˛ ⠀ * ⠀ 🥀 Aquela não era uma ideia de todo ruim, pelo contrário. Cruella pretendia trazer algum impacto com o seu desfile — e a inspiração era a Floresta Encantada, o País das Maravilhas, Oz, a Terra do Nunca… — criar uma anti-salvadora com a costura poderia ser a sua peça final. Fez uma nota mental de trabalhar no croqui quando chegasse em casa, embora a mente já imaginasse cada traço que daria com a caneta para alcançar o espetacular. Quase se perdeu ali, desenhando dentro da cabeça, porém a voz de Dylan a puxou de volta ao assunto que tratavam. “O hotel é mágico.” Tinha se esquecido daquele detalhe sobre a construção enquanto conversavam, mas como não entendia a magia que circundava o lugar, talvez por isso, as desconfianças da De Vil permaneciam. O que Drácula ganhava brincando com as máscaras? “Mas não me convence.”
O suspiro de exaspero lhe escapou da boca pintada. Realmente, as coisas eram mais fáceis para a estilista quando tudo o que tinha era o ateliê na Floresta Encantada e as manchas de sangue nas mãos. “A lógica pode estar no balanço. Opostos. É algo que sempre existiu na magia, luz e trevas. Merlin e Nimuê. Agora por que Úrsula é o oposto de Iracebeth e do País das Maravilhas…” Suas teorias eram embasadas nas paranóias e na própria curiosidade. Sequer teria como saber se o que falava fazia sentido — muito provavelmente a cabeça explodiria antes de descobrir. Apoiou os cotovelos na mesa e escondeu o rosto nas mãos. “Estou ficando louca. E não do jeito que estou acostumada.” Resmungou, tornando a fitar Dylan quando o comentário debochado sobre Catarina se fez ouvido. “Talvez nós devêssemos arrancar o pescoço dela e testar se abrem portais para Terra do Nunca. Já saiu de férias por lá, darling? Tem um lago para sereias temperamentais como você. Resort cinco estrelas.” Tinha a sombra de um sorrisinho ardiloso nos lábios. A ideia era absurda e, naquele momento, estava do lado da Rainha Má porque era conveniente, mas eles podiam dispor de alguma descontração. “Não é o seu charme. Isso posso garantir.” Zombou-o um pouco antes da expressão assumir a seriedade costumeira. “Afinal, o que é que você tanto faz com Catarina?” Que não possa fazer comigo, quis complementar, mas o bloqueio emocional de Cruella não permitia que demonstrasse aquele tipo de ciúmes. Algo parecido com carência, o carinho fraterno.
quase podia ver as engrenagens na cabeça de cruella, trabalhando naquele look de anti-savadora e, por mais que dylan não gostasse tanto assim da ideia do cargo (tirando de lado o poder e o orgulho de ser alguém tão importante), nunca que iria negar usar qualquer coisa que a amiga criasse, encantado por todas as roupas dela desde a floresta encantada. — hm? — demorou um pouco para entender do que se tratava, imaginar sua roupa excêntrica tirando levemente sua atenção. — e quem é o sono do hotel? ou ele só surgiu aqui? — por estar aprendendo magia há pouquíssimo tempo e praticamente não ter acesso a ela antes da maldição, bada não sabia como muita coisa funcionava. antigamente, tentaria se manter longe - a não ser que fosse gerar uma fofoca das boas -, mas agora que ele estava focado em ser poderoso, queria entender todos os detalhes. — o hotel não te convence...? isso está ficando cada vez mais esquisito. — bufou, cruzando os braços na frente do peito e se recostando na cadeira.
o tritão apertou os olhos, observando a amiga com cuidado e tentando acompanhar o raciocínio. — o, equilíbrio e opostos, faz todo o sentido, mas porque úrsula representaria o oposto de wonderland? ela não parecia nada normal pra mim. — apenas menção da bruxa do mar fazia dylan ter arrepios horríveis, mesmo depois de sua morte, sabendo que ela não poderia mais machucá-lo. teve que apertar os lábios para não rir, e desviou o olhar para o lado oposto de andressa exatamente pelo mesmo motivo. a menção a neverland, no entanto, foi o que fez dylan voltar a ficar sério e dar de ombros, fingindo que não se importa. — na verdade neverland é o único lugar que eu não fui. eu tenho... um pouco de medo de lá. — contou num volume muito mais baixinho do que estava acostumado a falar. — mas isso não importa. eu sou muita coisa mas eu não sou um assassino. mesmo que a ideia seja um pouco tentadora. — abanou as mãos, voltando ao assunto principal. — se não é meu charme então é o que? — levantou as sobrancelhas, sorrindo de lado como se fosse um desafio. na cabeça dele, era mesmo, porque certamente não era útil a nenhum desses vilões que tanto enchia o saco, seria tão mais cômodo para eles apenas se livrar de bada... — eu te traio toda quinta na sala de projeção em cima do auditório com ela. — mesmo que percebesse que andressa estava falando sério, dylan continuou sorrindo e respondeu naquele tom meio sarcástico e meio brincalhão que já lhe era tão comum. não podia simplesmente responder que estava aprendendo magia das trevas com a rainha má como se respondesse as horas.