O que fazer?
Há muito tempo tenho muito o que dizer. Sempre penso que esses pensamentos poderiam ser compartilhados com mais pessoas, e que talvez, em algum lugar, alguém tenha o mesmo sentimento ou pense da mesma forma. Talvez, compartilhar toda a angústia e os pensamentos desesperadores sirva ao menos para mostrar às demais almas perturbadas que há outros penando por aí.
Tentei por anos me convencer de que não tenho motivos para me sentir vazia, que minha vida é boa e que posso tentar, de várias formas, com pequenos exercícios diários (thanks for nothing, TCC), perceber que minha vida é boa e não há o que temer. Obviamente nada disso teve saldo positivo porque não sou uma IA que trabalha com prompts e minha psique é mais complexa do que a de um cachorro.
É claro que compreendo que não há, na materialidade, motivo para vazio, preocupação e tristeza, mas há, bem no fundo, algo que nunca vai embora e também sempre se mostra. A desmotivação para o que gosto, a preguiça, o sono que não passa, a falta de apetite, a quantidade exorbitante de cafeína, o desânimo, as atitudes babacas, a desesperança, e todos os demais critérios de uma alma perturbada.
Como qualquer outra pessoa, para suportar esse mal-estar cultural, preciso de válvulas de escape que se concentram em jogar videogames por muitas horas, comprar itens que remetem a hobbies que abandonei há anos mas sempre me convenço que irei retornar (não retorno) e o comportamento de isolamento que me priva de frustrações — essas sim, reais — e evita que eu tenha que lidar com tudo e todos que fujam do meu controle.
Tenho refletido tudo isso — talvez por mais tempo do que deveria — e como essa constante distorção do que acontece e a fuga do que está fora (e, muitas e muitas vezes, dentro) faz parte também da pessoa que eu me tornei. E como os incontáveis livros de filosofia, prosa, clássicos e biografias do cotidiano entediante e curioso de escritos (hi Rosa Montero, hello Édouard Louis) me construíram nessa constante melancólica que talvez cumpra com o ditado brega de que "o que não me mata, me torna mais forte". Permaneço me sentindo fraca e com pouquíssimo carisma, mas, enfim, vocês entenderam.
Que sejamos todos donos de nossa loucura e que, sei lá, estejamos mais preocupados em nos encontrar nela do que fugir disso tudo que acontece dentro da nossa cabeça. Talvez você tenha coisas e não passe fome, mas sempre falta algo, lá no fundo. Procure o que falta, ou não procure. Construa-se do que você não tem e não é. Para alguns, funciona.














