Ele não tava acreditando no que estava ouvindo, lógico, o problema era o Bastian e não as questões mais importantes ali, que tudo se resume a isso e pronto. Só podia ser mesmo um dos vários que vivem dentro de sua pequena bolha de privilégio para não perceber o óbvio, Theodore havia comprovado o quão babaca ele era ali, naquele momento. “ —— É cansativo estar na companhia de alguém tão idiota quanto você, com esse discurso de sempre, Theodore. Pobre homem branco hétero cis que é a vítima porque não entendem a brincadeirinha que ele fez, sem maldade nenhuma —— ” Respirou fundo e levou a mão até o rosto, estava perdendo tempo, o seu precioso tempo no qual conseguiria chegar até o seu chalé e tomar o seu precioso banho, se livrar dos resquícios do treino para então relaxar na sua cama, dentro da segurança das paredes de seu pequeno lar dentro daquele internato, mas Theodore estava provocando o pior lado de Bastian e ele odiava isso. Do que tinha medo? Precisava mesmo dizer a ele? Não queria se expôr ao cara que não se interessava em nada do que estava dizendo só porque ele não conseguia sair de seu estado de conforto. “ —— Se não se importa com o que eu falo, por que diabos está querendo saber do que eu tenho medo? Que relevância isso tem na sua vidinha perfeita? —— ” E foi aí que ele, de fato, se virou a frente de Theodore, se aproximando novamente dele apenas para complementar a frase. “ —— E é aí que você prova que eu estou certo, porque a reafirmação tá aí, escancarado na sua insistente preocupação com a minha vida e os meus medos, tentando minimizar o que eu sinto como se você fosse alguma coisa relevante no meu mundo… —— ” E a porta do vestiário se abriu, risadas e gargalhadas fizeram com que Bastian arregalasse os olhos e corresse pelo corredor, ignorando por completo a raiva que estava sentindo e aquela conversa que não chegaria a lugar nenhum, preferia fugir do loop e tentar, ao menos, não aguentar as ações contra ele, chegou a ouvir algumas risadinhas e comentários que não significaram nada para ele, desde que ficasse longe daquele ambiente o mais rápido possível. “ —— Idiota! É um idiota mesmo, por que que eu perco meu tempo com idiotas? —— ”
Beauchamp não conseguiu acompanhar o momento exato em que aquela conversa se tornou um monólogo sobre o outro, mas limitou-se apenas a observar e revirar os olhos. Idiota. Homem hétero. Idiota de novo. Sério que esse é seu melhor? Como sempre, o vocabulário permanecia no mesmo. Era até chato ficar ouvindo tanto blá blá blá, mas Theo estava espiritualizado o suficiente para dar um pouco da atenção que Bastian precisava de forma tão desesperada. — Já terminou ou tem mais alguma coisa que queira me dizer? Talvez alguma variação de idiota? Sabe, é bom alternar. — Maneou a cabeça para os lados ao sorrir, visivelmente debochando da situação. Era naturalmente indiferente, então por isso permanecia tão insensível frente o outro - afinal, simplesmente não se importava com ele. — Isso mesmo, Santos, você está certo. Acabamos por aqui? — Bocejou impaciente, as íris azuis desviando automaticamente para o pequeno grupo que adentrou o vestiário. Ainda sério, Theo semicerrou os dentes antes de se aproximar do precursor da piada sobre “bicha”, segurando-o pela gola da camisa. — Vou falar só uma vez e espero não precisar repetir. Da próxima vez que eu ver você ou seus amiguinhos fazendo piadas sobre o Santos, eu vou acabar com vocês. Beleza? — Cuspiu as palavras e, de fato, não estava brincando. Em outro momento não se daria o trabalho de fazer aquilo, mas estava tentando ser uma pessoa melhor para Catherine. E colocar alguns babacas no seu devido lugar parecia ser um bom começo. Quando deixou o vestiário e seguiu para o corredor, os lábios se contraíram em uma linha fina ao encontrar Bastian novamente. — Qual foi, cara, você ainda está aqui?