aos seus pĂ©s. Erguendo uma sobrancelha em confusĂŁo, Keisuke se agachou e pegou a fruta, averiguando-a por um segundo, antes de limpĂĄ-la com a manga de seu uniforme e morder um pedaço. â Obrigado pela maçã.
VocĂȘ parou de jogar sua fruta e franziu o cenho para a atitude dele, mas entĂŁo bufou e revirou os olhos.
Chifuyu, que atĂ© entĂŁo assistia em silĂȘncio, arregalou as orbes e alternou entre olhar para o Baji, olhar para a maçã que ele comia e olhar para vocĂȘ. Uma centelha de entendimento incendiou suas Ăris esverdeadas quando ele se lembrou do que foi dito na aula de histĂłria mais cedo e a expressĂŁo de choque que surgiu em seu rosto nĂŁo poderia ser mais hilĂĄria.
Colocando a mĂŁo na boca e apontando para a fruta na mĂŁo de seu amigo, o jovem exclamou:
â VocĂȘ acabou de aceitar a proposta dela!
Baji, alheio ao verdadeiro significado por trås de suas açÔes, fitou o amigo de maneira indiferente e deu outra mordida.
â Mas do que Ă© que vocĂȘ 'tĂĄ falando, hein?
Chifuyu olhou na sua direção como se questionasse se vocĂȘ tinha feito aquilo mesmo, vocĂȘ sĂł deu de ombros e riu.
â Isso que dĂĄ dormir durante a aula â falou para o loiro, dando uma piscadela brincalhona, como se tivesse acabado de compartilhar um segredo com ele.
Baji olhou entre os dois.
Desde entĂŁo, ele nĂŁo teve mais sossego.
Baji simplesmente esqueceu o que era ter paz desse dia em diante, no qual vocĂȘ, por algum motivo que ele desconhecia, havia aparentemente proclamado guerra contra ele e entrado decididamente no campo de batalha vestida numa armadura brilhante feita completamente de maçãs.
Em todas as oportunidades possĂveis que lhe surgiam, vocĂȘ arranjava uma dessas benditas frutas vermelhas, sabe Deus de onde â Baji jĂĄ teorizou que vocĂȘ carrega um exĂ©rcito delas na sua bolsa, o que, Ă© Ăłbvio, nĂŁo faz sentido nenhum, mas ele tem certeza absoluta de que Ă© o caso â e joga com força total nele, acertando em cheio sempre, e vocĂȘ estava com a proeza de conseguir fazer isso todos os dias.
No inĂcio, Keisuke ficou realmente confuso com sua atitude, chegando a se questionar se tinha feito algo para te irritar tanto ao ponto de te motivar a agredi-lo constantemente, mas ao observar a maneira como tanto vocĂȘ quanto Chifuyu sempre se espocavam de rir ao final do pequeno ataque, ele deixou a ideia de lado e passou a levar isso como uma nova brincadeira dinĂąmica que surgia no trio.
AtĂ© que, em algum momento entre o intervalo de dias, semanas, mais ou menos dois meses que se passaram, aquilo simplesmente se tornou uma competição entre vocĂȘs dois e Chifuyu era o juiz nĂŁo proclamado da coisa toda. Sua atitude, antes considerada estranha e inesperada, começou a ser vista como normal e atĂ© mesmo esperada, uma parte divertida do cotidiano de Baji.
Ele agora reagia de maneira mais atenta aos seus ataques, algumas vezes tentando desviar (e falhando), outras vezes levantando a mĂŁo e aparando enquanto prosseguia com o que quer que estivesse fazendo sem nem mesmo desviar o olhar, outras vezes ele seria um completo idiota e tentaria pegar a maçã com a boca; mas de qualquer forma, nĂŁo importava quantos dias tivessem se passado ou quantas vezes vocĂȘ jĂĄ tivesse feito aquilo, Baji sempre aceitava e comia a sua fruta, e infelizmente, para o seu consternamento, esse detalhe fazia seu coração palpitar e se agitar no peito feito o pobre iludido que era.
Mas Ă© claro que palpitava! Como nĂŁo palpitaria quando vocĂȘ estava, obviamente, certamente e indubitavelmente flertando com Baji descaradamente? No inĂcio, vocĂȘ disse para si mesma que era apenas uma brincadeira engraçada e inocente, mas no fundo, sabia que nĂŁo era; viu na ignorĂąncia do rapaz sobre o assunto, a oportunidade perfeita para se declarar sem usar palavras e sem correr o risco de ser rejeitada, porque ele nĂŁo sabia que era uma declaração, ele nĂŁo tinha nem ideia, aquele tolo.
