Cinco Cidades Históricas de Minas Gerais
por Eduardo Alves e Luís Jerimias
Mariana, Ouro Preto, Congonhas, Tiradentes e São João Del Rei são paradas obrigatórias no roteiro pela Estrada Real.
Viajar por Minas Gerais e suas cidades históricas é transitar entre passado e presente a cada mudança de paisagem. Ao virar a esquina, você encontra igrejas e casarões centenários repletos de histórias em suas paredes, em forma de artes emolduradas em ouro, uma herança colonial. Além disso, algumas casas, museus com tecnologia e interação, conquistam turistas de todas as idades e os fazem mergulhar na história da arte sacra pela região.
Nossa viagem começou na capital de Minas Gerias, Belo Horizonte. Resolvemos ir de avião e alugar um carro lá. O tempo de estrada entre São Paulo e BH não nos animou: são quase 600 Km em pouco mais de 6 horas. É possível encarar a estrada se estiver com tempo (e disposição).
Antes de botar o pé na estrada rumo à Mariana, nossa primeira parada, passamos 3 dias em BH, um deles, dedicado à Inhotim, em Brumadinho mas, neste post, vamos focar em nosso roteiro turístico pelas cidades históricas: Mariana, Ouro Preto, Congonhas, Tiradentes e São João Del Rei. O VoyaJu já falou de Inhotim neste post, caso queira conferir.
MARIANA: UM PASSEIO PELO BRASIL COLÔNIA
Se você, assim como a gente, decidir sair de BH, siga pela BR 356, sentido Rio de Janeiro. Você vai dirigir por cerca de 20 km até o trevo do Alphaville, quando encontrará a saída para Mariana. A partir deste ponto, basta seguir em frente. As estradas não são ruins, mas quase todas são de mão dupla, repletas de curvas, subidas e descidas, o que exige bastante atenção.
Chegamos em Mariana no começo da tarde da Sexta-feira Santa com a previsão de passarmos 2 dias naquela que foi a primeira capital mineira. Entramos no município e vimos muitas ruas fechadas ou com faixas marcando o local em que, mais tarde, passaria a procissão. É extremamente tocante ver a fé da população diante desse evento e como idosos e jovens seguem o ‘corpo’ de cristo, em silêncio, pela cidade. Mariana possui várias Ermidas que são abertas apenas durante a quaresma e fecham novamente no domingo de Páscoa. Tornam-se, então, obras de arte que só podem ser vistas nessa época do ano.
Nossa pousada, a Rainha dos Anjos, fica localizada ao lado da Igreja de Nossa Senhora Rainha dos Anjos que, segundo o Sr. Heitor, um fiel frequentador das missas naquele local, foi construída por negros que conseguiram deixar a escravidão e empenharam seu dinheiro neste templo.
Descendo alguns quarteirões, chegamos nas igrejas de São Francisco de Assis (em restauro), que fica de frente para a Casa de Câmara e Cadeia, e na de Nossa Senhora do Carmo. Diante desses três monumentos, um antigo pelourinho. Dizem que foi o único que restou em toda Minas Gerais. A Igreja da Sé, uma das principais da cidade (foto abaixo), também está em reforma. Ninguém soube precisar quando será entregue.
O melhor almoço na região foi no Ranchão, que fica na praça Dr. Gomes Freire. Por ali, você encontra mais restaurantes, além de sorveteria, cafeteria e até açaí. O centro comercial mesmo, onde você vai ver muitos moradores, está situado depois do rio, na Avenida Getúlio Vargas. Por ali, você encontra bancos e outras lojas também.
É possível ver a cidade em um dia. Com isso, aproveitamos para ir até a Cachoeira do Brumado, que fica bem próxima de Mariana. Ali você encontra toda a infraestrutura necessária, diante da cachoeira. Se for no verão, dá até para mergulhar. Em outras estações, é preciso coragem para enfrentá-la.
