Estava morta fazia anos, dentro de mim, somente as cinzas da minha antiga felicidade reinavam. Pairavam sobre um caixĂŁo imaginĂĄrio todos os meus sonhos e as minhas esperanças. Vestia-me de preto, de luto, por todo o futuro que com certeza eu perderia por aĂ. Mas aĂ, num Ămpeto de loucura e uma reviravolta do destino, aĂ vocĂȘ me apareceu. EntĂŁo, como ninguĂ©m jamais poderia acreditar, renasci. Como atĂ© eu mesma duvidava que era capaz, ressuscitei e tomei forma de arco-Ăris. Me fundi nas mais diversas cores, e nos mais insanos prazeres. No inĂcio temi, mas acabei por me render a todo o teu carinho e tua extrema perfeição. NĂŁo Ă© novidade quando digo que fez de mim alguĂ©m melhor. Muito mais que isso: salvaste a minha vida. NĂŁo fisicamente. Com ou sem vocĂȘ meu corpo ainda vagaria pelas ruas da cidade, suspirando a toa e encharcando os olhos por nada. Mas, contigo em minha vida, minha essĂȘncia tomou cor, cheiro, textura, tomei sabor. Bebi a vida como ela deve ser e hoje sorrio apesar de tantas pedras que se colocam diante de mim. Sorrio, pois agora estou viva, agora eu tenho vocĂȘ. NĂŁo me procuro mais naquele bar da esquina, nem embaixo daquela ĂĄrvore da praça da quadra debaixo. Eu jĂĄ me encontrei, e percebi que meu lugar Ă© mesmo segurando a tua mĂŁo, e pressionando meus lĂĄbios contra os teus. O preto e branco da vida desapareceu. E minhas cinzas, prontas para serem jogadas ao mar, saĂram voando, desenhando sonhos pelo cĂ©u. VocĂȘ me faz voar. Faz de mim tudo o que sempre quis ser e nunca consegui. Minhas pernas nĂŁo bambeiam, e nĂŁo questiono tanto as coisas. Tudo Ă© como tem que ser. E, apesar de desejar enlouquecidamente Ă morte durante tantas noites, hoje estou aqui, mais viva do que nunca. Pois era isso que tinha que acontecer. Pois o que eu precisava mesmo, era me apaixonar por vocĂȘ.
A vida se esconde no amor. - NatĂĄlia Polmonari (via vibor-a)