E vocĂȘ se aproveitou desse fato para manifestar de alguma maneira os sentimentos que estavam hĂĄ muito reprimidos em seu peito. Foi de uma maneira covarde, mas ainda assim foi de uma maneira. VocĂȘ nĂŁo aliviou a pressĂŁo de nutrir aqueles sentimentos com palavras, porĂ©m arranjou um jeito de fazer isso com maçãs, e embora soubesse que Baji nĂŁo considerava o seu gesto algo romĂąntico e que ele via como nada mais do que uma competiçãozinha boba e amistosa, vocĂȘ nĂŁo conseguia evitar de sentir seu batimento cardĂaco acelerar sempre que ele afundava os dentes na fruta, de sentir uma fagulha de esperança se acender no fundo do seu Ăąmago que, talvez, aquilo significasse algo mais.
Porque toda vez que mordia a maçã, Baji aceitava a sua proposta de relacionamento, mas ele nunca, em nenhuma das vezes, aceitou de maneira consciente. E vocĂȘ, idiota como era â porque certamente sĂł poderia ser idiota para continuar com aquilo â, prosseguia arremessando as maçãs nele, de novo e de novo, ainda na esperança de que uma hora ele perceba que nĂŁo se trata sĂł de um gesto inocente.
Baji nĂŁo notava, Ă© claro. E ainda assim, vocĂȘ insistia em continuar, vocĂȘ o cortejava todos os dias sem falta.
Era isso, vocĂȘ estava perdida. NĂŁo tinha mais salvação para (Nome) (Sobrenome).
â AtĂ© quando pretende continuar fazendo isso?
Com um suspiro, suas orbes saltaram do seu caderno para o rosto de Chifuyu, que estava sentado ao seu lado nas arquibancadas do campo de educação fĂsica da escola. Alguns fios dourados e selvagens de seu cabelo festejavam no rosto do rapaz, embalados pela brisa suave da manhĂŁ que os envolvia.
Apoiando o queixo na mĂŁo, vocĂȘ o observou em silĂȘncio por um momento, entĂŁo desviou o olhar e fitou o verde limpo e energĂ©tico do campo, antes de fitar a construção da escola de vocĂȘs como se fosse a coisa mais interessante do mundo.
â NĂŁo sei do que estĂĄ falando.
Chifuyu franziu as sobrancelhas e fez uma careta tĂpica de "vocĂȘ estĂĄ ofendendo a minha inteligĂȘncia se acha que isso vai funcionar".
â VocĂȘ sabe muito bem do que eu 'tĂŽ falando!
â O clima de hoje estĂĄ uma maravilha, hein?
â Para de desconversar!
VocĂȘ grunhiu enquanto olhava para o cĂ©u. NĂŁo tinha como fugir de Chifuyu Matsuno; ainda mais quando ele obviamente jĂĄ sabia o que atĂ© mesmo um micrĂłbio no chĂŁo deveria saber a essa altura.
â NĂŁo sei... â respondeu por fim, deixando os ombros caĂrem e voltando sua atenção para a atividade que antes fazia no caderno.
Chifuyu te observou por um momento, como se analisasse algo.
â VocĂȘ faz isso sĂł para zoar com o Baji ou...?
Os olhos dele se arregalaram com a sua admissĂŁo.
â EntĂŁo vocĂȘ realmente estĂĄ cortejando ele igual os gregos faziam!? Tipo, de maneira sĂ©ria mesmo?!
VocĂȘ aquiesceu com a cabeça, dando de ombros enquanto sentia uma certa pontada de vergonha te atingir.
Boquiaberto, Chifuyu apenas negou com a cabeça, precisando de um tempo para processar o fato de que todas as teorias dele estavam, de fato, certas.
â Sabia que vocĂȘ nĂŁo estava fazendo isso sĂł por zoação! â exclamou como se tivesse acabado de acertar os nĂșmeros da Mega-Sena, com um sorriso que ia de uma orelha a outra e dando uma batidinha na prĂłpria coxa.
