você estica os pés até chegar na minha boca. eu queria usar uma metáfora melhor, mas a verdade é que você me alcançou de tantas formas que eu não ficaria surpresa em não conseguir parar de pensar nisso. eu continuo tendo todos os meus limites guardados como um super tesouro, é que eu poderia até te explicar sobre cada um deles sem recuar como o mar na bahia às oito da noite. você perguntou quando eu ganhei aquela cicatriz no meu pé e eu achei engraçado reparar em qualquer coisa além dos quadros da minha sala. mais expostos que eu. outro dia fui eu que perguntei porque estava rindo sozinha e você disse: essa pintinha no seu braço é ridícula, ela me distrai. ainda dá pra te sentir na ponta da minha língua e na curva dos meus dedos, a lembrança tão viva como o sol na janela do quarto andar às cinco da manhã. ainda dá pra te ouvir ainda dá pra te ver ainda dá pra saber que as suas pernas lentas são o menor sinal de que eu estive em você. quando eu te olho pelo outro lado da parede de vidro e seu rosto desvia, essa é a minha marca.













