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José Gurvich
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Montevideo; Uruguay 🇺🇾
Julho 2024
hahahahaha
Pancho em casa, feito pelo meu amor. - #pancho #uruguaio #pãoviena #gastronomia #gourmet #chefcidtubino #cidtubino #cid_tubino #cidgram #homemnacozinha #cidethiela #casinhacidethiela #cidethielahouse (em Cozinha Chef Cid Tubino) https://www.instagram.com/p/CTsIEB-ASeS/?utm_medium=tumblr
"Porque fueses más alta tu gloria Y brillasen tu precio y poder" 🇺🇾🇺🇾💙💙💙 #SoyCeleste #AUF #CelesteOlimpica #SelecciónUruguaya #Fútebol #CopaDelMundo #Russia2018 #LaCeleste #bicampeones #1930 #1950 #Uruguaio #ComOrgulho (em Las Piedras, Uruguay)

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::ASIQUE GRACIAS, URUGUAYO::
No primeiro quiosque a cerveja tava 10, no segundo 11 reais. Desisti, não ia tomar nada. Continuei a caminhada na areia até uma pedra logo depois do riozinho. De cima da pedra tinha outra vista maravilhosa, o Sol estava pra se por. O céu estava dourado e com poucas nuvens e mesclava com mar azulzinho no horizonte. Tirei mais fotos. Dali dava pra ver a ilhazinha do Prumirim que ficava bem na frente. Olho pra trás e… Opa! Olha só, outro quiosque. Era muito mais descolado e charmoso que os outros. Escondidinho atrás da pedra, lá embaixo, o quiosque tinha um telhadinho de palha e um deck alto de madeira sobre as pedras menores que tinham na areia. Bom que ficava no alto, assim a água não engolia o lugar quando a maré subia. Poucas mesas, só uma família sentada, mas já indo embora. Era bem aconchegante, e o Sol que estava indo embora, se despedia do quiosque naquela hora, bem forte, e bem gostoso pra tomar uma cerveja e fechar o dia (já tinha decidido que depois de sair daquela praia, voltaria pra o Saco da Ribeira e seguiria viagem no dia seguinte).
- Quanto tá a breja?
- 8
Aí! Melhorou.
- Manda uma, por favor!
Sentei numa mesinha, servi meu copo, tomei o primeiro gole. Que delícia! Tinha sonhado com aquele gole o dia inteiro. Estava calor e a cerveja estava gelada. Não me importava nem um pouco em beber sozinho, aliás eu até gosto. Gosto bastante de cerveja, e beber sozinho me traz outra sensação, de paz talvez, para apreciar e refletir. Exatamente o que eu estava precisando naquele momento. E não me interprete mal. Uma das coisas que mais gosto de fazer é sair pra beber com a galera, mas aprecio meu espaço sozinho e desfruto igual.
E falando em beber com a galera, na outra mesa estava sentado um cara, também bebendo sozinho. Parecia ter mais ou menos uns 35 anos. Tinha a pele queimada de Sol, algumas rugas no rosto. Tinha alguma coisa estranha, diferente naquele português dele. Era o espanhol. O cara era Uruguaio, falava com um sotaque forte. Vendia pulseiras e tornezeleiras que ele mesmo fazia. Tinha trançado de couro, e transado de linha, várias combinações de cores. E eu estava começando a gostar de usar essas coisas pelos braços e pernas. Pedi pra dar uma olhada e começamos a conversar. Não comprei nada (eu nunca ando com dinheiro trocado no bolso). Não me lembro o nome dele, mas tenho uma foto guardada que lhe pedi pra tirar de recordação.
