4º Capítulo
Era uma rua cheia de prédios que tinham no máximo 5 andares.Julia nunca havia estado naquele bairro, não era periferia própriamente dito, mas para ela talvez fosse. Ele estava mais preocupado de estar levando ela para casa dele do que o que ela iria achar da decoração ou da vizinhança barraqueira. Ele estacionou o carro na vaga e sacudiu ela de leve que já havia cochilado. -Já vou avisando, não tem elevador, espero que seu preparo físico seja melhor que o meu. Eles subiram as escadas e quando ela já não aguentava mais ele disse que haviam chegado, um corredor com várias portas, umas com tapete de boas vindas para o lado de fora e o dele era última porta. Ela entrou meio impressionada com o bom gosto das coisas "Aposto que na época de comprar os móveis ele namorava uma menina que era boa em decoração" pensou, ele deixou as chaves no balcão que dividia a cozinha da copa. Ela sem pedir foi sentando no sofá azul escuro. Como se fosse um cômodo só, quem abria a porta dava com um corredor mínimo e já chegava na cozinha que tinha um balcão separando da copa que era uma mesa triângular com tampo de vidro de quatro lugares e um quadro de culinária na parede, ao fundo ficava um sofá de três lugares encostado em baixo da janela de frente para uma televisão e um video game em cima de uma rack achatada. Era simples mas aconchegante, seus pés descalços sentiram o tapete bege da sala que era estremamente felpudo e macio. Ele bebendo água olhou pra ela sorrindo e disse -Não é propriamente uma mansão, mas dá pro gasto -Eu amei, sério mesmo. Gabriel sentou no chão esperando Julia dizer por quê não gostava de estar em casa, ela contou que seus pais além de serem ausentes estavam se divorciando, ela se sentia mais um objeto que eles estavam brigando para ter, eles planejavam mandá-la para o exterior para estudar fora, ela sempre quisera isso mas sabia que seus pais fariam isso para que pudessem agilisar as coisas do divórcio sem suas interferências. Ele compreendeu e contou que mesmo tendo pais casados, sabia como era porque já consolara uma porção de amigos que passaram por isso. Disse-lhe que mesmo que ela fosse estudar fora ela tinha que ver como algo bom, independente dos pais, seria bom pra ela sair daquele ambiente tumultuado por um tempo, ele era bom em convencer que as coisas nunca eram tão ruins como pareciam. Mostrou o banheiro que era uma portinha de frente para a sala e o seu quarto. -Bom você dorme aqui e eu vou pro sofá. -Eu não quero incomodar, eu durmo no sofá sem problemas. - Julia eu durmo mais no sofá do que na minha cama, vou pegar uma camiseta minha e uma toalha pra você tomar banho. Após tomar um banho quente Julia deitou sentindo o cheiro de Gabriel que estava na camiseta, quando ele foi na porta do quarto perguntar se ela precisava de mais alguma coisa, ela já tinha pegado no sono. Gabriel acordou sentindo cheiro de queimado ele acordou assustado e viu Julia do outro lado do balcão tentando fazer alguma coisa mas tinha dado errado. Ele lavou o rosto, escovou os dentes, se trocou pacientemente como se não tinha percebido que ela estava queimando panquecas. Ele chegou e debruçou atrás do balcão,com o cabelo bagunçado estava sonolento ainda, Julia virou-se e levou um susto -Ai meu, quer me matar? Ele riu e disse: -E você acha que não me assustou com esse cheiro de queimado logo cedo. Eles comeram os muffins de chocolate, as panquecas menos queimadas com brigadeiro e um suco artificial de laranja que Julia fizera mas a quantidade de água foi muita e o gosto estava horrível. Gabriel zombou: -Nem suco de pozinho tu sabe fazer, é mesmo uma burguesinha. -Sou nada, posso não ser boa na cozinha mas te venço fácil no video game -Du.vi.do- disse arregalando os olhos o que a fez rir Os dois passaram a tarde jogando video game, e como Gabriel era péssimo Julia ganhara todas as partidas de futebol, todas as lutas e as corridas de carro. Gabriel olhou da sala o relógio que tinha na parede do seu quarto, os poteiros marcavam dezasseis horas e quase quinze minutos. -Acho que já tá na hora de você ir- fez cara de chateado- já está tarde, e amanhã você tem aula, sua mãe não sabe de você e se ela ligar na Bruna ela vai falar que você foi embora de lá ontem à noite. -É você tem razão preciso ir. Ela colocou a roupa da festa, mas pediu a Gabriel a camiseta que ela havia ficado, dando a desculpa que não tinha camisetas grandes pra dormir e ela tinha gostado daquela. Ele deixou-a na esquina da sua casa alegando que não era legal um cara estranho deixar ela na frente de casa -Então tchau- ele disse desligando o carro e virando se para ela -Acho que fazia muito tempo que não me sentia tão bem em pleno domingo, obrigada Gabriel- ela deu-lhe um beijo na bochecha, ao terminar o gesto de carinho ele aproximou-se e beijou-lhe a boca, os dois ficaram por minutos se beijando até que ela se afastou mordiscando de leve o lábio inferior dele. -Desculpa, mas achei que palavras não seriam suficientes pra dizer o bem que você me faz- ele sorriu com vergonha do tamanho da ousadia. Gabriel era outro, estava apaixonado, ele sabia disso, todos já tinham percebido, até o padrão o elogiou pela disposição que Gabriel estava em trabalhar. Bruna ligou várias vezes no celular dele mas ele recusava a ligação, e nem sinal de Julia. Quinta-feira Bruna apareceu na loja pedindo para falar com Gabriel, ele não podia fugir. -Oi Bruna- ela não estava com cara amistosa então ele resolveu calar-se -Você não me atende, não me liga, não entra em nenhuma rede social, e ainda saiu da minha casa sem dizer tchau, o que aconteceu Gabriel ?- ela estava tentando ao máximo ser rude mas ele sabia que se ele dissesse algo errado ela choraria -Desculpa, esse semana tem sido muito difícil pra mim aqui na loja, você sempre liga de noite e eu não quero conversar, além de estar chato eu estou estudando umas três horas por dia pro vestibular, não dá pra ficar ao seu dispor -Por quê você saiu da festa daquele jeito, podia ter conversado comigo no domingo ou estava cansado também?- ela cruzou os braços -Faz assim, vamos sair, hoje pode ser?- ele não queria magoar ela, isso afetaria Julia, um passeio não seria nada demais Pontualmente ele estava na frente da casa dele, sete e vinte. Da janela do terceiro andar ela pediu para ele esperar, meia hora depois ela estava lá, e sem mais aquela beleza de antes, estava normal. Eles caminharam e tomaram sorvete, Gabriel estava frio com ela, ele pagou e tomou o caminho de volta, ela não contestou sabia que algo estava estranho. Ele entrou no carro sem deixar ela se despedir,acenou e foi para casa, precisava de um banho e uma boa noite de sono. Gabriel estacionou seu carro, subiu as infernais escadas, e a surpresa, Julia havia dito que ia dormir na casa de uma tal de Geovana para fazer um trabalho da escola, ela pediu um táxi e ficou esperando-o chegar.Ele abraçou a feliz de vê-la."Não sei se isso é bom ou ruim, só foi um beijo e ela veio dormir aqui de novo. Gabriel por quê tu só se envolve em encrenca?" pensou ele, enquanto preparava o jantar para eles.












