Diego encarava a outra com um olhar firme, sem julgamentos, sem pena. Sabia que a pena era o pior artifício que poderia usar para qualquer pessoa, mas Naeun principalmente, por estarem tão envolvidos emocionalmente. Quando a pele foi exposta e todas aquelas cicatrizes foram deixadas a mostra, o espanhol podia jurar que sentiu o sangue borbulhar dentro de suas veias, pensando em o quanto aquele clã maldito havia mexido com ela, com sua Naeun. O mago aproximou-se dela, tocando em seu queixo e afastando o cabelo do rosto com a outra mão, admirando a face bonita. — São perfeitas para mim, cariño. Perfeitas como você sempre foi na minha visão e isso não muda nada. Na verdade, eu gosto mais assim. É como se estivesse me permitindo enxergar você por completo pela primeira vez. — Diego disse com um sorriso, acariciando a bochecha marcada com delicadeza. Os lábios dele tocaram a testa de Naeun, deixando ali um singelo toque - inocente como quase nunca trocavam - para transmitir tudo que sentia por ela. — Eu beijaria cada cicatriz para te fazer entender que eu te amo por completo e que essas marcas não te fazem menos bela ou menos você.
Sabia que levaria muito mais tempo para conseguir mostrar a parte do torso, uma vez que havia sido a mais machucada. Mesmo que suas coxas tivessem todo tipo de marca, era em suas costas e seu busto que sua história estava, para sempre, marcada. Com a mão de Diego tão próxima do rosto, quase em reflexo, ela fechou os olhos, temendo ver qual seria a reação do mago. Sabia que a face não era mais tão bela, como poderia? Mesmo as garras daquele animal estavam ali. A camaleão sentiu o ar lhe faltar os pulmões com as palavras do maior, segurando o pulso do outro — não para afastá-lo, Naeun temia, na verdade, que ele se afastasse. ❝ Não é bem assim que... eu gostaria que me enxergasse... ❞ Respondeu baixo, com um riso fraco, desprovido de humor. A mulher sabia também que jamais poderia retornar para sua família, não daquela forma, não quando uma mulher coreana com tais marcas... diante o tempo que nasceu, seria automaticamente uma desgraça aos pais. A Kang enfim abriu os olhos, para observar a face de um dos homens que amava. ❝ Eu te conheço bem o bastante pra saber que devo temer mais o que você pode fazer com quem fez isso comigo, a me ver menos por causa dessas cicatrizes. ❞ Sorriu fraco, o polegar acariciando devagar a pele do maior. ❝ Você já... você e o Fran já me fizeram sentir mais amor nessas últimas semanas do que tive nos últimos séculos, Di. ❞