Era sábado e Gabriel acordara com vontade de fazer algo diferente, sentia que estava vivendo uma nova fase. Colocou uma camiseta e foi andar um pouco pela cidade, encontrou em um parque um rio que passava desapercebido por várias pessoas da cidade, ficou arremeçando pedras na águas assim como fazia quando pequeno, sentiu uma pontada de solidão mas não quis se importar, antes que o sentimento o dominasse resolveu levantar e caminhar mais um pouco. Era quase onze horas e ele teve a ideia de almoçar no shopping, nos últimos meses ele havia guardado uma boa quantia para engreçar na faculdade , e agora que estava decidido a cursar Arquitetura no final do semestre, merecia um descanso antes que começasse seus estudos diários pré-vestibular.
Julia havia acordado tarde como de costume nos sábados, olho para sua bolsa cluch que havia usado na semana passada, quanta coisa acontecera em uma semana. Ele estava penteando o cabelo e lembrando do sorriso de Gabriel, ela não conseguia se decidir o que havia nele que a atraía mais.Ou seu jeito calmo e maduro, com olhar profundo, ou a voz e a maneira de ele agir, sempre pensativo e cuidadoso nas palavras, e mesmo assim ainda demontrava uma pessoa misteriosa. Tentou tirá-lo da cabeça durante a semana mas sempre se pegava pensando nele. Seu celular tocou, era Bruna histerica e querendo saber se Julia achava mesmo que o Gabriel poderia aparecer. ''Pelo visto vou ter que me obrigar a parar de pensar nesse cara" pensou ela desapontada ao ouvir o ênfase que a amiga fazia apostando no rapaz. Elas combinaram de ir ao shopping comprar uma roupa, Julia não queria mas Bruna insistira.
Praça de alimentação lotada e Gabriel resolveu dar uma volta, almoçaria depois sem tanta gente ao redor. Subiu as escadas rolantes, olhou vitrines, comprou uma camiseta para a festa mais tarde, estava assustado com sua felicidade naquele sábado. Olhou mais vitrines e ouviu ao fundo alguém o chamar "Meu nome é comum, não pode ser eu", quando virou para conferir Bruna acenando para ele e Julia com descaso olhava as pessoas andando, não fitava-o." O que há de errado com ela?" pensou ao se aproximar. Eles conversaram um pouco mas ele se sentia mal pelo jeito que Julia olhava para ele, Gabriel inventou uma desculpa e saiu de perto delas. Elas continuaram procurando alguma roupa para Bruna quando já tinham comprado o pai de Bruna liga dizendo que estava indo buscá-la. Julia sem a companhia resolveu ir ao cinema, em qualquer sessão, não importava o filme, queria passar mais um pouco de tempo fora de casa. Gabriel terminou de almoçar e de longe viu o cinema do shopping, quanto tempo não assistia um filme. Voltou o caminho e comprou um ingresso de um filme aleatório, ele só queria passar mais um tempo fora de casa.
Ele entrou e os trailler já estavam passando, Julia distraída desligando o celular não viu que ele sentara do seu lado. Despindo o canudinho de refrigerante perguntou" Se importa se eu colocar o refrigerante aqui? Se quiser coloco no braço da poltrona ao lado que não tem ninguém". Ela conhecia aquela voz " Acho que eu deveria ir á polícia te denunciar por perseguição", ele riu, "Perseguição involuntária só se for, a única vez que sabia que ia te ver foi quando fui na casa da Bruna o resto não passa de coincidências absrudas". Nenhum dos dois conseguia se concentrar no filme, um deixa o outro tenso. Ele ofereceu algumas vezes o refrigerante ela recusava como se nem se conhecessem. Ele foi embora no meio do filme e ela ficou se culpando por ter sido tão idiota " Ele não tem nada de mais, e você tem um namorado lindo que te ama não há nada de errado" pensou se auto iludindo, ela sabia que amor era a última coisa que Gustavo sentia por ela, estavam juntos por status e não por sentimento.