VocĂȘ sĂł bufou e resmungou algo para si mesma, alguma reclamação qualquer enquanto tentava voltar a focar na tarefa escolar que ambos haviam se juntado para fazer ali no campo.
Para a sua inquietude, Chifuyu nĂŁo parecia nada interessado em voltar a se concentrar na tarefa. Bom, azar o dele, porque vocĂȘ jĂĄ estava na Ășltima questĂŁo.
â Mas vocĂȘ sabe que Baji nĂŁo faz ideia do que significa o lance da maçã, nĂ©?
â Ă Ăłbvio que eu sei, ele estava mais inconsciente do que um cadĂĄver naquela aula.
â EntĂŁo, de que adianta vocĂȘ todo dia se declarar para ele, se ele nĂŁo sabe que Ă© uma declaração?
Empertigou-se com aquela pergunta e hesitou por um momento, mas depois voltou a escrever, não se dando ao trabalho de olhar na direção de seu companheiro.
â (Nome), vocĂȘ deveria parar de enrolar e confessar de verdade o que sente por aquele bocĂł, porque jĂĄ 'tĂĄ mais do que na cara que os dois... â ele se interrompeu, piscando algumas vezes e respirando fundo enquanto passava a mĂŁo no rosto. â NĂŁo. NĂŁo cabe a mim falar nada.
VocĂȘ o olhou de soslaio e ergueu uma sobrancelha.
â VocĂȘ poderia pelo menos explicar para ele como funciona! Ă injusto da sua parte deixar ele por fora disso, Baji tem o direito de saber sobre sua proposta.
â Hm. â Foi tudo o que respondeu.
Juntando as mãos no próprio colo e se inclinando na sua direção, Chifuyu suspirou e abaixou a cabeça, murmurando de maneira desanimada:
â Se continuar nesse ritmo, vocĂȘs nunca vĂŁo avançar para a prĂłxima etapa...
O silĂȘncio caiu sobre ambos, o som do vento, acompanhado de conversas longĂnquas de outros alunos e do barulho baixo da sua caneta contra o papel, foram os responsĂĄveis por embalar a audição de vocĂȘs por um longo tempo. AtĂ© que vocĂȘ largou a caneta de lado e levantou o rosto.
Ele ergueu a cabeça num movimento repentino.
â Se contar para o Baji, eu mato vocĂȘ.
Foi a vez do Chifuyu se empertigar.
â Sim... â Uma gota d'ĂĄgua deslizou lentamente pela cabeça do rapaz.
SilĂȘncio novamente... dessa vez, o que o abafou foi o som das pĂĄginas do caderno de Chifuyu sendo viradas.
â Achou a resposta da quatro?
VocĂȘ olhou para ele e depois releu a questĂŁo mencionada.
â A resposta dessa 'tĂĄ no livro, na pĂĄgina 45.
Ele soltou um barulho de compreensĂŁo e abriu o livro de histĂłria que jazia esquecido ao seu lado.
â Ah, achei vocĂȘs! â Uma voz se manifestou de repente, atraindo a atenção de ambos. â O que estĂŁo fazendo aĂ?
Derrubando as orbes na figura de Baji que se aproximava de onde estavam, vocĂȘ deu um pequeno sorriso amigĂĄvel, ignorando o aumento quase instantĂąneo de seu ritmo cardĂaco.
â Oi, Baji. Estamos fazendo a atividade de revisĂŁo que o professor de histĂłria passou para hoje â Chifuyu respondeu, abrindo um sorriso animado ao ver seu melhor amigo.
â Entendi... EntĂŁo tinha atividade para entregar hoje â murmurou mais para si mesmo do que para vocĂȘs, parecendo nĂŁo se importar muito com esse fato, mas entĂŁo os olhos dele se arregalaram e algo pareceu clicar em seu cĂ©rebro. â Espere... atividade de revisĂŁo?! RevisĂŁo?! Tipo, revisĂŁo de prova?!
VocĂȘ concordou com a cabeça, antes de elaborar:
â Sim, a atividade em si Ă© a revisĂŁo da prova.
â Vai ter prova?! Quando?! â O desespero tomou conta do moreno, que colocou a mĂŁo na cabeça em completa agonia.
â O quĂȘ?! Meu Deus do cĂ©u, mas isso Ă© amanhĂŁ!