Imperdível: a Igreja de São Pedro dos Clérigos é uma das mais bonitas da cidade. Ela fica no ponto mais alto, portanto, ali está também uma das melhores vistas, vale visitar. Também tire pelo menos meio período para andar pela cidade e ver sua arquitetura. O Período Colonial do Brasil pode ser reconhecido em praticamente todas as casas e prédios. Você pode ver o mapa de Mariana aqui.
OURO PRETO: UMA JOIA MINEIRA
Como nossa viagem aconteceu no feriado da Páscoa, quando chegamos em Ouro Preto, no começo da tarde, ainda era possível ver restos das serragens entre as pedras do chão, que formaram os famosos tapetes que colorem a procissão da ressurreição de Cristo na cidade do ouro. Fomos recebidos pelo Jorge, um argentino muito simpático e acolhedor, dono da Pousada São Francisco de Paula. O espaço é cercado de verde, fica muito próximo da rodoviária (para quem pensa em ir de ônibus) e tem vista panorâmica para o centro da cidade (foto abaixo)
Se você optar por se hospedar com o Jorge, siga o roteiro que ele lhe disser, que vai te ajudar a evitar uma porção de ladeiras as quais até Deus duvida que seja possível subir. Nós ouvimos. A cidade fica numa espécie de vale. O segredo é caminhar feito um espiral, de fora para dentro.
Ouro Preto tem muita coisa legal para ver e fazer. Percorremos todas as igrejas e capelas presentes na cidade (18, no total). Entre elas, destacamos a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos: por fora, formas arredondadas destoam das demais igrejas pela região (foto abaixo). Dentro, há altares dedicados aos santos negros e pouca ostentação de ouro.
A Igreja São Francisco de Assis também merece especial atenção: ela foi declarada uma das sete maravilhas de origem portuguesa no mundo. Aleijadinho foi quem a projetou. O forro da Nave, que cria a ilusão de que o teto segue para o infinito, é lindo e levou uma década para ficar pronto.
O Museu da Inconfidência, que está instalado no prédio da antiga Casa de Câmara e Cadeia, é uma parada obrigatória. Ali estão os restos mortais dos inconfidentes; as traves de madeira da forca de Tiradentes e o livro original com a declaração de sua condenação.
A Casa da Ópera também é um ótimo lugar para ir visitar (durante o dia) ou assistir um espetáculo. O pequeno teatro, considerado o mais antigo do Brasil, segue em funcionamento e com peças ótimas em cartaz.
Ao lado da Igreja Nossa Senhora do Carmo (foto abaixo), fica o Museu do Oratório. O local guarda mais de 160 oratórios do século XVII ao XX e despertam a curiosidade pela diversidade de modelos e formatos.
Entre uma ladeira e outra, se quiser descansar, recomendamos a Cafeteria e Livraria Cultural que, além de ser super charmosa, tem música ao vivo. Agora, se você for fã de café mesmo, vá na Ópera Café. Café coado, quentinho na medida, atendimento bem intimista, num espaço pequeno e aconchegante. Entrou para a lista de lugares nos quais entramos e não queríamos mais sair.
Imperdível: a Feira do Largo da Coimbra, em frente à Igreja. Nunca tínhamos visto peças tão lindas esculpidas em pedra. Em Ouro Preto, usa-se pedra-sabão, que é algo muito fácil de encontrar na região. E se você gosta de jóias, prepare-se para ver várias peças lindas e únicas. A região central de Ouro Preto têm várias lojas com preços bem melhores do que São Paulo. Também repasso a dica que recebi de uma amiga querida mineira: jante no Bené da Flauta, que está instalado onde morou Mestre Athaíde, famoso pintor barroco mineiro. A vista é ótima e a comida acompanha.
E mais: optamos por não fazer o passeio de Maria-Fumaça, mas só ouvi elogios. Se estiver com tempo, vale conferir.
O CLIMA SOFISTICADO DE TIRADENTES
Tiradentes carrega um ar de interior sofisticado. Suas casas de arquitetura colonial hoje abrigam lojas típicas, mas também abrem espaço para restaurantes e cafés requintados e jovens. Durante a semana, a cidade fica mais vazia, habitada mesmo por moradores. Entre segunda e quarta, inclusive, muitos comércios não funcionam. Na quinta, pela entrada da cidade vê-se carros chegando e já se espera mais movimento. Em qualquer um dos momentos, Tiradentes não deixa de ser pacata.
