Que tal uma última foto em Vegas…?
Acho que essa define bastante... Como ficou?
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Como perdeu eles?
Não que seja da sua conta...
Mas deixei em algum lugar do bar em que eu estava.
Perdi meus sapatos, que ótimo...
Sim, é terrível! Orgulho e Preconceito.
Legal porém bem parado... Não é um dos meus favoritos. Acho que tenho ele salvado no meu IPad. Eu te empresto, se quiser.
E se não derrubar café nele também...
Acho que foi uma má ideia tomar café lendo. Acabei derrubando café no meu livro e agora ele está todo manchado!
Isso é, definitivamente, péssimo.
Qual era o livro?

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Kinds of trouble / Chris & Ellie
O súbito da sensação que o invadiu ao por os pés no assoalho desgastado o pegou tão desprevenido quanto o resquício de sorriso que se formou em seus lábios ao percorrer os olhos pelo local não visitado há mais de um ano.
A luxúria conhecida pelos turistas não era nada comparada aquele lugar abandonado pelo pudor e esquecido pelo requinto. Hellgas era terra de ninguém; sem arquétipos, estereótipos, rótulos, classe social, cor e, acima de tudo, sem regras delimitadas.
A fumaça espessa oprimia a visão de uma determinada ala do bar, de onde só se podiam distinguir, no opaco vapor, os embriagantes sorrisos sensuais e o entrelaçar de pernas. Risadas altas ecoavam estridentes, no que Chris costumava classificar como “estilo pirataria”; apostas eram travadas nada discretamente enquanto no canto oposto do estabelecimento podia-se perder nos sussurros clandestinos de contrabandeardes.
Os olhos do rapaz percorriam tudo, ao mesmo tempo em que suas mãos preparavam o cigarro que seria levado á boca em breve. O andar de cima lhe chamou a atenção, havia sido reforçado, provavelmente devido ao incontável número de acidentes provocados naquele mesmo local. Ele buscou por rostos conhecidos – um em especial – e não pôde considerar o esforço totalmente perdido, visto que conseguiu identificar, em meio à tumultuada explosão de identidades, figuras particularmente conhecidas.
No bar, servindo bebidas na copa, Chris reconheceu Molotov; quarentão observador e motoqueiro selvagem – havia sido agraciado com aquele apelido devido à função exercida, ironicamente combinada com a peculiaridade de seu temperamento. Entretanto, a veracidade das histórias contadas sobre ele jamais transparecia durante seu expediente, pelo menos não enquanto Chris esteve em sua presença. O homem limitava-se a observar e trocar palavras com quem conhecesse o suficiente, características admiradas e dotadas por Elwin, que simpatizava muito com o barman.
Subitamente, uma voz ribombou e percorreu cada centímetro do bar, soando estrondosa e imponente como de costume. Um sorriso se formou em torno do cigarro preso a boca de Chris ao reconhecer o cinquentão, nanico e gorducho, de cabelos pretos caindo desgrenhadamente até o meio das costas, cobrindo sua camiseta do Black Sabbath. Logo, todo o bar divertia-se com a delicadeza usual de suas palavras:
- Quantas vezes vou ser obrigado a repetir, seu cara de fuinha gratinada?! Já mandei passar a chave na maldita porta daquele maldito quarto, não quero ninguém trocando gentilezas no meu lençol favorito! Se eu vir mais alguém passando por aquela porta, eu mesmo cuidarei para que você e os malditos fanfarrões sejam pendurados pelas partes do lado de fora do meu bar, para servir de exemplo para qualquer um que ousar tentar me desobedecer de novo, estamos entendidos? – esbravejou o homem, gesticulando e cuspindo em direção a um jovem rapaz, conhecido de vista por Chris, que se encontrava no andar de cima e correra pálido no intuito de esvaziar o quarto.
Decidindo ir até Angel – dono de sermões lendários, brigas históricas e do estabelecimento – Chris começou a partir em direção a copa, contudo, mal completou dois passos e seu caminho foi obstruído por um belo obstáculo; a loira de olhos escuros, embriagantes e experientes, o observou de cima a baixo com as mãos nos quadris e um sorriso provocante:
– Posso ajuda-lo em alguma coisa, querido? – a pergunta aparentemente despretensiosa conseguia se tornar sensualmente insinuante quando proferida pelos lábios espessos da loira; Chris reparou neles enquanto reconhecia seu rosto mais uma vez. Tratava-se de Lacey, uma das prostitutas mais requisitadas daquela região, e amiga de longa data de Dakota.
