sonhar com o universo que me acalma
Se é desse mundo que pertenço, quem ouve minha dor quando a noite cai? Quem cala o tempo? Há silêncio capaz de me engolir? Quero ouvir-te, céu chuvoso, quero ser tua quando as nuvens escurecem. Envolva-me, céu, neste teu azul profundo de curta paciência com as estrelas, quero-as para sempre estampadas no meu teto. Que se dane o Sol, não posso admirá-lo, ele cega meus olhos. Meus olhos querem ver, querem saber além do que os impede. Eu quero mais, eu quero escorregar na dor de saber que a vida é finita, e se for, quero ver de longe a Terra miúda no universo maior que a vida. Universo, seja eu! Traga-me quando eu for embora, suga minh’alma desamparada enquanto os vermes acabam com o meu corpo! Seja eu, que a dor em mim, desaparece, desvanece com o temporal. O dia já quer bater na janela do meu quarto. Mas, se o choro não cessa, porque hei de clarear junto ao dia? Quero ser noite enquanto meus olhos não secam, e para sempre universo. Mas se ainda há terra em mim, se ainda há mar e céu, tenho que viver entre quatro paredes e vez em quando desfrutar das ruas que contornam o mundo. E as pessoas que não me entendam, mas não quero amá-las, pois ainda não sei amar-me como bem pretendo. Sendo assim, posso aprender aos poucos a razão da vida quando nada se tem de felicidade complicada. Pois pra mim, felicidade é ver a folha cair de uma árvore quando o vento sopra forte. É ver o dilatar da minha pupila no fim da tarde. As coisas como devem ser, simplesmente simples. Agora sim, sinto-me leve e dentro do corpo que me faz eu, sinto-me destruindo as desgraças que decepam as noites de paz que me abraçam quando tenho saudade do que não conheço. Como é leve vomitar as palavras que aqui me acariciam. Posso enfim dormir e sonhar com o universo que me acalma.
(Giovanna Zambianchi)



















