Os olhos piscaram uma vez e o sonho se tornou realidade. O estado eufórico febril coincidindo perfeitamente com a imagem em sua frente. Um príncipe Russo arrastado até seu quarto, sem entender nada em seu adorável rosto sonolento e pensamento minado pela surpresa da visita matutina. Safiya fechou as mãos sobre o casaco que o obrigada a colocar, puxando contra si somente o suficiente para que o arremessar para trás fosse mais dramático. O significado por trás do ato, em combinação dos lábios entreabertos e a língua umedecendo-os, fosse tão claro quanto os primeiros raios de sol que logo despontariam no horizonte. Mais uma onda banhou-a por inteiro e não se conteve no gemido necessitado, na urgência que seus olhos momentaneamente fechados exibiram ao serem focados no mais alto. Aproximou-se, o corpo grudando no dele, e se pôs na ponta dos pés.
Um puxãozinho e a boca estava em seu pescoço, beijando o mesmo ponto crítico do primeiro encontro. Entreabriu os lábios e sugou a pele com força, querendo marcar aquele lugar para sempre. Frio. Ele era frio sob si, deliciosamente fresco para o sangue febril correndo em suas veias. A língua saiu, lambeu a marca avermelhada, e subiu pelo pescoço até a linha do maxilar. Safiya ficou quieta, olhos esverdeados capturando os deles, nariz pressionando na bochecha e lábios roçando a pele. Esperando. Esperando o efeito do veneno que não viria. Não com o calor que matava tudo e inutilizava sua natureza mais básica. A mortalha brilhava ao lado da cama, bem dobrada e esquecida sobre a cômoda; o papel recheado de notas nutricionais jazia amassado no canto mais distante do quarto. Ele entendeu, Niklaus entendeu. Ou ela esperava que sim quando seus braços envolveram o pescoço e empurraram o rosto para baixo, sua boca procurando a dele e encontrando, e encontrando, e se deixando derreter na tortura gelada de seus lábios, de sua língua, das mãos contornando sua cintura e se enfiando por baixo da camisa. Era a primeira vez que se espremia daquele jeito, os pés empurrando o chão e o beijo querendo chegar em outro nível, das mãos querendo arrancar os cabelos e da urgência em descartar o casaco que a impediam de ter mais. Ter muito mais daquela pele que queria beijar por inteiro. Enfim. As peças foram caindo, a posição se tornando menos adequada e a fome não se aplacando. Aumentando, aumentando, aumentando. Dente fechando na carne macia, unhas ficando na pele é um par de pernas fechando-se ao redor dá cintura. Safiya se sentia tão leve quanto o ar, incandescente como uma brasa e insuportável em si própria. As mãos nos cabelos bagunçados dele puxavam e torciam em direção da cama, os lábios murmurando contra o hálito que chocava em seu rosto. O momento de respiração, de recuperar o fôlego e de inervação. Ele não precisava saber que o calor demasiado não era da genética da princesa, da abstinência de semanas para chegar ao nível zero do veneno e da garrafa vazia aos pés da cama, sem rótulo conhecido. Não precisava. Ela estava bem. Safiya estava lúcida em sua embriaguez, controlada em sua incapacidade de ficar quieta e feliz em seu rosto carregado de luxúria. Ele não iria perceber porque o contraste era delicioso demais, gelo em ferro quente chiando e criando vapor. Não iria perceber porque se faria tudo para distrair, para jogar a preocupação no pouco tempo que tinham e não nos caminhos para Safiya ter chegado ali. O estômago torceu num nó em antecipação, os nervos cantando a flor da pele orvalhada de suor. Ela não disse muito, nada muito coerente. Somente um nome. N i k l a u s. Sufocado pelo ofegar e jogado para trás com as costas arqueadas em prazer.