Dick se viu em uma posição nada agradável após retornarem da missão que colocou em risco Conner e Vic. Alfred, sendo a voz sábia da família, insistiu para que o jovem patrão conversasse com a senhorita Wayne e encontrasse uma forma de conviver bem com ela antes que houvesse mais problemas. Sinceramente, ele não tinha vontade alguma de se encontrar com ela e se desculpar, mas se não o fizesse, as coisas se complicariam ainda mais em relação a convivência entre eles na Caverna e nas missões posteriores.
Caminhou pela Caverna até ficar frente a frente com a porta do quarto de Vic. Respirou fundo, olhou para os lados e resmungou antes de bater no metal e aguardar uma reposta. Na verdade, ele torcia para que não houvesse uma. Para que ela já tivesse retornado a Gotham. Ao abrir a porta, Vic o encarou sem entender o que ele estava fazendo ali e não o deixou entrar. Não queria que ele entrasse em seu canto sagrado e muito menos que continuasse a fuçar suas atividades como vinha fazendo desde que ela havia colocado os pés ali.
- O que você quer? – Ela questionou.
- Vim pedir desculpas. – Dick respondeu de maneira seca.
- Não preciso de falsas desculpas, Dick. Você não gosta de mim, não confia em mim, mas entenda uma coisa: não preciso da sua aprovação para estar aqui. A aprovação que me importa, eu já a tenho. Sinto sua energia e ela não emana arrependimento.
- Você não sabe de nada sobre mim.
- É, eu não sei. Mas poderia saber ao ler sua mente. – Victoria disse sorrindo. – A sua sorte é que eu respeito sua privacidade. Quando quiser se desculpar de verdade, estarei aqui para te receber. Já estou acostumada a ser tratada como objeto e com desrespeito, mas manterei meu profissionalismo e farei o meu melhor para que você não morra em uma missão assim como terei a mesma dedicação para com todos.
- Está tentando contar pontos com o papai? – Disse com ironia. – Deixa-me te dizer uma coisa, ele decepciona a todos e vai te decepcionar também. – Vic revirou os olhos.
- Sabe do que você precisa? De terapia. Decepções acontecem e você foi uma para mim, mas isso não me impediu de conviver contigo e nem de te dar uma segunda chance. Apenas um aviso: se encostar mais uma vez um dedo sequer no meu pai, eu quebro a sua mão. Lide com as suas frustrações de maneira racional e se tiver algum problema comigo, resolva comigo como dois adultos fariam.
- Bruce sabe que você ameaça pessoas? - Por quê? Vai correr e contar para o papai? – Riu com sarcasmo. – Não seja hipócrita, Dick, até porque agora pareceu que quem quer contar pontos com ele é você.
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O difícil não era estar indo para a primeira missão com o elogiado Dick Grayson, mas com o cara que havia me recebido da pior maneirar que poderia esperar de um herói. Saber das adversidades com meu pai não era novidade, porém o que se passou em sua mente naquele primeiro dia me assustou. Ter a certeza de que iriamos entrar em choque era o mínimo que poderia esperar.
Uma típica noite de inverno lutando ao lado do meu irmão que apenas me enxia de orgulho. Isso era ser um Wayne.
A noite foi terrível. Explosão em Arkham, problemas com a instalação e criminosos fugitivos para apreender. Pelo menos seria divertido para Damian, meu pequeno Robin. Patrulhar com ele e o ver me encher de orgulho só me dava alegria. Quanto mais o tempo passava, mais o via amadurecer criar um vínculo com nosso sangue.
Tinha ânsia por nos proteger e por nos orgulhar. Queria ser o filho perfeito, mas não precisava se esforçar. Ele era incrível.
Damian era um pouco de todos, muito do nosso pai, e parcelas de mim, Alfred, Dick e um pouco do Tim. Cresceu muito em pouco tempo e percebeu como o mundo era diferente. Seu interesse pela família engrandeceu. Ele estava sendo um Wayne. Seguindo os passos que nosso pai caminhou. Passou pela raiva, bateu a frustração e agora está aprendendo com os mais velhos sobre o legado da família. Era gratificante.