Pedimos a segunda garrafa. Cada um bebendo a sua e ainda em mesas separadas, mas bem entrosados. Eu sou bastante curioso, e enquanto não me perguntarem da minha vida, não falo um “Ah”, só comentários sobre algumas situações, mas enfim, eu parecia uma criança perguntando a ele sobre sua vida e mantendo a conversa viva. Ele estava morando por ali mesmo, em Ubatuba, pra ser mais exato, ali perto da saída da estrada pra Taubaté. Já estava morando ali há um tempo, uns 2 anos. Morava com a esposa, uma filha de uns 4 anos e se me lembro bem, tinha mais uma filha recém nascida. Os dois ganhavam a vida assim, vendendo arte nas ruas e nas praias, mas agora, com a esposa cuidando da bebezinha em casa, ele saia pras ruas sozinho pra trabalhar. Antes dos filhos, os dois tinham viajado boa parte da América Latina mochilando e vendendo artesanato. A esposa dele era brasileira mesmo, mineira, e os dois tinham se conhecido na Argentina. Achei genial. Estavam instalados ali na cidade por conta das crianças, mas ele ficava dizendo que assim que elas estivessem crescidas, com uns 8 e 4 anos de idade, voltariam pra estrada e ensinariam tudo o que pudessem pras pequenas, pra já irem se acostumando que a vida é isso, uma grande e maravilhosa viagem.
Ainda na mesa, ele perguntou de mim e o que eu estava fazendo ali. Disse-lhe a verdade, que estava ali por mero acaso. Que na verdade não tinha rumo, e que naquele dia queria seguir pelo menos até Paraty, mas que parei naquela praia por pura curiosidade e não seguiria mais naquela noite.
- Paraty? Você vai ficar aonde?
Sei lá! Já tinha dito que estava sem rumo. Provavelmente, como a grana tava curta (pra variar), iria ficar num camping, dormir no carro mesmo.
- Legal! Fiquei lá uma vez num camping chamado “Cavalo Marinho”. Fiz amizade com os caras donos de lá. Pode procurar por eles, fala que me conhece. Acho que eles alugam “carpa” (barraca). Fica na praia do Jabaquara, conhece?
Não conhecia nada
- Bom, sabe a rua principal? – (A única?) - Então, você pega ela e invés de seguir sentido centro, vai seguir só até a rua “tal” (não lembro o nome do cara, não vou lembrar o nome da rua), você vai fazer o retorno e seguir sentido a ponte, depois você vai blá blá blá…
Eu me perdi já na “rua principal”, já não estava mais prestando atenção, afinal eu não conhecia nada lá, não faria diferença. Paraty não era tão grande assim. Chegando lá era só perguntar como chegar na Praia do Jabaquara, e lá, onde era o tal do Cavalo Marinho. De qualquer forma, valeu a dica. Botei na cabeça que era lá que eu dormiria no dia seguinte. E sim, também já tinha decidido que não ia mais só passar por lá, tinha ficado com vontade da cidade. Afinal, eu não tinha nada planejado mesmo. Não tinha ninguém me esperando em lugar nenhum, nenhuma reserva paga em hostel, nenhum show, devia só pra mim mesmo e decidi que queria conhecer melhor a cidade. Ia ficar uma noite.
O Sol já tinha se despedido fazia um tempo e o céu começou a escurecer. “Bora pagar a conta, ir pra casa, pensar no que comer e dormir pra continuar no dia seguinte”.
- Você pode me dar uma carona? - Ele me perguntou com aquele sotaque forte. É engraçado quando não temos domínio do idioma e falamos tudo certinho e formal: “Você pode?”
Hesitei. Pensei em dizer não, mas vendo que ele era conhecido de todo o mundo por ali, baixei minha preconceituosa guarda e mandei um: Bora! (Afinal, mal sabia eu, mas estaria, uns 6 meses dali, botando o dedo na estrada e pedindo carona também).
Entramos no carro e perguntei onde ele morava, e ele foi me guiando. Ele estava com uma cara engraçada, me olhava engraçado como se estivesse chapado e ao mesmo tempo tímido. “Pô, já trocamos mor ideia lá no quiosque, vai ficar tímido agora?” Saímos daquela estradinha esburacada dentro do condomínio e enfim, estrada.