Dentre todas as cidades, Tiradentes nos pareceu a mais preservada, seja pela pouca interferência na arquitetura, seja pela restauração de monumentos. As ruas do centro, todas ainda de calçamento de pedra, possuem charretes como parte do cenário, fazendo o transporte turístico.
No Centro Histórico existem muitas lojas de arte, artesanato e móveis em madeira. Também é fácil de encontrar lugares para comprar cachaças, guloseimas e temperos. A melhor maneira de conhecer Tiradentes é ir até o Santuário da Santíssima Trindade, que está em restauro. A caminhada da cidade até lá é arborizada, cheio de casinhas apaixonantes. Depois, siga descendo e passe pela Matriz de Santo Antônio. Talvez tenha sido a igreja com mais características barrocas que vimos até então. Existe muito ouro e prata na Nave, no altar e nas imagens. Impossível não notar o órgão português que fica no alto, próximo a entrada.
Imperdível: o Museu Casa Padre Toledo, não só pela arquitetura do imóvel, que abrigou um inconfidente, mas também pelo seu acervo que, por meio da arte contemporânea, une história a um ambiente que ressalta itens históricos que devemos respeitar e preservar. Passe no Puro Cacau Chocolateria e Cafeteria, coma um dos bombons de fabricação própria, prove o sorvete de manjericão e o de pão de queijo. Não saia de lá sem prosear com o Lucas, o barista.
AS ATRAÇÕES DE CONGONHAS E SÃO JOÃO DEL REI
Passamos em Congonhas no caminho para Tiradentes. A Basílica Senhor Bom Jesus de Matosinhos foi declarada Patrimônio Mundial pela Unesco e é considerada a obra-prima de Aleijadinho em função dos 12 profetas em pedra localizados no pátio da igreja e das capelas que narram a paixão de Cristo. Quase ao lado da igreja, está o Museu de Congonhas. Ele foi inaugurado em 2015. Vale passar por lá para entender a história do Santuário e ver mostras itinerantes.
Em São João Del Rei, ultima parada antes de voltar para Belo Horizonte, fomos surpreendidos com uma cidade muito gostosa e dinâmica que, assim como Ouro Preto, mescla história e contemporaneidade na medida, para os tempos atuais. Visitamos a igreja Nossa Senhora do Rosário, bem central. Dizem que é uma das mais antigas. Ela tem elementos barrocos muito fortes e é muito bonita, por dentro e por fora.
Dali, atravessamos a rua para nos deliciarmos na Taberna D’Omar (foto acima). O restaurante estava fechado, mas o café, que fica ao lado, funciona no almoço e nos recebeu muito bem. É parada obrigatória para relaxar e vivenciar uma experiência que extrapola o paladar e aguça vários sentidos.
Quase todas as igrejas e Museus possuem taxas de entrada… e só aceitam pagamento em dinheiro;
Apenas 15 quilômetros separam Mariana e Ouro Preto pela MG-129. Se você preferir, pode ficar em uma cidade e passear na outra;
Em Mariana e Ouro Preto, igrejas e museus não abrem às segundas;
Muitas construções em Mariana e Ouro Preto foram moradias de personalidades nacionais. Elas estão sinalizadas por placas presas às paredes das casas. Fique atento e leia essas sinalizações;
A região é repleta de cachoeiras. Caso queira ecoturismo, vale a aventura;
Em Tiradentes, o melhor dia para estar é a partir de quinta;
Se utilizar guias, fique atento em comprar o serviço de um profissional credenciado e com identificaçã;
Apesar de não ter ladeiras como Mariana e Ouro Preto, Tiradentes também demanda cuidado na caminhada, pois o piso é bastante irregular. Use tênis.
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Imagens: Eduardo Alves e Luis Jerimias