Homenagem a João Francisco Rodrigues Andrade (Vaqueano da Tradição)
Nasceu em Santa Vitória
Com jeito de mergulhão
Aprendeu desde piá
A tropear e carretear
Lida que lhe dava o pão
Tomou os primeiros mates
Cultuando um fogo de chão
Um dia deixou o pago
Cruzando os campos neurais
Pra tropear a evolução
Deixando marcas de cascos
No mapa da tradição
Era um centauro no basto
Que tinha raiz de pasto
E a pampa no coração
Homem, cavalo e torrão
Nesse telurismo xucro
Tinha estampa de gaúcho
Com a alma do rincão
Dom Andrade foi embora
Mas deixou nome na história
Para futura geração
A vida eterna começa onde a terrena se finda
Na hora da tua partida caiu lágrimas sentidas
Em forma de garoa fina
Talvez com bênçãos divinas
Desejando boas vindas
Adeus companheiro Andrade
Que o patrão lá das alturas
Te conceda liberdade
Pra culturar a tradição
No galpão da eternidade
Na hora da despedida
Estavam todos teus amigos
Prendas, peões e cavalarianos
Tinha música e poesia
Representando a tropilha
Até mesmo teu cavalo
Quero-quero da Felicidade
Levando as botas vazias
Encilhado de saudade
A vida é uma passagem
Tu vais fazer muita falta
Nós já sentimos saudade
Mas guardamos tua imagem
Cabelos brancos de geada
Estampa de pajador
E voz aveludada
De grande declamador
Na lida tu foste tudo
Peão, capataz e patrão
Pela tradição gaúcha
Trabalhaste a vida inteira
Levando a nossa cultura
Pela pampa além fronteiras
Em forma de verso ou prece
O Rio Grande te agradece
Por tanta dedicação
Até um dia Dom Andrade
No galpão da eternidade
Vamos matar a saudade
E tomar um chimarrão
Adeus companheiro Andrade
Vaqueano da tradição.