Nós sabemos que nossos agressores têm um rosto, se muitas das vezes não notamos é por envolvimento emocional e a negligencia que é plantada, adubada e regada em nós desde muito novas. Na verdade já é antes do nascer que o seu corpo é especulado, medido e moldado. Precisamos admitir que sabemos a cara de nossos agressores, e cada vez mais o macho é um produto nacional, mas não só de produção exclusiva brasileira. Macho é produto da indústria, eles são produzidos a da com pau, para serem obsecados com o próprio pau, e é um sonho de fato que a pauta da mulher não-binaria negra pansexual seja debatida dentro do movimento, os delírios utópicos são os tarjas pretas que consigo comprar e produzir em casa. O sistema tá feito para formas moldadas e já traçadas para consumir produtos já moldados e traçados. A humanidade construiu sanatórios, a sanidade é validada pela sociedade, e eu tenho mais privilégios do que imagino, só pelo fato de acesso a fibra ótica, a fibra interior e coragem hora ou outra me falta, mas o wi-fi tá podendo ser acessado pelas praças e vamos utilizar. A gente tem que escancarar as nossas questões, eu preciso parar de me importar com o meu leitor, e é um fato. E talvez o artista-homem-braco não se preocupar de fato com o leitor, porque a final quem compra da ideia dele tem o privilegio de ter tempo, de sentar e ler algo impresso. E eu tenho que saber ate aonde chega o meu discurso, se eu não percebo até onde vai meu poder de atuação, isso só vem a me calar. Quem no mínimo teve acesso ao privilegio do conhecimento, consegue percebe que cada vez mais aumenta a galera de humanas, mas vá devagar que se abrir muito a boca pra reclamar alguém enfia o amor na sua boca com a mão purificada-do-sentimento, ou um meme bem rearrojado. Para enfiar o amor goela abaixo é fácil, tem até o resgate das novas-velhas religiões, e você só poder falar se tiver na luta armada na Amazônia, a final de contas à gente ainda tem código de honra bem embutido no nosso sistema. Sistema android ou Iphone? Não importa, ta lá instalado a honra do cavaleiro medieval. Rogai por nós Joana Dark negra, já tostada pelo fogo da fé. Prisioneira que negou-se a usar uma saia, e teve tua revolução higienizada com a escovinha de vaso sanitário do vaticano. Querem tirar os dentes de nossa boca, utilizando as a narrativas românticas que ainda são estratégias de pedagogia de muitos. E atinge a muitos, de fato. Novos banguelas que sorriem com o riso da sorte - velho-novo nome para privilegio.
Eu sei cada vez mais do lugar da onde eu falo, e isso só me dá mais vontade de falar. Eu quero comer sororridade e cagar amor ao próximo, mas só vou amar com resalva, o amor não vai me colonizar. Eu tenho que tá atenta, pois ainda vejo minha parceira mendigar por farelos de afeto, ate eu como biscoito se me derem, e tudo é tão simples né? Não, nada é tão simples assim, e talvez nem tudo deva ser nivelado por baixo, já basta os cargos públicos serem buscados por causa de estabilidade financeira, nada a haver com o de fato desenvolvimento da função, e isso e romantização da minha parte, pois mercado de trabalho é esmagador. E o famoso aluno de medi que vai colaborar com o trote e pedir pra ser chamado de Doutor, ta cagando de fato pra doutorado, quem ta preocupado com doutorado e nós que ta tendo que sobreviver cada vez mais dentro da nossa bolha e nós contentando em almejar viver em comunidade, escrever um projeto que seja aprovado por alguma lei de incentivo. O artista quer viver em comunidade, consumindo o ideal de comunidade que foi embalado a vácuo.