– Não, Lacey, obrigado – respondeu Chris, ainda concentrado na figura pouco judiada pelo tempo, demorando-se em seus lábios. O rapaz retirou o cigarro da boca e soltou a fumaça de lado, os olhos ainda permaneciam fixos e semicerrados nos de Lacey, que franzia o cenho buscando reconhecer o rosto estranhamente familiar. Mas, antes que ela pudesse descobrir, com um último sorriso lateral e uma mais uma olhada discreta, Chris afastou-se em direção ao bar.
A loira permanecia com os olhos no rapaz, rastreando seus movimentos, e com um sorriso travesso virou-se de costas, rebolando até a porta e engalfinhando-se na noite. Enquanto isso, o garoto acomodava-se em um dos bancos velhos e bambos, apoiando os dois antebraços sob a copa do bar, onde podia assistir um Angel mal- humorado ralhando com um auxiliar de Molotov. Chris soltou uma breve risada, esperando o sermão acabar, e escolhendo suas próprias palavras para provocar o velho amigo:
– Finalmente você mandou fechar aquele maldito quarto e reforçar o andaime de cima, afinal, o bar tem uma reputação pela qual zelar, não é? – As palavras foram meticulosamente escolhidas pelo loiro, e ele sabia exatamente como reagiria o homem.
Assim como havia imaginado, Chris assistiu Angel paralisar e cerrar os punhos, ainda virado de costas para onde o rapaz se encontrava; seu bar poderia ser um antro mal encarado, mas somente ele, como dono, poderia tirar uma conclusão como aquela:
– Preste bem atenção no que vou te dizer, seu… – O punho já estava na altura de sua barriga rechonchuda quando Angel virou-se para o insolente, porém seus movimentos foram abruptamente frustrados pelo reconhecimento do enunciador. Os pequeninos olhos azuis do cinquentão se arregalaram enquanto ele encarava a face resignada de Chris, finalmente reconhecendo –o.
– Langdon? Langdon é você, rapaz? – perguntou o homem, comprimindo os olhos para ter certeza.
– Mais jovem e bonito. – respondeu o loiro, assentindo com um maneio de cabeça e um sorriso sucinto.
– Mas é claro que é você! – Angel bateu a mão direita espalmada no balcão, abrindo um sorriso estupefato e soltando uma gargalhada trovejante logo em seguida – Você escutou Molotov? Nosso garoto está de volta, Langdon está aqui! Um whisky duplo para o garoto!
Chris estendeu a mão para cumprimentar Angel, mas este a ignorou, fazendo um gesto brusco e encaminhando-se para uma portinhola que dava para a área externa. Enquanto o outro terminava o trajeto, Molotov desatou a andar até Chris e lhe estender a mão com um sorriso largo e sincero.
– Como vai, garoto? – Chris correspondeu o aperto de mão e retribuiu o sorriso do amigo, algo raro em seu repertório – É bom que esteja de volta. – o quarentão deu dois tapinhas leves nas costas do loiro, que por sua vez repetiu o gesto.
Mal havia terminado de responder a pergunta do barman e Chris foi repentinamente preso em um abraço – nada delicado, diga-se de passagem – sentindo tapinhas consideravelmente mais bruscos em suas costas.
– Ah, seu moleque atrevido, fale assim comigo de novo e eu farei você engolir esse cigarro pelo lado errado! – afirmou Angel, mas seu tom de voz não carregava uma só gota de ressentimento, muito menos chegava a ser ameaçador. Chris soltou uma breve risada e fez uma careta pela demonstração de afeto, com a qual ele não estava nada acostumado. – Onde é que você se meteu seu moleque? – perguntou o homem, mas não esperou por uma resposta – Se enfiou em algum bordel mal acabado e decidiu desaparecer do mapa, não é? Seu ingrato, o procuramos por toda a parte! Dakota também não da às caras por aqui há um bom tempo!
