carta que o silĂȘncio guardou #01
seria muita emoção da minha parte começar dizendo que te amo? se for, que assim seja, pois nĂŁo existe outra forma de me expressar. eu jĂĄ falei que te amo, mas talvez vocĂȘ nĂŁo tenha entendido que vai alĂ©m da amizade. e, parando pra pensar, vocĂȘ tambĂ©m disse que me ama... serĂĄ que Ă© da mesma forma que eu?!
deixo registrado aqui o quĂŁo ruim Ă© ter o poder da dĂșvida. porque, quanto mais o tempo passa, mais eu me lamento por estarmos desperdiçando um sentimento tĂŁo bonito, um tempo tĂŁo precioso, onde eu sĂł queria deixar um pouco de mim em vocĂȘ.
pois, gosto da calma que vocĂȘ me traz sem perceber. do jeito como suas palavras, mesmo as mais simples, encontram um espaço dentro de mim.
tem algo na sua presença, mesmo quando vocĂȘ nĂŁo estĂĄ por perto, que me faz sentir vontade de viver, como se parte de mim soubesse que ao seu lado Ă© o lugar certo.
e ainda assim, eu me calo. talvez por medo, talvez por respeito a esse silĂȘncio que a gente nunca quebra, mas sempre entende. Ă s vezes penso que o destino brinca com a gente. coloca dois coraçÔes na mesma frequĂȘncia, mas fora de tempo. dois sentimentos que se reconhecem, mas que fingem nĂŁo se ver.
e é nesse desencontro bonito e doloroso que eu me pergunto, quieta: qual o poder da colisão de dois coraçÔes desatentos?