Kaldur foi até os vestiários para encontrar Vic e avisá-la da próxima missão que aconteceria em algumas horas. Seria sua primeira missão com Asa Noturna e, devido aos fatos que ocorreram com sua chegada, o amigo quis a precaver de problemas e se fazer presente naquele instante para que ela se sentisse confortável. O atlante levou um susto ao ver sangue escorrendo pelo piso junto a água. Ele correu até o box dos fundos e viu a amiga com cortes abertos pelo corpo e um caderno de anotações. De primeiro momento ficou impactado com a visão, mas se recompôs em seguida.
O que está fazendo, ele perguntou ainda um pouco desconsertado. Vic arregalou os olhos e por pequenos segundos sua roupa teste – feita de energia vital – se desativou a deixando visivelmente nua, o que a deixou envergonhada. Sentimento estranho, ela pensou. Estou estudando melhor a sutura e a anatomia do corpo humano. Na universidade são corpos tecnológicos, não é a mesma coisa que a realidade, respondeu e logo se regenerou. Limpou seu corpo com água corrente e logo foi atrás de uma toalha para se secar. Kaldur a seguiu e a informou da nova missão. Disse que iria para que não se sentisse desconfortável e intimada ao trabalhar com Dick.
Vou em uma missão com o Dick no comando, ela questionou pálida. Até o momento não tinha pego uma missão com o primogênito e isso a deixava assustada. Por mais que seu pai sempre dissesse para ser profissional, naquele instante seu estômago revirou. Dick mal falava com ela quando estava na Caverna. A evitava, caminhava para o lado oposto e sempre que havia uma missão, ele pedia para que Tornado ou Canário repassassem para ela. Evitava de todas as formas o contato e nem mesmo haviam conversado sobre o ocorrido. Bruce insistia que para que eles se resolvessem, mas não parecia tão simples quanto falar.
Não se preocupe, ele disse. Estarei lá para te dar apoio.
O bater à porta chamou a atenção de Vic e fez com que ela se virasse em sua direção dizendo que quem estivesse lá poderia entrar. Ela estava sentada em um banco almofadado, feito de madeira e acolchoado por cima, quase que rente a janela sentindo a brisa fresca da noite e prestando atenção na movimentação do lado de fora. Ao ver Dick passar pela brecha da porta se sentiu desconfortável, mas não demonstrou. O viu com um saco de kraft que provavelmente era de uma lanchonete há algumas quadras dali ou de um food truck que ele deve ter encontrado enquanto colocava as escutas e as câmeras nos arredores.
- Trouxe um lanche, mas parece que já está comendo. – Disse jogando o lanche em uma mesinha velha ao lado da cama e se sentou em seguida perto dela. – Bruce disse que você precisava se manter alimentada e...
- Não precisa se explicar. – Respondeu terminando a última fatia do bolo que havia levado para comer durante a madrugada. – Que bela tocaia você arranjou. Muito emocionante.
- Às vezes as missões não são tão emocionantes.
- Não são tão emocionantes ou você decidiu me colocar em uma missão não tão emocionante para saber se eu faria algo contra você? Porque acredito que não precisava de tanta gente para uma missão como essa.
- Está dizendo que não sei o que estou fazendo? – Dick balançou a cabeça contrariado, Vic o encarou já sentindo o clima pesar mais uma vez. – Não tenho medo de você. Estou fazendo o meu trabalho.
- Claro. Mas estou dizendo que chamar Robin, Superboy, Moça Maravilha e Mutano para uma missão como essa é excesso de força para uma tocaia. Não posso deixar de ressaltar a presença do Kaldur.
- Kaldur veio por você.
- Ele veio para assegurar que você não iria passar dos limites comigo.
- Então me acha perigoso? É isso que pensa de mim?
- Te acho hostil, Dick. Tenho todos os motivos do mundo para achar isso.
- Hostil. – Ele riu junto ao seu sarcasmo. – Você não tem noção alguma do que sou eu sendo hostil. – Vic olhou para a janela ao sentir a presença dos tais criminosos que deveriam vigiar. – Estou aqui fazendo o que Bruce pediu e. – Vic então olhou para Dick e fez sinal para que ele se calasse, mas ele não o fez.
- Cala a boca, droga! Eles estão com equipamentos de escuta de curta distância e estão olhando para cá.
Caos usou a visão de energia e notou algo estranho vindo do prédio em que aqueles homens estavam. Havia duas caixas metalizadas e revestidas. Em seu centro havia uma energia intensa e muito forte. Seu tom de azul era quase branco, mas não saberia dizer qual era o material que havia ali dentro. Julgava ser algo poderoso e perigoso, talvez algo atômico, de hidrogênio ou nuclear. Era perigoso demais. Deveriam abortar a missão se pretendiam invadir aquele local e pegar aquelas caixas.
