misery loves company | Dorcas&Emma | Flashback
A ventania naquele local era confortante para a jovem Meadowes que queria paz. Não era o tipo de paz que ficar em silêncio servia, era mais do tipo paz de espírito. Ela queria as respostas para todas as suas perguntas, mas quanto mais perguntas respondia, mas elas apareceriam. Não era a toa que ela estava ficando mais a vontade com estranhos do que com suas amigas, claro, Emma Vanity, não era nem de longe uma estranha. Mas nunca chegou a pensar que dividiria um momento assim tão privado com a mesma, elas poderiam ser tão diferentes, mas naquele momento Dorcas poderia também perceber o quanto eram parecidas. Com sua cabeça tombada, Dorcas deixou que os cabelos loiros cobrissem passando a mão para desgrudar alguns fios do pescoço, poderia estar frio, mas ela não ligava. Ela gostava daquele vento, levando-a ter calafrios.
Pelas respostas de Emma percebeu que a mesma também não se encontrava em um lugar ideal, não faria perguntas. Dorcas nunca fora do tipo que pressionava demais as pessoas, gostava de as deixar livres para irem e virem. Era por isso que muitas não voltavam, mas naquele momento ela queria conversar. Tirar sua cabeça de seus pensamentos e tudo ao redor dele. - É aquele tipo de sensação, nós fugimos e fugimos, mas de quem fugimos realmente? - Não sabia se Emma estava olhando ou até mesmo escutando, mas Dorcas estava despejando uma de suas perguntas. Uma de suas dúvidas, não ligava de ser ou não respondida, era como se estivesse falando com o vento. Só que diferente de Emma, o vento não responderia. E Dorcas agradecia, pois poderia não querer ouvir a resposta, por mais de achar que já a conhecia.
- Você não teria nada mais forte por aí, não é? - Não sabia se era só com ela, mas se pudesse associar Emma Vanity, a uma palavra seria bebida. A garota sempre parecia carregar com ela um kit de emergências para ocasiões assim. Dorcas não tinha segredos, ou pelo menos, achava que não os tinha. Tinha coisas que preferia guardar para si do que comentar com as outras garotas para não ter que preocupa-las. Outros que mantia só para si, para que não pudesse nem se quer pensar. Aqueles que eram escondidos em seu subconsciente e só voltavam para assombrá-la durante as noites mais geladas. - Acho que depois de alguma coisa para beber eu te conto minha vida inteira, se quiser saber. - falou brincando depois da resposta da mesma.
Sentou-se novamente, mas dessa vez encostando-se em outro degrau para poder observar a noite começando a chegar. Coisas demais? As pessoas deveriam ter vários problemas e ela não fazia ideia. De qualquer jeito, parecia pessoal demais para ela perguntar, então foi uma surpresa Emma ter contado mais coisas. - Um namorado? Eu pensei que você não fosse o tipo que namora, com todo respeito, mas um namoro não deveria, sei lá? Te deixar animada? Ah, o que eu estou falando, meu namorado queria me separar dos meus amigos e me trocou por uma loira irritante, então acho que nesse quesito eu ganho de você. - acabou despejando de todo jeito. Talvez aquela fosse uma das coisas que fazia sentir raiva daquele feriado. Ser trocada por Rita Skeeter não era uma das melhores coisas, e ela odiava se culpar por isso. Odiava Gilderoy por fazê-la escolher e odiava mais a si mesma por ainda se importar com algo que fora a um tempo atrás. Tudo bem que agora ela não tinha mais ninguém para se quer pensar, a maioria de pessoa que ela conhecia já estava “fisgada”, talvez fosse um castigo. Não sabia, mas esperava que a resposta estivesse na bolsa de Emma.
Emma mantinha as pernas cruzadas duas vezes, de uma forma estranha que garotas magras demais conseguem fazer e que parece estranhamente muito desconfortável, seus olhos estavam pousados em um ponto longe enquanto ouvia Dorcas tagarelar como um passarinho, aliás, muitas coisas na imagem de Meadowes lhe lembravam de um pequeno pássaro, dos cabelos louros às formas bonitas e escondidas. Ela abriu um sorriso doce demais para o fato de estar falando com uma das amigas de Emmeline, nos últimos dois anos tinha feito de tudo para não ter contato nenhum que lhe fizesse relembrar do por que odiava tanto aquele pequeno grupinho de Grifinórias. Elas eram todas iguais e assim como Vance tinha feito, se livrariam dela por conta da mais ridícula desculpa.
Ela se pegou mordendo a almofada do polegar, um hábito que tinha desde que era muito pequena, enquanto pensava numa possível resposta. Provavelmente Dorcas ao seu lado tinha bem menos coisas para fugir do que ela, Emma fugia de pessoas, do passado e do próprio futuro e tudo isso parecia meio demais sob suas costas. Era muito estranho pensar que s restos de Emma de Amycus estavam finalmente sendo jogados no lago, aos poucos, mas que existiam laços invisíveis que ainda a levavam diretamente para ele, como o fato de que Avery, seu melhor amigo, era também por acaso melhor amigo dele. Emma estava fugindo e ao mesmo tempo andando em círculos porque fugia de si mesma, e não havia nada no universo que pudesse fazer. - Talvez... - Emma murmurou solícita. - A gente pudesse parar de fugir e aceitar o que vem pela frente, sabe? De uma vez.
O sorriso de Vanity se alargou com o pedido de Dorcas, era óbvio que tinha coisas mais fortes dentro do seu casaco incrivelmente montado para emergências com um feitiço que ela e Andromeda aperfeiçoaram com o tempo. - Acho que você esbarrou na pessoa certa essa noite. - Emma deixou a varinha na arquibancada e vasculhou o bolso interno com a mão esquerda ouvindo o tilintar das pequenas garrafas de alumínio. - Ahá, achei. Você prefere ser bruxa e beber firewhisky ou ter uma noite trouxa e beber, pera, qual é mesmo o nome disso? - Ela puxou a garrafa e levou até os olhos, lendo as letras pequenas que Andy tinha cravado. - Tequila. E eu provavelmente contaria minha vida inteira sem a ajuda de nada disso. - Se tinha uma coisa que a morena sempre adorou fazer era falar, ainda que se dirigisse a poucas pessoas, ela adorava sair falando.
- Seu namorado te trocou por uma loira irritante? - Vanity quase conseguiu ouvir a voz esganiçada de Rita em seus ouvidos, era incrível como ela era bem diferente das outras pessoas do castelo de um jeito nada bom e ainda assim se mantinha sendo a ridícula de sempre. - Repense isso aí, fiquei com o mesmo cara durante sei lá, quatro anos e ele me trocou pela irmã. - As palavras escaparam e ela se pegou levando as mãos a boca num susto, com certeza não deveria ter dito isso. Não deveria em um milhão de anos. - Deveria, mas como você mesma disse, namoros não são lá o meu forte. Não é como se eu tivesse tido um outro namorado pra comparar e eu não tenho a mínima ideia do que eu estou fazendo. Sem ofensas, mas sempre achei que aquele seu ex namorado fosse do tipo que... Beija meninos nas horas vagas. - Ela coçou a nuca e deu um gole da própria garrafinha. - Pra compensar tudo isso nos últimos dias tive o melhor orgasmo da minha vida, e com certeza isso melhora a coisa toda. - Emma era especialista em comentários desnecessários e com certeza não poderia deixar esse pra uma outra ocasião, ainda assim riu desengonçada.
















