nome completo:Â ronald billius weasley
idade:Â 19
casa: grifinĂłria
ano escolar: nono
status sanguĂneo:Â puro-sangue
atividades extracurriculares: armada de dumbledore, clube de xadrez bruxo e quadribol.
bio:
ottery st catchpole estava tomada por uma tempestade terrĂvel durante todo o inĂcio do dia e começo da tarde do primeiro dia de março. o vento batia contra as janelas tortas da Toca como se quisesse arrancĂĄ-las do lugar, e trovĂ”es cortavam o cĂ©u em intervalos impacientes. âheâs getting stuck in there, dad, iâm telling yaââ comentou um dos filhos weasley, espiando pela escada. âyeah, bet heâs hearing the storm and thinking heâs about to enter into some dragon family or elseâ completou outro, com um sorriso torto. âshut it.â e esse foi arthur weasley â andando de um lado para o outro da sala, claramente sem conseguir se concentrar nos patinhos de borracha que havia trazido do trabalho para âestudoâ, o ranger do assoalho denunciando cada volta ansiosa. menos de uma hora depois, o choro de um bebĂȘ atravessou a casa inteira como um feitiço de silĂȘncio invertido, trazendo passos apressados, portas abrindo e vozes se atropelando. molly weasley estava sentada na cama, exausta e radiante, segurando o mais novo membro da famĂlia, enquanto ao redor dela uma pequena multidĂŁo de cabelos ruivos se formava â curiosos, inquietos, jĂĄ opinando. âred-head, of course. vocĂȘ tambĂ©m estava torcendo para algo diferente dessa vez, charlie?â pausa. âclaro, achei que talvez os cabelos pudessem vir verdes.â os gĂȘmeos, com seus trĂȘs anos de idade, fizeram pequenos barulhos de concordĂąncia, como se aquilo fosse perfeitamente plausĂvel. mas molly e arthur nĂŁo estavam ouvindo. olhavam apenas para o pacotinho embrulhado em uma manta marrom-tijolo, tricotada com cuidado e pressa, compartilhando dois sorrisos largos, silenciosos, cĂșmplices. âbill, charlie, percy, fred and george... meet ronald.â e, ao contrĂĄrio do que charlie havia previsto, tudo o que ronald weasley sentiu em seus primeiros segundos no mundo foi calor â calor e pertencimento. lĂĄ fora, curiosamente, a tempestade havia passado.
ronald weasley cresceu como o filho homem mais novo de uma famĂlia que parecia sempre um passo Ă frente dele, aprendendo cedo a falar mais alto para ser ouvido, a correr mais rĂĄpido para nĂŁo ser deixado para trĂĄs e a retrucar antes que zombassem â mesmo quando a piada ainda nem tinha sido feita. era cabeça-dura, orgulhoso e teimoso num nĂvel quase admirĂĄvel, mas havia algo mais ali, uma linha invisĂvel de lealdade que ele nunca cruzava. ron tinha seus ideais bem definidos e nĂŁo hesitava em defendĂȘ-los, mesmo quando a voz falhava no meio do caminho â porque falhava. a verdade Ă© que a coragem de ron raramente vinha sem companhia: ansiedade, comparação, aquela sensação constante de estar chegando depois. quadribol? charlie foi a estrela. monitoria? percy e bill jĂĄ tinham levado tudo â inclusive os distintivos. popularidade? fred e george transformavam isso em espetĂĄculo diĂĄrio. e entĂŁo sobrava aquela pergunta, silenciosa e irritante: o que restava para ronald weasley ser?
nĂŁo era preciso bola de cristal â nem mesmo sobreviver Ă s aulas de adivinhação â para perceber que as situaçÔes que viveu, quase sempre ao lado de dois certos amigos, nĂŁo eram coincidĂȘncia. eram ensaio, preparação, um aviso. tic-tac. Ă s vezes o som vinha como um eco dentro da prĂłpria cabeça, no ritmo do coração, insistente. a situação atual nĂŁo era boa â ron sabia disso, sentia nos ossos, nos mĂșsculos tensionados do punho, nos olhares atravessados e nas frases que pareciam simples, mas nĂŁo eram. tic-tac. aquele que nao deve ser nomeado estava de volta. e, com absoluta certeza, nĂŁo parecia ser algo que ele pudesse resolver com uma resposta atravessada ou uma jogada de xadrez. tic-tac.
