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Gostamos de julgá-la não é? Essa menina que tá no baile funk, ou essa que tá nas ruas, ou essa que se corta, ou a que tem bulimia, ou até aquela gordinha do colégio. A gente sempre tem que por a culpa em alguém. Te chamo para ver um pouquinho da vida dela, e depois você me diz que é o culpado.
Ela olha pra o pai, caído bêbado no sofá. Ele já gritou com ela hoje. Tudo que ela queria era que ele a chamasse de minha pequena, como antes. Dissesse que ela era linda, dissesse que ele estaria ao seu lado não importa o que acontecesse. Mas agora ela se sentia mais sozinha do que nunca.
Ela sai de casa, está carente, está confusa, está um caco por dentro. No baile, ela encontra um garoto, depois de quatro copos de cerveja, ele já diz que a ama, e que é tudo que ele sonhou. Ela acredita. Ela quer acreditar. Na manhã seguinte ela está sozinha numa cama de motel, com lembranças de uma noite em que foi tratada como lixo.
Ela acha que ele a deixou porque ela é feia. Gorda. Inútil. Desprézivel. Como todos diziam. Era a verdade. Ela se odiava. Começou a chorar e bater em si mesma. Horas depois, ela chega em casa, seu pai não estava á vista, devia estar bebendo com uma prostituta.
Ela chega ao banheiro. Depois de ficar com a garganta doendo de tanto vomitar, ela está sentada no chão do banheiro, com uma lâmina perfurando seus pulsos. Aquilo doía. Mas ela se odiava. Ela era feia. Ela merecia aquilo.
Chorando como nunca havia feito antes, ela lembra de um tempo mais feliz, há muito tempo, onde seu pai á segurava no colo, e a chamava de minha princesa. Ah, como ela queria voltar a esse tempo. Onde se sentia segura e amada. Agora ela não passava de lixo. Um incômodo na vida de todos.
Pois é, essa menina que está adormecida ali no chão do banheiro, não merece mais palavras duras, ela não merece atitudes egoístas. A vida dela é uma droga. Porque pessoas como você não a trataram como igual.
Você achou um culpado? Julgue-o.