A situação se tornou tensa quando mais capangas começaram a aparecer aos arredores do prédio com aparelhos de visão de calor. Estavam perdidos se eles os encontrassem ali. Asa Noturna, Robin e Aqualad não poderiam ser feridos, eram corpos mais delicados e um ferimento poderia ser fatal. Entretanto, Vic começou a passar mal. Olhou mais uma vez para aquelas caixas do outro lado da rua e se questionou veementemente sobre seu conteúdo. Ela olhou para os amigos e se viu na posição de proteger. Fez uma conexão mental com todos e começou a explicar a situação.
- Eles estão com aparelhos de visão de calor e de escuta.
- E você não consegue dar um jeito nesses aparelhos? – Questionou Asa Noturna.
- Consigo, mas... – Caos parou por instantes e se concentrou para controlar os poderes. Começava a se sentir fraca. – Eu consigo!
- Quebre os aparelhos. – Aqualad começou. – Eu e Dick vamos pelos fundos.
- Vocês não podem entrar ali desse jeito. Tem alguma coisa dentro daquela caixa que é perigosa.
- Está dizendo que tem alguma coisa lá que não podemos nos aproximar?
- Não, estou sentido que não é um ambiente seguro, mas se ficarmos aqui também não estaremos seguros.
- Vic, você precisa nos dar uma posição. – Disse o Superboy.
- A energia é muito forte. Muito. Parecida com algumas de Cadmus. Eu vou dar um jeito de proteger vocês.
Caos suspirou e tentou se acalmar. Tocou a parede daquele quarto e sentiu a energia fluir até onde os capangas estavam. Com força, explodiu os aparelhos e olhou para os amigos. Sentiu tontura e viu sua pele clarear. Suas veias estavam iluminadas como azul neon. Se viu de frente para as caixas e então sua energia explodiu dentro de si. Era muito forte, muito intenso. O corpo estava completamente tenso. Viu Kaldur se aproximar, ele tentava falar com ela, mas suas palavras já não eram mais ouvidas.
Robin olhou para o Superboy e logo ele se aproximou de Caos. Segurou sua mão e a olhou nos olhos em apoio. Aquela energia e tensão em seu corpo se foi. Se acalmou, perdeu a consciência. Superboy olhou para trás e viu os amigos os encararem sem entender o que houve, mas logo depois ele também começou a se sentir mal. Asa Noturna não tinha dito, mas era uma venda que seria feita para Lex Luthor e eles precisavam interceptar.
- O que houve? – Asa Noturna questionou.
- Quando Conner se aproxima dela, a Vic se acalma.
- Vamos tentar recuperar o que está naquelas caixas. Depois vamos leva-la para a enfermaria e ver se está tudo bem.
- Está tudo bem. Ela está nos protegendo. – Disse Kaldur. – Eu a sinto. Da próxima vez saiba conversar com ela e peça desculpas pelo que fez no primeiro dia. Mutano, fique com eles. Nós vamos recuperar aquelas caixas.
A neve caía sem sessar pela grande Metropolis. As pontes estavam fechadas assim como o espaço aéreo. Não havia como retornar para Gotham de maneira humana. Uma tempestade seguida de uma nevasca surgiu de maneira inesperada e cobriu toda a costa. Minha primeira véspera de natal sozinha. Gostaria de estar ao menos com Leslie. Pelo menos havia um a ótima desculpa para não participar dos eventos festivos de natal. Não havia como sair de casa. Tudo estava fechado.
Era meu segundo final de ano sendo uma Wayne, o primeiro tomando à frente das empresas e o primeiro que eu deveria passar ao lado de Conner, mas as coisas ainda não eram como antes. Após a situação chata que aconteceu em outubro, nosso relacionamento parecia ter estagnado. Não conseguíamos ter a mesma conexão e sincronia, nem mesmo em campo.
Abri minha mala a procura de um pijama quente e me deparei com nossas fotos. Sempre as tinha comigo para nunca me esquecer. Não esquecer de como começamos e muito menos até onde somos capazes de ir.
