Kristján escutou a voz de Roosa e meneou a cabeça em concordância. Não precisava de palavras naquele momento para expressar o quanto se sentiria satisfeito em por se doar, mesmo que só um pouco, para alguém que tinha em grande estima. Ele levou a destra até a abotoadura do casaco e soltou os botões apertados, erguendo o tecido até a altura do cotovelo. Olhou em volta buscando algum curioso de plantão e quando não capturou ninguém em seu campo de visão deu o aval. - Não é como se fosse me drenar, está tudo bem! - assegurou para ela, plenamente confiante na loira. Ele não sabia explicar se era somente a cumplicidade que o fazia se oferecer como um banco de sangue humano, ou sua crença em poderes que transcendiam os livros de magia. Os egípcios acreditavam que o sangue era vida, era energia. E de alguma forma Kris compactuava com este pensamento, sentir suas veias pulsarem e se esvaziarem em seguida era uma transmutação, uma troca cinestésica. - Não vamos deixar esse momento tão esquisito. Eu aviso se me sentir fraco. - anunciou virando o rosto o suficiente para deixá-la a vontade e fechou os olhos escutando uma música de folk que apenas ecoou em sua mente como um mantra de calma e equilíbrio.
As presas cutucavam seu lábio inferior em uma sensação estranhamente natural e incômoda ao mesmo tempo. Os dentes eram parte dela, mas era uma parte que Roosa não costumava explorar. Mesmo com os sentidos vampirescos aflorados, tudo que a garota conseguia ouvir eram as batidas do próprio coração quando segurou o braço dele com um cuidado quase reverente. Assentiu uma vez, séria, para confirmar o óbvio: ela não ia drenar ele, de forma alguma se permitira sequer machucá-lo. Por isso, também, que estava relutando em mordê-lo. Sabia que haviam hormônios envolvidos na mordida que amenizavam a dor, mas ainda era uma perspectiva assustadora para Roosa a de que podia machucá-lo com os dentes. Balançou a cabeça, rindo baixo e se forçando a relaxar. Ele estava certo, afinal. Não precisava ser tão estranho, e, apesar de temerosa, Roosa Miina estava realmente agradecida por ele ter se oferecido. Sabia que precisava se alimentar, urgentemente. --- “Nada esquisto, você só está quase salvando minha vida aqui.” --- comentou rindo baixo, tentando se relaxar um pouco.
--- “Espero não chegar a esse ponto, mas se sentir qualquer coisa você me avisa que eu te carrego para a enfermaria se for preciso.” --- finalmente, Roosa parou de enrolar e levou os lábios ao braço dele. Com todo o cuidado que era possível, mordeu pouco acima do pulso, deixando que o sabor férrico e etéreo do sangue tomasse conta de seu paladar. Sendo apenas meio-vampira, ela não precisava de tanto sangue quanto um moroi completo, mas ainda assim sempre era um momento mágico. Podia viver bem com o substituto e com alimentação humana, mas apenas naqueles momentos ela estava verdadeiramente saciada, em seu estômago e alma. Seus sentidos estavam ao mesmo sempre enebriados e atentos, incapaz de se desligar por conta da preocupação. Não demorou mais do que dois minutos, segurando os lábios alguns segundos a mais sobre os dois idênticos furinhos de suas presas apenas para garantir que ele não continuaria a sangrar. --- “Como você está? Você está bem? Está tonto? Precisa se alimentar?” ---