– Você sabe que não teria ido embora se tivesse escolha, Angel – assentiu Chris, com sinceridade, batendo duas vezes no ombro do velho amigo – A idade está te deixando dramático, cabeleira? Nenhum outro bordel mal acabado substituiria o meu bordel mal acabado favorito – sorriu lateralmente, percorrendo o perímetro do bar com os olhos, e Angel soube; o garoto que conhecia como Langdon, estava feliz em estar de volta. – Pois ela já deve estar pintando por ai, hoje terá duplo trabalho com as bebidas.
Depois de inúmeras perguntas – estas respondidas com meias palavras pelo rapaz– Angel levou-o para conhecer as reformas e os avanços do bar, contando divertidas e indiscretas histórias, das quais Chris ria e comentava com um humor nunca visto pelos companheiros de viagem.
– Olhe lá, é o John – apontou Angel, e Chris olhou por cima dos ombros, enquanto sorvia o conteúdo de sua garrafa de J. Wray e Nephew– JOHN! Aqui seu imprestável, venha ver quem deu as caras por aqui! – o rapaz respirou fundo antes de dar mais um interminável gole em sua bebida; se teria de rever John, precisaria de algum incentivo. O loiro nunca simpatizara com o outro, considerando-o um babaca de primeira mão.
Não tardou para que Chris conseguisse identificar a imagem do homem saindo da fumaça concentrada na ala antes descrita; John era um cafetão petulante que investia em jovens moças para aumentar os lucros, neste exato momento tinha duas delas engalfinhadas em seu pescoço. O usual sorriso pretencioso decorava o lado esquerdo de seu rosto, o direito era ocupado por uma fina e longa cicatriz feita, provavelmente, por uma navalha. Ele jamais abandonava a pose de poder, emanando uma influencia sobre a maioria das pessoas. Na opinião de Chris, a única coisa que ele era capaz de despertar era desprezo e nojo.
– Mas olha só quem temos aqui… – o homem alargou o sinistro sorriso, deixando os olhos semicerrarem-se ao encontrarem a figura de Chris – Tragam-me bebida, meus amores– disse, encostando os lábios sob o pescoço da morena á sua esquerda e dando um tapinha no quadril da loira á direita, que soltou uma risadinha e lhe retribuiu um sorriso travesso. Chris arqueou o cenho, resistindo ao impulso de revirar os olhos, e se restringiu a manear a cabeça em resposta, “John”.
– Langdon, Langdon… – O homem foi se aproximando, colocando uma das mãos sob os ombros de Chris, que fez uma careta nada discreta. – Deu uma canseira no velho Angel aqui, sumiu – semicerrou os olhos – Como é que vão você e Dakota? Ainda zerado, ou já conseguiu avançar o sinal, huh? – arqueou o cenho, arregalando os olhos de forma doentia.
Chris o fitou com puro desprezo, a mandíbula contraindo-se involuntariamente – Não tão zerado quanto sua habilidade em ser agradável, mas… – comprimiu os olhos, sorrindo cinicamente. John, por sua vez, trocou o peso de uma perna para outra, e fitou os olhos do garoto ameaçadoramente; uma tensão pairou sob o ar, tornando-o espesso ao emanar tal energia, contudo, o homem desatou a rir, batendo mais duas vezes nas costas do garoto e finalizando com uma simples afirmação duvidosa, “Ah, Langdon, sentimos sua falta”. O loiro apenas assentiu com um sorriso amarelo, tornando a voltar-se para a copa do bar e retomar a conversa com Molotov.
Passados mais dez minutos, Chris começou a ficar impaciente; Dakota já deveria estar ali há mais de uma hora. Ele esforçava-se ao máximo para prestar atenção no que dizia Angel, mas de tempos em tempos checava o celular no intuito de conseguir noticias da amiga.
“Você está atrasada, Reeves, se perdeu no caminho é?”
Mais dez minutos e nenhuma noticia de Dakota. Chris começou a remexer-se inquieto, e sua garrafa esvaziou-se mais rapidamente nos últimos instantes, assim como seu maço de cigarros. Isso era típico de Dakota, pensou Chris; mudar os planos, assim de supetão, sem preocupar-se em avisar sobre a decisão. Isso o tirava do sério de uma maneira perigosa, aproximando-o de sensações destruidoras. Estava decidido; se a loira não aparecesse em vinte minutos ele iria embora, e não a pouparia de um sermão definitivo.