â UĂ©, Baji. VocĂȘ nĂŁo sabia? Isso foi avisado semana retrasada... â Chifuyu franziu o cenho em confusĂŁo, ficando pensativo por um momento muito breve, antes de apertar os olhos de maneira desconfiada na direção do jovem. â Estava dormindo durante a aula de novo, nĂŁo estava?
Baji fitou Chifuyu sem cerimÎnia alguma e, com uma expressão muito séria, admitiu:
â Eu sempre durmo nas aulas de histĂłria.
O loiro soltou um suspiro e fez uma careta.
â VocĂȘ tem sorte de o professor nĂŁo te notificar por isso.
Ignorando o comentĂĄrio do amigo, Baji lamuriou-se com uma expressĂŁo aflita, apresentando uma reação semelhante ao que uma pessoa teria ao receber o pior tipo de notĂcia possĂvel.
â Cara, o que eu faço agora? NĂŁo anotei quase nada que ele passou nesse bimestre! â Botando uma mĂŁo na cintura e a outra na testa.
VocĂȘ revirou os olhos, deixando escapar um sorriso fantasma. NĂŁo era novidade esses desesperos de Baji em situaçÔes de prĂ©-prova, tambĂ©m nĂŁo era novidade a falta de conteĂșdos no caderno dele.
â Eu te empresto o meu caderno, se vocĂȘ quiser. Fiz anotaçÔes da aula e grifei as partes mais importantes enquanto revisava, vocĂȘ pode estudar por ele â sugeriu enquanto levantava o objeto e o balançava suavemente em um convite.
Os olhos do rapaz praticamente brilharam em alĂvio, como se vocĂȘ tivesse acabado de salvĂĄ-lo de uma enrascada.
â SĂ©rio mesmo? Eu posso? â perguntou, embora jĂĄ estivesse estendendo a mĂŁo para pegĂĄ-lo. â Mas e vocĂȘ?
â Eu jĂĄ terminei a atividade, fique Ă vontade â assegurou gentilmente.
Baji deu uma olhada breve e råpida nas anotaçÔes antes de fechar o caderno e se curvar na sua frente de maneira dramaticamente agradecida.
â VocĂȘ Ă© um anjo enviado do cĂ©u para me socorrer, obrigado!
â E lĂĄ vai vocĂȘ de novo se garantindo nas anotaçÔes da (Nome) â comentou Chifuyu, se divertindo com a situação.
â Ă bom vocĂȘ me devolver esse caderno acompanhado de um dez na prova, ouviu?
Baji enrijeceu instantaneamente com o pedido.
â Eu nĂŁo posso prometer um dez, mas eu prometo um sete!
VocĂȘ cruzou os braços e ergueu uma sobrancelha para ele, que coçou a nuca de maneira ligeiramente nervosa e tentou de novo:
â 'TĂĄ bom, sete e meio entĂŁo.
Sentiu vontade de negar a oferta, mas no fim vocĂȘ acabou apenas rindo dela e deixando para lĂĄ.
Mais tarde, naquele dia. Quando o Sol jĂĄ havia saĂdo de cena e a Lua encantava com o seu brilho resplandecente no cĂ©u, Baji se encontrava aconchegado no conforto do seu quarto, sentado na cama e com o caderno na mĂŁo.
De maneira corajosa, como se estivesse prestes a abrir o portão de um castelo infestado de monstros sedentos que estavam se preparando para pular no pescoço dele assim que surgisse a chance, Baji abriu o caderno, engolindo em seco.
â Muito bem, vejamos o que temos aqui... â murmurou para si mesmo enquanto começava a ler as partes grifadas com marca-texto.
Ele permaneceu ali parado, absorto na leitura, por longos minutos, atĂ© entender mais ou menos o bĂĄsico do assunto e começar a conversar mentalmente consigo mesmo numa tentativa pouco esforçada de decorar algumas informaçÔes. Durante toda essa onda de silĂȘncio que preenchia o quarto, era possĂvel ouvir o ruĂdo abafado da novela que sua mĂŁe assistia na sala.
Quando se deu por satisfeito, avançou nas anotaçÔes e as leu silenciosamente, atĂ© o momento em que suas Ăris bronzeadas se depararam com algo que o chocou tanto, que ele precisou reler mais uma vez em voz alta para ter certeza de que havia entendido corretamente.