A noite chegou e com ela mais de trinta ''amigos'' da Bruna, todos em volta da piscina, dentro de casa, na garagem. Gabriel chegou pontualmente às oito horas, estava vestido com uma camiseta pink que combinava muito bem com a sua pele branca, uma calça jeans sknny cinza e um par de tenis vans, um boné ficava suspenso preso na parte de trás da calça . Com uma garrafa de vinho tinto suave e um largo sorriso ele foi entrando à procura da dona da festa. O pessoal já estava lá a uma hora então alguns já estavam dançando desinibidos e outros se pegando na garagem e nos cômodos do andar de cima. Bruna estava com um micro vestido preto e um par de saltos altos coloridos . "Como você está linda" ele não sabia o que dizer quando os olhos carregados de deliniador o secaram, "você é todo estilo, não sabia desse seu lado" ele sorriu meio desconcertado. Ao fundo viu Julia, como estava bonita de calça jeans e uma blusa que deixavam seu ombros descobertos, usava um colar delicado com pingente de coruja, ela estava com os braços entrelaçados no pescoço de Gustavo, Gabriel supôs que o garoto já tinha bebido bastante porque estava ríspido com Julia que tentava beijá-lo e ele advertia brusco. Enquanto Gabriel observava as pessoas Bruna falava sem parar e ele nem estava prestando atenção, ela pegou-o pela mão e foi apresentá-lo aos amigos mais próximos, sem tirar os olhos de Julia ele assentia com a cabeça positivamente e sorria quando ouvia risadas. Horas depois, a festa continuava no mesmo ritmo, música eletrônica no volume máximo e pessoas bêbadas aos montes. Gabriel já tinha bebido o suficiente para se descontrair e fazer algumas piadas, deu a ideia de fazer batidinha de vinho com leite condensado e caipirinha, Julia havia sumido para dentro da casa com Gustavo e ele prometeu para si não se preocupar mais , ela tinha namorado e ele tinha que parar senão iria arrumar encreca. Bruna estava tomando o terceiro shot de tequilla quando Gabriel advertiu e ela deu-lhe um beijo forçado. Julia apareceu na cozinha para pegar água e viu os dois se beijando, Gabriel no começo havia resistido ao beijo mas depois sedeu e correpondeu Bruna assim como ela tanto queria. Ao se disvencilhar da menina Gabriel levou um susto ao ver Julia com os olhos cheios de lágrimas, ele tentou não manifestar nenhuma emoção para Bruna, que estava de costas , não ver a amiga a ponto de chorar, mas era inevitável. Julia respirou fundo, pegou uma garrafinha de água na geladeira e foi embora a pé. Gustavo tinha vomitado no quarto de hóspedes e ainda tinha coragem de tentar agarrar Julia. Ela deu-lhe um tapa na cara e disse que o namoro havia acabado e ele só respondeu" Pra mim já tinha terminado faz tempo, sua corna", ela estava enjoada com tudo aquilo, tentou ir para cozinha beber água e no meio do caminho só via gente se agarrando. Ao chegar na cozinha e ver a melhor amiga beijando Gabriel foi um choque por um motivo que ela desconhecia, ela queria voltar e vê-lo feliz cortando limões para caipirinha e rindo com o pessoal, queria sentir segurança no sorriso e olhar dele, assim como todas as vezes que ela havia olhado para ele. Agora estava ali sentada no meio fio, no final da rua da Bruna, a música já estava distante mas a vontade de chorar não.
Gabriel pegou o shot de tequilla da mão de Bruna olhou para todos novamente, alguns na piscina, outros dormindo sentados de tão bêbados, outros dançando avulsos com copo na mão. Ele bebeu a tequila que desceu ardendo por dentro dele, Gabriel não sabia se voltara a ficar sóbrio ou estava a um passo da insaniedade. Ele foi caminhando pra porta e Bruna pedia, suplicava que ele ficasse. Ele andou como um surdo sem querer ouvir a menina ao fundo, sem pensar que ela era adolescente ainda e nada madura pra distinguir ficar com estar gostando, ele sabia que ela já estava gostando dele e ele nada fez para impedir, só piorou respondendo o beijo e ainda por cima agora estava indo embora "Sou um filho da puta mesmo", seguiu com o carro na rua, ainda devagar pois estava jogando água na cara para ver se acordava ou dormia de vez antes queprovocasse um acidente. Alguém sentado chorando na calçada, alguém familiar, a ruiva das coincidências. "Quer uma carona?" ela ergueu o rosto todo manchado pelo contado das lágrimas na maquiagem, ela entrou no carro limpandoo rosto sem olhar nos olhos dele "Onde você mora?" "Me tira daqui, não quero ir pra casa, me deixa em qualquer lugar" ele olhou para ela com imensa compaixão, sua voz era tremula e aveludada. Ele levou-a no Mc Donalds, pegaram os lanches mais baratos pelo drive e ele parou o carro no estacionamento para comerem "Não tenho fome" Julia disse, ele com a boca manchada de maionese falou "Você bebeu, tem que comer, faz mal ficar de estômago vazio, come uma batatinha pelo menos, por mim" ela sorriu e comeu as batatinhas com catchup, ele ficou fazendo caretas dizendo que era um vampiro com duas presas falsas simuladas por batatas fritas "Cadê o namorado nessas horas pra te livrar desse babaca aqui?"ela abaixou a cabeça "A gente terminou" ela olhou pra ele e disse" Você não é babaca, sabe eu pensei que era no começo, mas daí te vi todo descontraído com o pessoal, inventando batidinha, deu até uns passinhos de psy, me supreendeu. A Bruna tem mesmo muita sorte" ele riu e corou de vergonha "Lamento pelo namoro, e sabe que minha descontração chama-se alcool, aliás esquece os passinhos por favor, não entendi o por quê da Bruna ter sorte, nós não temos nada, foi um beijo que ela me deu, eu não gosto dela" Julia olhou para ele perplexa por ele ter dito aquilo em uma tranquilidade e ainda mais sabendo que eram amigas e ela podia contar para a outra. Ficou um silêncio horrível no carro e ele disse" Então mocinha quer que eu te deixe em casa agora?'' ela fez com a cabeça que não "Então eu te levo pra minha humilde mansão só que lá tu vai me contar direitinho essa hitória de não querer ir pra casa, ok?". Ele ligou o carro e foi para o seu apartamento, ela tirou os sapatos e colocou os pés no painel, reencostou a cabeça no banco e disse "Obrigada por desde o começo ter sido tão legal comigo".