O rapaz remexeu-se no banco novamente, e com as costas ainda debruçadas sob os antebraços, ele olhou por cima do ombro e pode ver a porta de entrada abrindo passagem para Lacey, a prostituta, que trazia alguém consigo para dentro do bar.
Quando uma cascata de cabelos ruivos chamou sua atenção, caindo sob a postura ereta cambaleando, quase imperceptivelmente, Chris cogitou a possibilidade de os efeitos do álcool estarem, finalmente, fazendo-se presentes. Aquela visão seria, no mínimo, impensada. Comprimindo os olhos, em busca de uma imagem mais nítida, descobriu a pupila azul de Ellie Warrington.
Houve um momento tenso entre a identificação da presença de alguém inesperado em um lugar totalmente improvável, e a percepção de que aquilo traria consequências inimagináveis.
O loiro ainda observava a entrada da garota no bar, acompanhada e guiada de uma prostituta chamada Lacey. Algo estava terminantemente errado naquela situação, e Chris simplesmente era incapaz de acreditar na sua incrível falta de sorte.
Vejamos: a única companhia esperada para a noite era a de Dakota – que aparentemente resolvera não aparecer, sem aviso prévio– e de seus antigos parceiros de festas; conhecidos nunca representam algo promissor, pelo menos não para Elwin; mesmo ouvindo inúmeras histórias, no mínimo impressionantes, sobre o peculiar gosto de Warrington para a escolha de destinos de entretenimento, Chris não julgava Hellgas apropriado para quem não estivesse devidamente preparado psicologicamente.
Aquilo não era um bom sinal, não precisava ser nenhum gênio para adivinhar. Revirando os olhos e tomando mais um longo gole de sua bebida, empenhou-se na missão de voltar á prestar atenção na apresentação da negra esplendidamente sensual que se apresentava no palco central, verificando casualmente a caixa de mensagens de seu celular. Contudo, não havia mensagem alguma, bem como não havia tranquilidade, despreocupação e muito menos desinteresse em seus olhos, que mal podiam deixar de observar a cena que se desenrolava a sua frente – diferente do que aconteceria em outras circunstancias.
Ele podia simplesmente permanecer desfrutando do bar por mais algumas horas, sem nenhum vinculo a ser travado, visto que este era seu comportamento usual. Entretanto, ele conhecia aquele lugar mais do que conhecia sua própria casa; conhecia os hábitos, os defeitos, as qualidades, e principalmente as atrocidades praticadas por cada freguês. E também conhecia Ellie Warrington. Alguma chance de aquilo tornar-se ainda pior?
“John, eu trouxe um presentinho para você” a voz emoldurada de Lacey anunciou em alto e bom som, fazendo com que o rapaz dirigisse seu olhar até John; ele sorria de uma maneira potencialmente asquerosa, analisando Ellie de todas as maneiras que seus olhos puderam encontrar. Chris associou, imediatamente, a pronunciação, a enunciadora e a circunstância, descobrindo assim a resposta verbalizada de seu último pensamento.
Levou a mão direita ao rosto, passando, respectivamente, o polegar e o indicador pelos olhos, enquanto declamava suas próprias conclusões internas.
“Eu definitivamente devo ser a célula cancerígena da humanidade”. Com mais um gole seguramente exagerado, o rapaz levantou-se e fez seus passos até Lacey, no intuito de dar fim á missão desmiolada, e quem sabe desfazer a burrada de Warrington, asseguradamente bêbada, antes que aquilo ficasse ainda pior para ele.
Da maneira mais despreocupada possível, fingindo procurar seu maço de cigarros no bolso interno da jaqueta, Chris interrompeu o caminho da prostituta, postergando, assim, o caminho de Ellie até John. Um sorriso sedutor – pelo menos a tentativa de um, já que os resquícios de ironia e sarcasmo relutavam em deixar sua expressão – crisparam-se no rosto de Chris, que colocando um cigarro na boca, observou Lacey fixamente:
“Lacey – semicerrou os olhos para a loira, apenas desviando- os quando procuraram as pupilas azuis da ruiva ás suas costas; o rapaz não sabia dizer se Ellie ainda estava sóbria o suficiente para corresponder seu sinal de alerta –continua não se lembrando de mim?”