â "Na GrĂ©cia Antiga, era costume jogar uma maçã na pessoa para pedi-la em casamento"... QuĂȘ?! â Ele apertou os olhos, antes de afastar o caderno do rosto e fazer uma expressĂŁo chocada. â Fala sĂ©rio, que coisa mais estranha! Por que ela anotou isso? NĂŁo acredito que uma informação besta dessas vai cair na pro... espera um momento aĂ.
Baji ergueu uma sobrancelha, permanecendo em um silĂȘncio pensativo enquanto conectava as peças lentamente.
Quando a Ășltima peça se encaixou naquele quebra-cabeças, o moreno arregalou os olhos â nĂŁo sĂł arregalou, esbugalhou â e gritou, pulando para fora da cama.
Barulhos pesados e apressados de passos foram escutados fora do quarto, antes que a mĂŁe de Baji abrisse a porta em um baque repentino e examinasse o quarto com uma expressĂŁo assustada.
O jovem a fitou, então voltou a fitar o caderno largado no colchão, as mãos na cabeça em absoluto choque.
â Eu nĂŁo acredito nisso!
â NĂŁo acredita no quĂȘ?! O que aconteceu, filho?!
â O que nĂŁo Ă© possĂvel?!
â Como nĂŁo notei isso?! O Chifuyu ainda me deu dicas do que 'tava rolando! â exclamou, tampando o rosto com as duas mĂŁos e grunhindo.
Semicerrando os cĂlios, a mulher encostou a mĂŁo na borda da porta e analisou seu filho, percebendo que ele sĂł estava tendo mais algum tipo de surto dramĂĄtico da adolescĂȘncia, aparentemente.
â E eu aqui preocupada... â suspirou, observando-o andar em cĂrculos pequenos enquanto murmurava coisas incoerentes em voz baixa. â Meu Deus, meu filho endoidou.
Na manhĂŁ seguinte, Baji foi para a escola com uma determinação inabalĂĄvel e um andar que o fazia parecer que estava prestes a atravessar um rio inteiro nadando e enfrentar trĂȘs jacarĂ©s e uma cobra no processo, tudo isso sĂł com os punhos e os dentes. Ele estava tĂŁo focado no objetivo, que em seu rosto havia uma carranca profunda â responsĂĄvel por ter assustado vĂĄrias idosas no caminho que o compararam com um rottweiler agressivo, pronto para morder qualquer um que se aproximasse demais.
Aonde quer que passasse, as pessoas iam se afastando como se ele fosse uma gota de Ăłleo em um recipiente cheio de ĂĄgua, temendo por suas vidas enquanto desviavam o olhar e suspiravam. Uma ĂĄurea de determinação intensa o rodeava de tal maneira, que quem o via, achava que ele era alguma espĂ©cie de John Wick japonĂȘs, caminhando em cĂąmera lenta ao som de "Story Of Wick" enquanto ia rumo aos seus rivais mais odiosos para socĂĄ-los na cara.
Mal sabiam eles que Baji era sĂł um romĂąntico que acabara de descobrir uma informação encantadoramente inesperada e que tinha consigo apenas uma maçã, uma mochila e um sonho â e tambĂ©m uma preocupação maçante com a prova que era para ele ter estudado na noite anterior, mas nĂŁo conseguiu porque ficou ocupado demais pensando. E, sim, ok, ele tambĂ©m era um delinquente, mas isso era histĂłria para outro dia.
VocĂȘ, completamente alheia ao que acontecia, estava tranquilamente no telhado da escola, observando a paisagem e os alunos atrasados correndo pelo pĂĄtio. Encostada na grade, sentiu o vento acariciar seu rosto enquanto revisava mentalmente os assuntos que cairiam na prova. Estava tĂŁo absorta na tarefa que nem notou quando a porta atrĂĄs de si foi bruscamente aberta.
A Ășltima coisa que vocĂȘ sabe Ă© que estava tentando lembrar o que acarretou a Guerra do Peloponeso quando, subitamente, sentiu algo acertar a sua nuca com força, te atordoando.
Virando-se para trĂĄs, vocĂȘ se surpreendeu ao encontrar Baji em toda a sua glĂłria parado hĂĄ poucos metros da sua figura, parecendo super concentrado, mas se surpreendeu ainda mais ao ver o que ele havia jogado na sua direção. Seu coração quase falhou no seu peito e vocĂȘ prendeu a respiração enquanto seus olhos se grudavam na forma avermelhada da maçã, uma quantidade extenuante de esperança florescendo no seu Ăąmago.
