ewnchae:
caso eunchae tomasse a liberdade de listar todas as pessoas que menos se imaginava acabar esbarrando pelos corredores do hospital, encaixaria até mesmo o presidente de seu país em uma colocação acima do ex-namorado parado em sua frente. em especial quando, até onde seus conhecimentos de anos atrás a indicavam, aquele integrante de seu passado deveria estar vivendo do outro lado do mundo. não era o reencontro que algum dia se imaginara tendo com ele e, muito menos, o mais conveniente; para falar a verdade, sequer era algo que a garota enxergava com bons olhos naquele momento. depois de anos, de um coração partido e de uma mudança gradual de visão sobre o amor em sua vida, não era mais aquele tipo de pessoa que ficaria minimamente mexida ou contente de vê-lo novamente. na verdade, seria um meio mais correto para descrevê-la caso a denominassem como ‘irritada’. “então, deveria tomar uma preocupação maior quando for andar por aí.” murmurou em retorno, ajeitando a própria prancheta entre os braços e o encarando. “os médicos não residentes aqui estão sempre correndo, então quem não se cuida vai acabar caindo no chão rapidinho. ou até interrompendo alguém numa correria, sabe, importante.” utilizou a abordagem mais profissional que conseguia para falar com ele, embora a expressão em seu rosto entregasse de imediato que o desgosto não era nada relacionado com aquilo - poderia se argumentar, contudo, que era provavelmente a expressão que direcionava para a maioria do grupo de residentes de medicina. “não sabia que você tinha voltado.”
engoliu em seco ouvindo o tom de voz a qual eunchae se dirigia a si. quando conversaram pela última vez, ela estava claramente magoada, mas parecia que toda aquela tristeza havia se transformado em raiva. chanwoo não poderia culpá-la, se pudesse voltar no tempo, faria as coisas um pouco diferente, especialmente agora que sabia que aquela mudança para o tratamento de sua mãe não havia dado em nada além de um diagnóstico de ptsd e seu pai se casando novamente. “certo.. obrigado pela dica” limitou-se a responder as palavras desgostosas dela o mais breve possível, com um aceno de cabeça curto. se fosse antigamente, com certeza faria uma piada ou tentaria se justificar, e, bom, não era somente eunchae que havia mudado. agora que estavam a uma distância segura, ele colocou seu cartão na máquina do ponto, em que o visor respondeu com o processamento de seus dados ‘go chanwoo, departamento de neurologia, residência’. até hoje tinha suas dúvidas sobre a carreira médica e sua especialização, mas não podia mais voltar atrás. finalmente levantou o olhar para a moça, e torcia para que ela não reparasse em suas olheiras ou sua pupila dilatada pela ansiedade. “meu pai casou de novo recentemente.. achei que seria legal tentar, uh, me aproximar da família nova” mentiu, pois a mudança foi praticamente forçada e chanwoo veio arrastado para a coreia. a verdade é que seu pai não confiava em deixar o rapaz, pelo menos em seu atual estado mental, totalmente sozinho nos estados unidos. “esse é um bom hospital também, o melhor departamento de neurologia do país” tentava a todo custo manter a compostura na frente da garota, mas conseguia sentir as veias de seu pescoço pulsando e um pouco de suor se formando nas suas mãos cobertas pelas luvas. “vou passar praticamente todos os meus dias dos próximos três anos por aqui, mas não se preocupe, vou tentar ficar longe de você, se preferir. fico feliz em saber que você está bem”
