Questionar-se internamente sobre o que Chris Elwin fazia ali, fora a primeira coisa que Ellie Warrington fizera ao pôr seus olhos no garoto. A segunda fora voltar seu olhar para o denominado John.
De pele clara e cabelos escuros como a noite, o homem era incrivelmente atraente; nem mesmo suas marcas de expressão e a peculiar cicatriz cravada na lateral de seu rosto tiravam-no isto. Seu charme - claramente constituído de sorrisos brilhantes e olhares penetrantes - formava uma atmosfera de pura ansiedade, fazendo a população feminina ávida por descobrir um pouco mais sobre o galante John. Ellie compartilhava deste sentimento. Oh sim, ela podia sentir aquilo.
Só não da forma como as outras.
A ruiva podia sentir um perigo a quilômetros de distância - afinal, era por ele que ela procurava e almejava como um gato caça um rato - e John fazia seu radar apitar escandalosamente. Entretanto, o sinal captado não era aquele que a garota estava acostumada; era sujo, corrosivo e letal. Warrington sabia que não deveria segui-lo.
Tomada pela linha de pensamento que dominava sua mente embriagada, Ellie mal percebeu a aproximação de Chris, sendo obrigada a encarar seus olhos com curiosidade quando o fez. Curiosidade esta que não era recíproca nas orbes castanhas. Oh não. Estas, por sua vez, indicavam um aviso. E então um "clique" ressoou na racionalidade prejudicada pela bebida da garota, fazendo-a ligar os pontos: sim, Lacey, a loira que a levara para o lugar, era uma prostituta; sim, ela estava num bordel; sim, Ellie Warrington estava sendo oferecida para a prostituição.
A de olhos azuis só pôde, então, rir - a bebida agindo de escudo contra o medo que ela, sem dúvida alguma, sentia. Quem diabos podia ser mais azarado que ela?
Com sorte, ninguém além de Elwin pareceu notar; a loira iniciava sua resposta, após um longo momento em silêncio.
"Oh, céus! Langdon, docinho, você cresceu..." Ellie não precisava enxergar o rosto da mulher para saber o quão pervertida aquela frase poderia se tornar, se interpretada da forma correta; a voz sensual e arrastada, acompanhada por um tom inconfundível, deixava tudo bem claro. Por isso este não foi o motivo pelo qual a ruiva ergueu uma sobrancelha, claramente confusa, enquanto cruzava seus braços sob os seios e observava atentamente o loiro.
Langdon, obviamente, não era o nome dele e a possibilidade do garoto ter este como o seu do meio era, no mínimo, improvável. Tão improvável quanto ter um apelido como este, considerando que seria o mesmo que chamar uma Rosalie de Juliett.
Suas considerações, no entanto, foram atrapalhadas pela presença que, sorrateiramente, materializou-se ao seu lado.
As ações de John eram, de fato, algo a se ansiar. Não necessariamente no sentido bom. O sorriso satisfeito do homem brilhava em direção a face de Ellie, a qual ele observava, com luxúria, de frente. A ruiva, por sua vez, apenas o observava impassível, olhando um centímetro acima da linha reta de seu olhar, desviada para que ela encarasse os olhos tão negros quanto os cabelos, enquanto o dono destes colocava uma mecha dos fios vermelhos atrás da orelha da adolescente em sua frente com uma de suas mãos calejadas, pousando esta na bochecha corada dela, acariciando-a com seus dedos de forma possessiva.
"Qual o seu nome, meu anjo?" soprou com a voz suave, arrastada e envolvente, fitando intensamente os olhos azuis.
– Summer Rain – pronunciou sem emoção alguma na voz, o corpo estático, revelando o nome cômico gravado em sua identidade falsa. John parecia concordar com o adjetivo, pois riu de forma rouca, fazendo Ellie agradecer por seguir a pista do nome falso que Elwin carregava: se, mesmo com conhecidos no local, ele não revelava quem realmente era, algo dizia à ruiva que não era seguro fazer o oposto.
"Muito criativo." acenou com a cabeça, sorrindo de lado, dando a oportunidade para Ellie analisar cada traço de podridão em sua personalidade através de poucas palavras, deixando a garota potencialmente enjoada. Mas ela sabia que não podia se opor; não seria burra a este ponto. "Me diga, Summer, de onde você é?"
– Houston, Texas. – mentiu, ainda encarando os olhos cheios de malícia que absorviam cada parte de seu corpo, agora com a face marcada por um sorriso sacana.