SerĂĄ que... ele finalmente...?
VocĂȘ deu um breve e imperceptĂvel balançar negativo de cabeça.
NĂŁo, ele provavelmente...
â Decidiu revidar os meus ataques? â Terminou seu pensamento em voz alta, forçando o seu lado esperançoso a calar a boca e ficar quieto. VocĂȘ pegou a fruta e a analisou por um momento, antes de começar a jogĂĄ-la de uma mĂŁo para a outra. â Achei atĂ© que demorou para reagir, levando em conta que vocĂȘ Ă© vocĂȘ.
Baji deu um sorriso presunçoso e se aproximou, apoiando-se ao seu lado na grade.
â Conseguiu estudar? â perguntou apĂłs um momento de puro e simples silĂȘncio, sem olhar para ele.
â Mais ou menos. â VocĂȘ praticamente conseguiu ouvi-lo dando de ombros.
VocĂȘ soltou um suspiro e apertou os olhos, rindo de maneira soprada.
Traduzindo 'mais ou menos' na linguagem do Baji: Dei uma lida superficial e fechei o caderno enquanto dizia de maneira orgulhosa: "Enfim, fiz o que pude" e fui comer.
â Entendi... â murmurou, conhecendo bem o amigo que tinha.
Mais nenhuma palavra foi dita apĂłs essa. O vento se manifestou ao redor e assobiou levemente contra seus ouvidos, tentando quebrar o gelo que inconscientemente se formou ali, com Baji completamente e perfeitamente parado, estĂĄtico, olhos fixos de maneira intensa na sua figura, sem piscar, sem desviar, como se fosse um policial avaliando um suspeito e meditando se ele Ă© ou nĂŁo o criminoso. VocĂȘ era a suspeita, um passo em falso seu e o policial te descobria.
Firme na posição em que estava, vocĂȘ tambĂ©m nĂŁo desistiu, permaneceu observando o pĂĄtio, nĂŁo cedendo em momento nenhum ao olhar intenso de Baji e muito menos o correspondendo; estava decidida a ignorar implacavelmente aquela expressĂŁo dele de: "eu sei algo que vocĂȘ nĂŁo sabe" e fingir que estava tudo normal, embora o ar que os envolvia insistisse em berrar o contrĂĄrio. EntĂŁo, era esse o jogo da vez: vocĂȘ olhando para frente, Baji te encarando, vocĂȘ sabendo que Baji estava te encarando e ignorando isso, Baji sabendo que vocĂȘ sabia e tambĂ©m ignorando isso.
Os dois, teimosos feito uma mula, nĂŁo cederam na pequena guerra que se formou por longos, longos minutos, atĂ© que o moreno finalmente decidiu quebrar o silĂȘncio e falar algo, impaciente demais para prosseguir com o jogo do vocĂȘ-me-olha-eu-desvio.
â NĂŁo vai comer a maçã? â perguntou com uma voz arrastada, descansando a bochecha na palma da mĂŁo e apertando as pĂĄlpebras na sua direção. â Eu aceitei todas as suas propostas e vocĂȘ estĂĄ me rejeitando agora? Um pouco tarde para voltar atrĂĄs, nĂŁo?
VocĂȘ se atrapalhou com a maçã na mĂŁo e por pouco nĂŁo a deixou cair.
â O que...? â Levantando a cabeça e o fitando com uma expressĂŁo similar Ă de alguĂ©m que acabou de ver um crocodilo dar Ă luz a uma capivara, vocĂȘ sussurrou, quase escandalizada.
Ele observou atentamente o seu rosto, como se o estudasse.
â Que foi? â Erguendo uma sobrancelha, ele hesitou, coçando o queixo pensativamente. â Eu errei? Era ao comer que aceitava a proposta mesmo?
VocĂȘ nĂŁo teve reação, vocĂȘ simplesmente nĂŁo teve reação nenhuma alĂ©m de congelar no lugar e o encarar como um cervo na frente de um carro com farol ligado.
â Por que vocĂȘ 'tĂĄ me olhando assim?
Seu lĂĄbio inferior tremeu, um rubor surgindo vagarosamente no seu rosto conforme a percepção caĂa com a força de uma fornalha sobre vocĂȘ.
Ele abriu um sorriso arrojado, seus caninos afiados ficando orgulhosamente Ă mostra.
