Algo nas feiçÔes da amiga causava um desconforto em Topaz, que ansiava pela resposta da amiga, e enquanto essa nĂŁo vinha, tentava distrair-se pensando se devia mesmo comer tudo aquilo e se sim, como faria. Pra sua sorte, sabia que Valerie ia pedir ou pegar algo logo. âEntendi⊠mas ela nĂŁo era prĂłxima sua, era? E por que nĂŁo vai mesmo assim?â perguntou, pensando se isso seria sensato a se falar. Como nĂŁo era prĂłxima da famĂlia, dar conselhos como este que acabara de dar Ă amiga era um pouco delicado, porque ela falava o que ela achava ser sensato, nĂŁo algo que ela sabia, por experiĂȘncias, ser uma possibilidade de fato. Achava estranho dar conselhos sobre algo que nĂŁo sabia, mas quando o intuito era fazer Valerie se sentir melhor, ela dava seu mĂĄximo. âHm⊠serĂĄ que vocĂȘ vai me perdoar por nĂŁo ter te contado que tambĂ©m ficaria por aqui?â disse, com um sorriso torto. NĂŁo queria contar para a amiga porque simplesmente achava que ela nĂŁo precisava saber, ainda mais por ser uma coisa que possivelmente a preocuparia. âEntĂŁo⊠meus planos eram tentar aprimorar algumas poçÔes que nĂŁo fiz muito bem nessa parte de ano que passou. Mas agora acho que vai ser um pouco diferente, nĂ©?â sorriu, desviando o olhar para a amiga que agora pegava uma das batatas de seu prato. Forçou uma feição indignada - que se conhecendo, sabia que nĂŁo conseguiria manter por tanto tempo.  âVal, eu te amo e vocĂȘ sabe disso. Mas pegar batata do meu prato jĂĄ Ă© um pouco de exagero, vocĂȘ nĂŁo acha?â
Para a pergunta de Topaz, Valerie balançou a cabeça em negativa. âMeu pai cancelou qualquer festividade. Ele disse que vai me compensar mas eu nĂŁo estou esperando nada, para ser sincera...â ela terminou de mastigar enquanto fitava a expressĂŁo da amiga. A lufana duvidada que Topaz estivera planejando, de fato, durante todo o ano, ficar treinando poçÔes no perĂodo do natal. âClaro que eu te perdoo, nĂŁo se preocupeâ abriu um sorriso gentil, mas que nĂŁo demorou por muito tempo. Val se conhecia o suficiente para saber que cedo ou tarde perguntaria acerca da situação para a amiga. Sendo assim, decidiu logo fazĂȘ-lo, mesmo que nĂŁo fosse conseguir uma resposta imediata. âAconteceu algo? Se sim, e Ă© bem sĂ©rio, nĂŁo precisa me contar agora. Eu entendoâ indicou com a cabeça o SalĂŁo cheio. Sabia como muitas pessoas poderia estar com os ouvidos antenados na conversa -- depois de, no terceiro ano, terem espalhados alguns boatos inverdadeiros a seu respeito, a loira ficou mais atenta a esse tipo de coisa. Por fim, riu com menção ao furto de batatas. âO amor requer sacrifĂcios!â
âA verdade Ă© que talvez seja obra do destino a gente passar o natal juntas. Podemos fazer valer a pena, que tal? Adoro dar presentes e vocĂȘ nĂŁo vai escapar disso. Nunca escapa mesmo.â