- Quando te vi pela primeira vez, não imaginei que teríamos uma briga. – Conner anunciou adentrando pela varanda do quarto. Estava vestido de Superboy, cheio de neve, face vermelha devido ao frio. – Nem que teríamos que nos afastar dessa forma.
- Você vai pegar um resfriado desse jeito. – Fecho a varanda rapidamente. – O que está fazendo lá fora com essa nevasca?
- Freezer? Não vê as notícias? – Neguei. – Típico de um bat.
- Capturou ele? – Ele assentiu. – Quem diria que aquele maluco daria um pulo por aqui.
- Já que o Batman não está na área, por que não atormentar o melhor amigo dele? Mas, infelizmente, o Superman também não estava e sobrou para o ajudante.
- Você não é o ajudante, Conner. Já passou dessa fase.
- Pensei em sairmos para jantar, mas o tempo não quis colaborar. Estava linda na inauguração. – Sorri. Sempre era bom saber que ele tirava um tempo para me ver. – Aceita um jantar em casa?
- Vai cozinhar para mim?
- Claro. Além disso, é véspera de natal. Não vou deixar que passe sozinha.
- Está com pena de mim?
- Não, Vic. Só acredito que seja o melhor momento para resolvermos nossos problemas. Natal é renascimento. Tome como recomeço. Está na hora de recomeçarmos e darmos um ponto final ao que aconteceu. – Ele tinha razão.
- Tudo bem, mas primeiro vá tomar um banho quente e colocar uma roupa mais coerente para esse inverno.
Conner foi direto para o chuveiro. Deixei suas roupas separadas em cima da cama. Caminhei em direção à sala e notei algumas sacolas em cima da ilha. Ele havia planejado, nem que tivesse sido por poucas horas. Liguei a televisão para ver as notícias sobre a nevasca, liguei os piscas da cobertura e da árvore de natal, sentei-me no sofá e o aguardei.
Vestido com as roupas que deixei para ele, Conner veio em direção a cozinha e começou a separar os ingredientes que havia trazido. Sentei em um dos bancos da ilha para o observar.
- Quer me contar o que magoou tanto naquele dia? – Ele me questiona cortando os legumes.
- Não gosto que se importe com a opinião da M’gann sobre você ou nosso relacionamento. Sobre insistirem em ficar trazendo a questão do término de vocês à tona. Você não devia se importar com isso. Devia se preocupar com o que eu penso sobre e não sobre o que ela acha ou deixa de achar. Sobre o que ela deixa ou não de jogar na sua cara. Você é o meu namorado, não dela. Não mais.
- Acha que estou apegado a isso?
- Acho que não quer se desprender, que não superou. Não quero meio amor, quero você por inteiro. Estou cansada de mandá-la cuidar da vida dela e você a trazer de volta para a sua.
- Também não gosto do Dick se metendo no nosso namoro.
- Você nunca me disse isso. Nunca me disse que ele dava palpites.
- Não quis te incomodar com isso.
- Somos um casal, Conner. Temos que conversar sobre essas coisas.
- Existe algo que nunca contou a ninguém, mas que eu deveria saber?
- Não posso ter filhos. – Conner olhou para mim num misto de tristeza e surpresa. – Eu sei. Não é algo agradável de escutar. Me assusta todos os dias. Também sei que é motivo para terminar um relacionamento.
- Não fale besteira, Vic. – Disse colocando um refratário no forno e vindo em minha direção. Ele se colocou ao meu lado, segurou minhas mãos e ergueu meu rosto para fita-lo. – Não existe nada neste mundo que faça com que eu desista de você ou que deixe de te amar. Podemos não ter filhos, mas podemos adotar ou ser apenas nós dois. Eu não ligo.
- Conner, isso é uma decisão séria.
- Acha que não sei? Desde o dia que coloquei meus olhos em você, sabia que seria para sempre. – Conner mexe em um dos bolsos do moletom e tira uma caixinha vermelha dele. – Sei que faz pouco tempo, mas venho pensando nisso há um tempo. Claro, quando tudo estiver mais tranquilo para nós. – Ele abre a caixinha mostrando as alianças entalhadas. Ouro rosa e cinzas vulcânicas. Lembrava os anéis celtas.
- Aliança de compromisso? – Ele negou com a cabeça.