â Que vocĂȘ tem me pedido em casamento esse tempo todo? Sim, estava escrito algo sobre os gregos fazerem isso no seu caderno.
â Ah... â Foi a Ășnica coisa que saiu de seus lĂĄbios enquanto vocĂȘ se xingava mentalmente.
Seus olhos pousaram na fruta que brilhava em um carmesim atraente e inocente. VocĂȘ piscou, seu coração conseguiu a proeza de acelerar ainda mais e um calor subiu do seu pescoço atĂ© o seu rosto.
Espera, se ele sabe, entĂŁo ele acabou de... Sua linha de pensamento foi interrompida bruscamente por Baji, que cruzou os braços e se inclinou para frente, ficando cara a cara com vocĂȘ, que sentiu a respiração dele pairar perigosamente perto da sua pele.
â NĂŁo vai aceitar o meu pedido? â perguntou mais uma vez, sua voz mais baixa agora. â Sei que pela quantidade de vezes que fizemos isso, jĂĄ deverĂamos estar nos chamando de marido e mulher ou coisa assim, mas sĂł vamos poder oficializar de verdade quando a proposta acontecer em um momento que os dois sabem o que ela Ă©, nĂ©?
Naquele instante, se colocassem um ovo na sua bochecha e deixassem por 3 a 5 minutos, tirariam ele de lĂĄ jĂĄ cozido.
VocĂȘ voltou a olhar para a maçã, ela estava intocada e parecia zombar de vocĂȘ, te desafiando a mordĂȘ-la de verdade. O peso do seu significado pairou sobre seus ombros, ela nĂŁo era mais uma mera brincadeira, para nenhum dos dois.
E, para o seu completo choque, Baji ainda estava aqui mesmo depois de ter descoberto isso, fazendo a proposta ele mesmo â para o seu segundo completo choque.
VocĂȘ titubeou, mĂŁos trĂȘmulas e rosto queimando em constrangimento por ter sido pega no pulo do gato, mas nĂŁo sĂł por isso, seus sentimentos haviam sido expostos sem aviso prĂ©vio e de maneira inesperada, agora vocĂȘ nĂŁo tinha esconderijo algum Ă sua disposição, estava vulnerĂĄvel na frente do motivo de seus devaneios e suspiros apaixonados, e ele estava simplesmente ali, lhe fazendo uma pergunta, a mesma pergunta que vocĂȘ vinha secretamente fazendo a ele.
Aquilo era um pedido, mas nĂŁo um pedido qualquer, era um que vocĂȘ ansiou com todas as suas forças, por isso, vocĂȘ reprimiu os lĂĄbios, seu coração bombeando sangue feito louco, juntou coragem e mordeu a maçã, sentindo o suco dela invadir seu paladar em uma explosĂŁo doce e suave. VocĂȘ conseguia sentir Baji assistindo, olhando cada pequeno movimento do seu corpo, que praticamente queimava sob a atenção enfĂĄtica dele.
Seu maxilar se mexeu sem pressa alguma enquanto vocĂȘ mastigava, a grandeza do significado daquele simples gesto pesando, e quando vocĂȘ engoliu o pedaço, as mĂŁos de Baji saltaram na sua direção sem perder tempo.
A maçã caiu da sua mĂŁo e rolou no chĂŁo, vocĂȘ teria ido pegar a pobre coitada, se nĂŁo fosse pelos braços malhados â e sim, essa foi a primeira coisa que vocĂȘ reparou â que te enjaularam no lugar.
Uma boca macia e quente cobriu a sua antes que vocĂȘ pudesse raciocinar e sua mente ficou em branco por um momento enquanto Baji te beijava. Quando a onda de surpresa passou, vocĂȘ começou a corresponder o beijo, a princĂpio timidamente, mas conforme o dançar de lĂĄbios se desenrolava, vocĂȘ ganhava mais confiança.
Em algum momento, as mĂŁos de Baji deixaram de te abraçar e se alojaram na sua cintura. Elas permaneceram lĂĄ, firmes e quentes, como se sempre tivessem pertencido ali e vocĂȘ, que atĂ© entĂŁo estava com os braços pairando no ar, lembrou-se da existĂȘncia deles e os relaxou, apoiando suas mĂŁos no peitoral do jovem.
Elas nĂŁo sĂł se apoiaram, elas se espalmaram, criaram vida prĂłpria, enrolaram o tecido do uniforme contra os dedos ansiosamente.