mas ronald weasley nĂŁo estava fugindo. entre treinos de feitiços mal executados e discussĂ”es de situaçÔes nas quais ele se veria, com certeza, mais perto da morte do que gostaria. ele finalmente entendeu algo que nenhum dos seus irmĂŁos poderia ter conquistado por ele: ele nĂŁo precisava ser o melhor, nĂŁo precisava ser o primeiro, nĂŁo precisava ser ninguĂ©m alĂ©m de quem ficava, quem lutava, quem nĂŁo soltava. amigos pelos quais valia a pena se colocar entre o perigo e eles, uma famĂlia que valia cada briga, cada comparação, cada sombra â isso era suficiente, mais do que suficiente, era motivo. e ronald weasley defenderia isso do Ășnico jeito que sabia: com teimosia, com coragem, com unhas e dentes â e, se fosse preciso, com a prĂłpria vida.
personalidade:
ronald weasley nĂŁo Ă©, e nunca foi, o tipo de pessoa que entra em um ambiente e imediatamente chama atenção e, por muito tempo, isso o incomodou mais do que ele gostaria de admitir. existe nele um certo ruĂdo constante, uma comparação automĂĄtica com tudo e todos ao redor, como se estivesse sempre medindo o prĂłprio valor em relação a alguĂ©m que chegou primeiro, fez melhor ou simplesmente pareceu mais seguro. esse pensamento nĂŁo o paralisa, mas o acompanha, silencioso, influenciando suas reaçÔes, suas inseguranças e, principalmente, sua necessidade de provar â para os outros e para si mesmo â que ele Ă© mais do que âo sexto weasleyâ. ainda assim, reduzir ron a essa insegurança seria um erro. porque, quando se trata de quem ele ama, ronald weasley Ă© absurdamente seguro.
lealdade, no caso dele, nĂŁo Ă© uma qualidade â Ă© quase um instinto. ron Ă© o tipo de pessoa que defende, que compra briga mesmo quando nĂŁo deveria, mesmo quando nĂŁo Ă© a escolha mais inteligente. ele pode atĂ© reclamar, pode resmungar, pode fazer comentĂĄrios atravessados ou agir como se nĂŁo estivesse tĂŁo envolvido assim, mas no momento em que algo ameaça quem ele considera seu, nĂŁo existe hesitação. nĂŁo existe cĂĄlculo. sĂł ação.
ron sente tudo com intensidade, mas nem sempre sabe traduzir isso em palavras. frustração vira irritação. ciĂșme vira silĂȘncio ou ironia. medo vira teimosia. ele nĂŁo Ă© particularmente bom em vulnerabilidade explĂcita, entĂŁo tende a mascarar sentimentos mais delicados com humor, sarcasmo ou atĂ© pequenas provocaçÔes. isso pode fazĂȘ-lo parecer insensĂvel em alguns momentos, quando, na verdade, ele sĂł nĂŁo sabe exatamente como dizer âisso me afetouâ.
existe tambĂ©m em ron um senso de justiça muito prĂłprio â menos teĂłrico e mais visceral. ele nĂŁo precisa de regras escritas para entender quando algo estĂĄ errado, e dificilmente vai ignorar isso. nĂŁo Ă© alguĂ©m estrategicamente frio mas tambĂ©m nĂŁo Ă© ingĂȘnuo: ele aprende rĂĄpido, observa mais do que aparenta e, quando necessĂĄrio, consegue ser surpreendentemente perspicaz, principalmente em situaçÔes de pressĂŁo. o xadrez nĂŁo Ă© coincidĂȘncia â ron pensa, muito.
socialmente, ron Ă© alguĂ©m fĂĄcil de se aproximar, ainda que nĂŁo perceba isso. existe uma naturalidade no jeito dele, um humor quase involuntĂĄrio que torna as interaçÔes leves, mesmo quando ele nĂŁo estĂĄ tentando. ele gosta de companhia, gosta de pertencer, gosta de fazer parte de algo maior â e talvez seja justamente isso que mais o define. no fundo, ronald weasley Ă© alguĂ©m que ama de forma inteira, protege de forma feroz e sente de forma desorganizada. alguĂ©m que pode duvidar de si mesmo em silĂȘncio, mas que nunca duvida das pessoas que escolheu chamar de suas.

















