alcidamo:
“Por favor” praticamente cuspiu as palavras, não contendo o desgosto em seu rosto, “não me compare com as ovelhas”, foi tudo o que retrucou, sem querer prologar o assunto da morta. Alina já tomara seu tempo demais enquanto viva e ele não pretendia que ela o fizesse enquanto morta. Com uma risadinha, acenou para ela, indicando que concordava com ela. Muito bem. Se era assim que Phys queria jogar, o italiano faria parte. Erguendo uma sobrancelha, ouviu-a, bebendo das suas palavras com atenção, “não sei se seria de muita ajuda” respondeu, após alguns momentos em silêncio, não sabendo se deveria baixar sua guarda. No entanto, concluiu que ela estava embriagada o suficiente para ou não lembrar disso, ou tomar suas palavras como em vão, “não consigo nem mesmo me ajudar, quem dirá outra pessoa”. Descartando a bituca, finalmente levantou-se, espreguiçando-se lentamente, tentando descarregar a recém-encontrada tensão dos ombros, “o problema em aceitá-los,” com um cuidado surpreendente, levantou-a pela cintura, oferecendo-a estabilidade, “é que você pode acabar tornando-se um deles, até que você não sabe mais onde eles terminam e você começa… E você não deveria andar entre demônios, Phys”, a última parte foi adicionada como um segundo pensamento, atrasada. Surpreso consigo mesmo, Logan percebeu que estava preocupado com a outra. “Vamos, eu te levo de volta”.
Ela riu porque, bem, não havia o que mais deveria ser feito a partir daqueles dizeres dele e além disso, era bom achar alguém com o pensamento minimamente parecido com o dela. Esperava que ela e Logan estivessem falando sobre a mesma vadia e sobre as mesas ovelhas. "Tudo bem, não te compararei a eles. Pelo jeito nunca foi mesmo do tipo de ovelhinha fiel e cega." Porque para ela era tão claro como um dia de verão, ou tão claro quanto um dia de verão na Suíça poderia ser, como Alina não tinha potencial nenhum para ser tamanha líder, ou para potencial para qualquer coisa. Talvez ela não devesse estar ali, compartilhando seus segredos mais bem guardados com alguém que não conhecia muito bem. Talvez fosse até preferível que fosse com um completo desconhecido do que com um meio conhecido. Ainda assim, parecia quase libertador poder finalmente exprimir sua opinião, ainda que entrelinhas, sobre o ocorrido e a morta. "Digo por experiência própria, somos bem melhores lidando com os outros do que conosco. Sabemos todos os pontos em que fracassamos ou que nos doem, isso nos impede de que nossos próprios conselhos surtam efeitos em nós." A frase longa precisou ser interrompida por um soluço ou outro, sua embriaguez ainda era óbvia, mas mesmo assim sentia orgulho de continuar minimamente inteligente. "Acho meio tarde demais para isso... conheci meu primeiro demônio antes mesmo de nascer..." Colocou a mão na dele, como se aquilo a ajudasse a se levantar mas de fato conseguiu sem tombar para o lado. "Depois, meu segundo demônio apareceu quando ainda era muito nova para saber como me virar..." Deixou sua mão no ombro dele, tentando manter o mínimo de dignidade. "Mas não sei se nenhum será tão terrível quanto ela." Finalizou, testando seus passos para começarem a andar. "Acho que talvez tenha razão. Me deitar agora parece um pensamento delicioso, mesmo que meus sonhos provavelmente serão recheados dos meus demônios."















