Ele provavelmente se assustaria, se não tivesse que conviver com o humor igualmente estranho de Carmen, por isso, ao ouvir sua primeira resposta ele apenas riu pelo nariz, abaixando a cabeça enquanto a balançava em negação ao comentário. Arrependeu-se de tê-la erguido no momento que fixou o olhar nos seios fartos, agora mais expostos graças ao cruzar de braços ao seu redor. Ele levou uma das mãos ao queixo, roçando o indicador em sua parte inferior, tentando focar o pensamento em qualquer movimento inútil que lhe tirasse a atenção do corpo da garota. Algo totalmente ineficaz, já que hora ou outra seus olhos iam da feição descarada de Clair, até voltar para seu decote.
Como se houvesse lido seus pensamentos e adivinhado seu maior desejo para aquela noite, foi inevitável não sorrir largamente ao vislumbrar o cigarro que consigo ela carregava. Agradando-se ainda mais do rumo que corria aquela conversa. Ele desencostou da parede, pendendo a cabeça por lado em um gesto rápido que pedia para que ela o seguisse. Em passos calmos, Morgan percorreu até a varanda, e da varanda a uma escada que dava a estufa da casa, que ficava exatamente em seu teto. Um lugar construído por Morgan, para que pudesse cultivar suas ervas e plantas medicinais, com sorte, Daphne apoiava em total sua paixão pela medibruxaria e invenção de novas curas por meio de plantas. É claro que, o local havia se tornado ótimo para fumar ou usar drogas escondidos, a mãe nunca subia ali, de qualquer maneira. Esperou que a morena subisse após ele, para então guia-la a um uma das poltronas que ficava do lado de fora da estufa. Era apenas um, única e exclusiva dele. Sentou-se em seu braço, apalpando a almofada da cadeira, um convite silencioso para que ela se sentasse. “Morar sozinho com a mãe tem suas regalias. Mas, por favor, sem muitas perguntas sobre o lugar.” Disse, de maneira quase ríspida, não fosse pelo sorriso travesso que contornava seus lábios rosados. Não era hora para falar sobre seus interesses medicinais, e não era com Clair que ele falaria. Na verdade, não chegava a falar a respeito com ninguém. Exceto Alice Longbottom, que costumava arranjar e estudar junto com ele, mas nada além disso. O fato é que, seu interesse era nitidamente outro, fumar e, caso houvesse abertura da moça, fazer sexo. Não, ele não se importava com a amizade dela e da irmã, na verdade, sequer acreditava que aquilo fosse algo relevante para Carmen, mesmo que se contrário fosse, com certeza seria para ele, mas eram de completo diferentes no fim das contas. “Não tem cara de quem fuma, acho que sua farsa de boa moça para Daphne e Alejandro acabou me enganando também.”
Quem conhecia Clair sabia que ela não tinha o mínimo de vergonha em relação às outras pessoas, tanto que seu irmão tinha mania de lhe chamar de cara de pau ou de assanhada, coisa que ela nunca negaria porque ela sabe muito bem que ela é assim. Com o cigarro entre os lábios, ela puxou os longos fios castanhos para cima, prendendo-os em um rabo de cavalo alto, voltando depois a mão direita para o cigarro e o retirando dos lábios. Não se incomodava nem um pouco com o olhar do outro sobre si, estava acostumada com olhares alheios lhe analisando e lhe secando, ela até gostava da sensação de ser o centro das atenções.
Assim que ele desencostou da parede e começou a se afastar dela pelo longo corredor, ela o seguiu, achando estranho ele não ter falado nada, mas mesmo assim ter soltando um “me acompanhe” com os olhos. Ela deu uma risada baixa, coçando a ponta do nariz com a palma da mão que carregava o cigarro e logo vislumbrou-se ao notar o local para que ele havia a levado. Nunca imaginaria que Morgan seria do tipo de pessoa que gostaria de coisas relacionadas a herbologia e afins. Colocou o cigarro entre os lábios, ainda olhando ao seu redor, e acendeu-o em um estalo de dedos, logo o tragando “É um lugar bem bonito e eu guardarei as perguntas para outro dia” ainda sem olhar para ele, ela sentou-se em uma das poltronas no exterior da estufa, tirando o cigarro dos lábios.
“Não tenho cara de muita coisa, Greengrass. Nunca foi uma farsa, eu só não digo que eu faço, mas também nunca disse que não faço” ela piscou em direção à ele, esticando o braço e oferecendo o cigarro ao rapaz, mantendo os olhos fixos sobre o rosto dele “Não tenho porque esconder o que sou ou o que faço, mas também não tenho porque explanar isso, certo? Ainda sou uma dama de respeito” disse tentando manter o semblante sério, mas logo riu de forma debochada, jogando o corpo para trás e olhando para cima, tentando ignorar o frio que estava sentindo.