Eu gosto das variações do verbo ser. Diferente do verbo cantar que segue sempre a conjugação, o verbo ser não. Ele tem uma forma muito própria de ser conjugado.
Pensando somente em mim no indicativo, o ser vai assumir sou, fui, era, fora, serei e seria. Parecem-me tão diferentes, mas todos vão falar alguma coisa sobre mim.
O passado também me intriga. Sozinho ele tem três formas. E não falando apenas do verbo ser, mas o passado parece ter um poder tão grande. O que está nele não pode ser alterado, é definitivo, seja o que for. Como uma cadeia (para coisas ruins). Como correntes. Como um cofre (para coisas boas).
Quem eu fui no passado faz parte de um passado perfeito. É a minha história, não tenho o poder de mudá-la, e ninguém tem esse direito também. O fui também pode ser do verbo ir. Acho que por isso ele faz parte do passado perfeito. Não que esse passado tenha sido, realmente, perfeito. Mas ao soar o fui, o ir vem mais rápido do que o ser à mente. E mesmo que o fui venha do ser, tenho uma escapatória desse poder do passado, o ir me permite movimento. O ir é um verbo que me faz pensar em passagens e não em essência.
Quem eu era é do passado imperfeito. Esse desperta um sentimento maior de pesar. O era está muito relacionado com mudança. O que era, obrigatoriamente não é mais. O que é bom, já que esse passado é imperfeito, o melhor é que haja mudanças mesmo.
Quem eu fora é muito mais que perfeito. Mas quem usa isso de fora? Se não fosse a aula de português, ninguém nem saberia que existe um passado mais que perfeito. E na prática ele nem existe. Não penso nada sobre ele.
Quem eu sou está muito mais próximo de quem eu serei. E é completamente diferente de quem eu fui ou era. Sabe o que isso mostra? Que não! O passado não é tão poderoso quanto eu pensei. Que eu não posso escrever de novo o passado, mas eu posso mudar o agora completamente. E quando eu faço isso o passado fica sem nenhum sentido na minha história, e o poder dele torna-se quase nenhum.
Ainda no futuro, eu serei ou seria são futuro do presente e futuro do passado, respectivamente. E realmente quem eu serei está muito mais relacionado com quem eu sou, pois quem eu sou é o que de mais importante determina quem eu serei. Quem eu seria está muito relacionado com quem eu fui, e muito distante de quem eu sou. É o fim do poder do passado, ele foi derrotado pelo presente.
Concluo que o mais poderoso de todos é o mais simples, é o presente. Mas ele logo será passado e não mais terá poder, exceto de cofre ou cadeia. O futuro agora ganha o super poder de presente, de alterar ou manter cada detalhe do meu ser.