A favela é comunidade, os fundo de vila são comunidade, e o pensamento de comunidade e convivência saudável entre a tribo, ta lá sendo massacrada bela bancada ruralista, a caravela da ecocidadania chegou e agora o novo pensar em comunidade não dá pra ser acessado por quem vive na favela, no fundo de vila, na aldeia constante mente ameaçada de invasão. Qualquer desenvolvimento sustentável e de melhora de vida tem que ser visto da perspectiva do acesso a esse conhecimento, quem pode pagar pelo curso e o único que irá usufruir do conhecimento dele, os cursos gratuitos são para áreas do saber que contribuem para o mercado de trabalho continuar assim, violento. Na verdade eles querem deixar a mão de obra barata, 2 reais a hora de muitos funcionários na China,o Brasil pode alcançar essa meta, basta sucatear e privatizar, aqui se opera assim faz um tempinho, o golpe aconteceu, acontece e acontecerá. A onda conservadora mata faz tempo e em tempos de internet, onde hábitos culturais mantedores de violências são visíveis pela tela do celular, não poderia ser diferente, e essa onda chega atrasada no nosso país como teve que me alerta uma amiga, sim ela fez sociais, afinal no ensino médio se aprende para passar no vestibular, não confunda as coisas, teve a sorte de ter cursinho popular na sua cidade, parabéns, ou foi o poder do cursinho privado ao seu lado pra te abençoa, parabéns, continuamos sendo todas umas fodidas, que se validam na bolinha de sabão. Crise do sistema econômico gera revolta conservadora, era pra gente já prever isso, e ta pronta pra batalha. Tem pesquisa acadêmica sendo perseguida, tem trabalho artístico sendo censurado por não condizer com os ideais estabelecidos, e eu não vou me assustar com nada disso. Vamos continuar agindo como se a gente não soubesse que a maquina agrícola chamada Racismo Estrutural vai passar por cima de mim, vai me ceifar? E que o Brasil faz parte da America do Sul, essa America que tem seu crescimento controlado? Eu não tenho cobrindo o meu corpo, uma película de cristal acadêmico, que me protegem de algumas quedas na realidade, ou a película do nasci em uma família que tem algum poder monetário, mas tenho uma capinha do ambiente artístico que eu tive a privilegio de acessar, to com a tela quebrada, mas ainda to funcionando. E agora então com internet o acesso a conhecimentos que me protegem é ainda mais fácil, e pelo milagre que opero, de sair da rede publica e mesmo assim ter interesses por assuntos sobre sexualidade, gênero, sociedade, por esse milagre, quando eu falo “a gente” eu num to falando com a velhinha da chicória, não chame ela só pra poder esvaziar a minha pauta. E cada vez mais o racismo é assunto no meu dia a dia, cada vez mais eu agradeço as acadêmicas negras e não-binaria por explodirem a academia por dentro, e ao youtube que é lá onde eu assisto aos vídeos da Djamila. Todos nós nesse ambiente hostil estamos sobrevivendo como dá, e bixa cuida dos teus panos de bunda, porque infelizmente, eu também sou forçada a criar,e ter tempo em ateliê é mito, ter atelier é coisa desse ambiente elitizado que é o mundo da arte, e o pensamento que me valida, é pensamento hermético e provavelmente vai se apontado como pós-moderno, a gente tem que falar abertamente de nossas feridas, pois estamos todas feridas e temos varias que foram é mortas. Corpo preto correndo só pode ser coisa ruim, só pode ser desgraça, assalto, arrastão, isso é estético, isso foi construído com o auxilio da arte e pode notar que se ta com aba reta, se ta com a calça caindo, se a pele é preta, até você, consciente e sabedora de teorias universitária, desgraçada da cabeça por perceber que há muito pouco sentido e muito interesse envolvido, até você vai querer mudar de rua, vai sentir mais medo. Então nosso agressor tem uma cara, e Eles até pintaram um alvo nessa cara, e agora ele tem uma roupa, mas não importa se tá de short tactel ou de calça social, o abuso sexual é fato na maioria dos nossos ambientes de convívio. Tão passando nossos corpos no moedor de carne, e o moedor de carne ta acompanhando os avanços tecnológicos, ta mudando de designer e de nome. Nós sabemos como é a mão de homem que soca a gente no moedor, soca a mão na cara da nossa amiga. A gente sabe a cor da carriola que carregou o corpo da Dandara. E ainda vai ter a moralidade, naturalizada, produzida, plantada, cuidada como se fosse algo que nasce em todos nós. Ai de você se modificar o seu corpo sagrado que a natureza produziu. Mercantiliza o meu corpo esquisito, que eu quero pagar meu aluguel!
A gente para de seguir, a gente cria nossa bolha acadêmica, a gente cria nossa rede de amigos, a gente se isola na nossa forma, a gente compartilha só meme de primeira linha, a gente ver vídeo empoderado, e é isso não vai mexer expressivamente com nada, tem até quem leia o texto que a amiga conhecida e não famosa produziu, a gente tenta se fortalecer, mas tem parar de cobrar honra, de querer agradar o nosso professor, de fazer trabalho artístico que não expressa de fato a sua revolta, de ser artista e não ter envolvimento afetivo com a própria obra, e mesmo com o saneamento básico faltando em muitas bocas, vamos lá manas, vamos jogar a merda no ventilador que dá pra alcançar, a merda que você conseguir cagar. Esperando de braços abertos a merda cagada-de-regra que podem te jogar no peito.
Que me foda-se, que me enrabem, o que de fato o correu é que o massacre do Carandiru nem de fato ocorreu na minha vida. E eu num tenho vontade de escrever mais nada depois disso, pois não vai ter metáfora, malabarismo literário, ou ciranda acadêmica que vai tirar a força simbólica de um massacre, de todos os massacres diários, a quantidade de corpos enterrados na muralha da china é pequena pro tanto de corpo que tem embaixo da muralha que nos afasta uma da outra. O muro das faculdades e o Enem são barreiras. A questão da língua é uma barreira e corre ai os seus 100metros com barreira, dessa semana, que eu to aqui correndo os meus.