E quando ele se afastou, testa colada na sua e sorriso altivo que seria totalmente capaz de elencĂĄ-lo como Jacob Black de algum novo filme do CrepĂșsculo, vocĂȘ sentiu suas pernas bambearem.Â
â JĂĄ posso pegar seu celular e trocar o nome do meu contato para "namorado mais gostosĂŁo e sexy de todos" com trĂȘs coraçÔes no final ou ainda estĂĄ cedo demais para isso? â ele falou, quebrando o encanto do beijo com uma risada gutural.
VocĂȘ franziu o cenho, mas nĂŁo conseguiu evitar o sorriso apaixonado que seus lĂĄbios traidores abriram para ele.
â Idiota... â murmurou, sentindo o cheiro do perfume dele tomar conta de seus sentidos.
O rapaz levantou uma das mãos e tocou na sua bochecha, deslizando as costas dos dedos pela sua pele, antes de se acomodar carinhosamente lå, seu polegar traçando movimentos suaves e circulares.
â Diga para mim â pediu, o sorriso se foi. Ele te olhou nos olhos, nĂŁo com presunção, nem com diversĂŁo, apenas com amor, carinho e seriedade.
VocĂȘ cantarolou em resposta, observando o tom bronzeado de suas Ăris, que pareciam brilhar no banhar da luz solar, cativante.
â Diga em voz alta o que sempre me dizia silenciosamente quando jogava uma maçã em mim.
VocĂȘ desviou o olhar, ainda corada, feito a boba apaixonada que era. Com um toque leve, Baji segurou seu queixo e o ergueu para que vocĂȘ voltasse a vĂȘ-lo, encorajando-a silenciosamente.
VocĂȘ abriu a boca e respirou por ela, fitando-o enquanto puxava coragem do mais profundo do seu ser para deixar as palavras saĂrem.
VocĂȘs ficaram parados, se olhando. O silĂȘncio se instalou e se estendeu entre ambos.
â Estou apaixonada por vocĂȘ. â As palavras escaparam de algum lugar escondido nas suas vĂsceras em um sussurro que era apenas um pouco mais alto do que o vento brando da matina.
O canto dos lĂĄbios de Baji se enrolou para cima em uma ternura que vocĂȘ sĂł tinha o visto ter com gatos. Ele beijou sua testa, alcançou uma de suas mĂŁos no peito dele e entrelaçou-as de maneira reverenciĂĄvel, selando seus lĂĄbios em mais um beijo depois disso, um mais demorado, apaixonado, meigo.
â E eu estou te amando. â falou assim que se afastou de vocĂȘ, dotado de uma calmaria que fazia parecer que aquilo era a coisa mais simples e Ăłbvia do mundo, como se sempre tivesse sido assim.
VocĂȘ soltou um suspiro para aquela declaração, seu coração praticamente aplaudindo-o. Baji jogou um braço preguiçoso no seu ombro e a puxou para si, sorridente.Â
â Depois dessa histĂłria toda, a gente merecia comer uma maçã do amor â sugeriu, animado.
VocĂȘ riu, uma risada espontĂąnea e genuĂna.
Ele olhou para o seu rosto por um momento, um resquĂcio de animação brilhando em suas orbes.
â Ok, 'tĂĄ decidido. Vamos matar aula hoje e ir passear.
Em algum lugar dentro da escola, o professor de história travou dramaticamente no meio do corredor e colocou a mão no coração, sentindo um mau pressågio.
â O quĂȘ?! De jeito nenhum, Baji! Precisamos fazer a prova! â vocĂȘ argumentou, encarando seu agora namorado com uma expressĂŁo de reprovação.
Ele encolheu os ombros, devolvendo a sua expressĂŁo com uma traquina.
â SĂł quem se arrisca merece viver o extraordinĂĄrio.
Mordendo o lĂĄbio inferior enquanto se deleitava com o fato de esse completo pateta em forma de delinquente com 1,75 de altura ter se tornado seu para lidar â e tambĂ©m se repreendendo por estar pensando nisso enquanto ele sugeria a pior ideia possĂvel para quem queria passar de ano sem complicaçÔes â, vocĂȘ balançou a cabeça em negação, um sorriso ladino nos lĂĄbios.
â Se vocĂȘ continuar desse jeito, o Ășnico extraordinĂĄrio que vai viver Ă© o de reprovar.