- Quero me casar com você. Lembra sobre o que falei sobre recomeço? É assim que quero recomeçar. Quero me comprometer com você pelo resto da vida. No momento certo vamos poder celebrar com todos. – Ele sorriu, esperançoso. – Prometo te honrar e ser apenas seu pela eternidade se me aceitar.
- É claro que te aceito. – Sorrio.
- Sem passado, apenas nós. – Assenti.
- Prometo te honrar e ser apenas sua pela eternidade. – Nos beijamos com ternura e as badaladas da meia noite tocaram.
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Como é ser filha do Bruce Wayne, Conner perguntou se sentando ao lado de Vic nas areias de Happy Harbor. Era uma noite quente e reconfortante. Já havia se passado algumas semanas desde que se conheceram na cozinha da Caverna e Conner se sentiu à vontade para se aprofundar mais na amizade com Victoria. Acreditava que ela era a única que poderia entendê-lo cem porcento em todos os campos da vida e de como ser e viver como um projeto de laboratório criado pelo mesmo homem.
Acho que é muito cedo para pensar nisso, ela respondeu. Gostava de ser sua filha e já o admirava quando estava nas ruas, porém fazia apenas sete meses que morava com ele e não sabia ao certo se tudo já se expressava como uma dinâmica familiar ou como um treinador e seu pupilo. Era estranho, mas reconfortante ao mesmo tempo. Sabia dizer que ele, independente de seus erros e de seus conflitos internos, estava se empenhando arduamente para ser um bom pai para ela. Reconhecia seus esforços, o jeito torto de demonstrar carinho. Eram caminhos de correção contínuo, mas gostava mesmo assim. Não era apenas ele ou ser filha dele, mas viver a família Wayne e um legado de gerações.
Ao menos se sente acolhida, comentou Conner. Victoria sorriu. Sim, ela admitia que se sentia acolhida. Se sentiu desde o primeiro instante que se encontrou com Batman e não podia negar que tanto ele quanto Alfred a fizeram se sentir humana e amada. Depois conheceu Tim. Aquele garoto incrível que a fez colocá-lo na posição de um irmão. Ele teve toda a paciência e calma para ajudá-la a saber combater um humano e como era a fragilidade de um corpo. Não se sente acolhido pela família Kent, Vic questionou. Ele negou rapidamente, o que fez com que ela se sentisse desconfortável.
Clark Kent parecia bem amigável e receptivo. Todos falavam de sua tamanha bondade, caridade, a fama que ele tinha tanto como pessoa civil, um jornalista formidável, quanto como Superman. Ele era um deus entre os homens, era assim que falavam em Metropolis e pelos corredores das instalações de Cadmus em que ela estava. Tomando um pouco de coragem, ela o questionou sobre como foi sua vinda para a equipe. Conner deu de ombros e sorriu com desanimo. Disse que Dick, Kaldur e Wally o resgataram de Cadmus. Que naquela noite ele descobriu o que era e quem era o Superman. Ele, Clark, não pareceu lidar bem com a situação e isso o fez se sentir rejeitado. Esse sentimento se perdura desde então.
Vic, instintivamente, segurou a mão de Conner e o abraçou dizendo que ele não deveria se esforçar tanto para ser reconhecido. Talvez fosse complicado para o Clark saber lidar com isso mesmo depois de tanto tempo, mas a paciência era uma dádiva que se construía com o tempo assim como reconhecimento, familiaridade e carinho. Não conseguia acreditar que Clark não acreditava em seu potencial e não o via como membro da família Superman. Independente disso, ele podia ter a certeza de que ela sempre o reconheceria. Entendia essa necessidade de se sentir pertencente a algo, mas ele já fazia parte de muita coisa. Um membro da Justiça Jovem, da Equipe de Operações Especiais e era um super-herói aclamado. Às vezes estava buscando o que já existia e apenas não consegui ver.
Andar pelas ruas de Gotham e absorver todas as energias que elas transmitem traz novos conhecimentos que jamais estimei ter: a realidade da humanidade. Sinto receio de que meus olhos brilhem demais ou de que possa chamar a atenção, mas Gotham é diferente. As chamadas aberrações são naturais aqui.
Após todo o treinamento e confiabilidade que recebi de Bruce Wayne e todas as suas cento e vinte e sete técnicas de artes marciais e lutas, finalmente pude ter a experiência de lutar ao seu lado. Não é apenas um dia memorável, mas o primeiro de vários que terei ao seu lado como filha e pupila.