Ao final de sua análise, John desceu sua mão da bochecha para o pescoço da garota, pousando a livre na cintura desta após soltar um riso breve e satisfeito.
"As texanas são as melhores... Mas, apesar de seu corpo dizer o contrário, seu rostinho te entrega, meu anjo; você ainda é um bebê. Mas, como gosto de provar minhas meninas novatas, te ensinarei algumas coisas no processo..." simplesmente disse, finalizando com o sorriso mais sujo que Ellie já vira, apertando levemente a cintura desta e puxando-a para si.
– Você disse... bebê? – os olhos semicerrados e a frase dita num volume perigosamente baixo, indicavam que a afronta maior passou longe de ser o comunicado de que o homem a levaria para cama.
O azul claro brilhava intensamente, como se tivesse transformado-se em lava tonalizada. A boca rosada crispava-se como um plano rugoso. O cenho fechava-se como um céu nublado. E as mãos, anteriormente estáticas, empurraram o mais velho para longe.
Não havia nada que a tirasse tanto do sério como alguém subestimando-a. Era simplesmente insuportável para ela; como se pisassem em sua jaqueta favorita. De fato, o ato precisava ser encarado como muito sério pela ruiva para esta chegar a este ponto, considerando sua capacidade de não se importar com a opinião alheia. Mas aquilo fora a gota d'água: ela estava bêbada, num bordel, atualmente estressada, com um cara nojento querendo que ela fosse uma de suas putas e ainda era chamada de "bebê". Oh não, isto com certeza Ellie Warrington não era há muito tempo. E ela mostraria isso a ele.
Na verdade, mostraria a todos eles.
A apresentação no palco havia acabado, fazendo deste o lugar mais iluminado e vazio daquele bar; consequentemente, o objetivo de Warrington naquele momento. E não tardou para que ela o alcançasse. Mesmo com o álcool correndo em seu sangue, Ellie subiu no local de shows sem muito esforço, sendo recebida por olhares curiosos e cobiçosos de sua platéia que já aclamava por sua apresentação. Dessa forma, a ruiva caminhou até o "DJ" localizado no fim do palco, sussurrando algo em seu ouvido.
Parada no meio do palco, os polegares de unhas vermelhas encaixaram-se firmemente nos passadores da calça preta. As pernas mantidas um pouco abertas e a cabeça baixa - fazendo com que longas madeixas ruivas caíssem para frente, - finalizavam a pose para o início da música, o qual Ellie esperou por pouquíssimo tempo.
.
Não faço o tipo que dá PT em lugares… Públicos.
Então sugiro que você vá tomar essa coisinha linda no seu quarto.
Talvez.
Tudo bem, então. Não vou atrapalhar esse momento raro.
Divirta-se. Só cuidado pra não dar PT no balcão do bar.
Porque a vida é curta demais para não tomá-lo.
O que? A rainha dos frustrados de Wilmmend se rebelando? É isso mesmo?

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Parou com a palhaçada, Warrington! Eu consigo sim, só que… É, eu não consigo.
Sendo assim, você está segurando o drink mais forte de Las Vegas por...
Tenho.
Devil's water?
Vamos lá, você nem consegue virar uma dose de whisky sem fazer careta, Thompson.
Tem certeza que você quer beber isso?
This is how an angel dies I blame it on my own sick pride Blame it on my A.D.D. Baby Sail!
Vegas com toda a certeza é um ótimo primeiro destino. Poderia passar anos aqui.
Acho que uma vida ainda não seria o suficiente.

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Sempre achei que encher a cara era pra idiotas. Então, tecnicamente, não.
E é comum você mudar de opinião tão rápido assim?
Simples? Tudo bem, simples. Vegas é só diversão e eu aqui me preocupando com difícil e simples. Você tem razão, é tudo extremamente simples. Quer ir a algum lugar comigo? Estou disposta a ficar bêbada pela primeira vez se você me acompanhar. Quer vir?
Hã... Acho que você deveria respirar no intervalo entre as frases. Mas assim, só uma dica.
Bom... Tudo bem, eu acho. Desde que isso aconteça no bar do hotel, onde eu não precise te arrastar por um caminho muito longo... E, cara... Você nunca tomou um porre?