Trânsito sentindo centro de Ubatuba e garoa. Escolhemos a melhor hora pra ir embora, afinal todos gostam de praia enquanto ainda tem Sol, ou todos gostam de assistir ao por do Sol (nosso caso), ou as pessoas não gostam muito de chuva. E como todo bom paulistano, não pode cair UMA gota do céu que já caímos de 90 pra 10km/h. O congestionamento é quase que automático. É como um pré-requisito pra viver em São Paulo, que ao ver a chuva chegando, já saber que as ruas vão alagar, e os motoristas vão emburrecem, como uma folha caindo no meio de uma trilha de formigas: elas não sabem como prosseguir.
Bom, com trânsito, a volta ia ser longa, ainda mais com o Uruguaio chapado-de-repente-tímido do meu lado. Liguei o rádio. Tinha colocado algumas músicas no meu celular. Descontraí sozinho (a arte de quebrar o gelo com música). Começamos a conversar, sobre: música. Eu disse que tocava violão, perguntei se ele conhecia bandas ou cantores brasileiros, e ele começou a listar tudo: Caetano, Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Ellis Regina, Tom Jobim, Legião Urbana, Paralamas, Los Hermanos, Cazuza, Seu Jorge, Charlie Brown Jr. (inclusive conhecia a história deles e que a banda tinha acabado após a morte do Chorão), Maria Gadú e lista não acabava, ele dizia que a cultura brasileira era bastante presente no Uruguai (e aparentemente em muitos dos países sul americanos, coisa que fui descobrindo mais pra frente), tanto música quanto literatura e outras artes. Este foi o primeiro momento em que percebi que nós, brasileiros (generalizando a grande maioria) somos bastante fechados, as vezes até ignorantes quanto a cultura geral latinoamericana. Eu fiquei com vergonha na hora, porque eu não conseguia listar mais que duas bandas Uruguaias que eu conhecia bem por acaso: El Cuarteto de Nos e Jorge Drexler.
Gelo quebrado, conversa, conversa, conversa e de repente …
- Encosta aqui, vou descer, minha casa é nesta estradinha!
- Não quer eu que te leve até lá?
- Não precisa, é só 1km, vou “caminando”. Obrigado! - ele agradeceu a carona.
- Valeu aí! - eu agradeci a experiência – Um beijo pra tua família e boa sorte na vida!
Pegou as coisas no banco de trás, me acenou pela janela, e foi embora... Fiquei uns 2 minutos esperando no acostamento vendo ele se distanciar pela estradinha.
Foi tão rápido assim? É muito engraçado o como as pessoas aparecem pra gente, mesmo que seja por instantes, e simplesmente somem. Essas pessoas que não sabemos se vamos ver de novo, e só podemos desejar “tenha uma boa vida”. Isso que hoje, ainda que banalizado, podemos manter contato de infinitas maneiras. Mas quando não se tem ou se perde este contato nos resta a magia de imaginar por onde andam essas pessoas. Elas dividiram com a gente alguns minutos, horas ou dias, esbarraram na gente andando na rua, nos sorriram na estação de metro, no farol vermelho ou numa fila. Vai saber se já não cruzamos ou ainda vamos cruzar com uma mesma pessoa por mais de uma vez na mesma vida, ou em outra, ou num sonho sem se quer nos dar conta disso? Ponta soltas, no universo, não creio que existam, e por isso acredito que este Uruguaio estava ali porque eu precisava dele e ele de mim. Precisava ouvir a história que ele tinha pra contar, pra me inspirar de alguma forma, já que eu estava tão sem rumo. Precisava dar carona pra ele, pra quem sabe acreditar mais na raça humana e um pouco menos no individualismo ou no meu próprio ego. Isso e tantas outras infinitas coisas que por conta de apenas um simples encontro ao acaso, eu poderia estar em outro lugar assim como querendo outras coisas neste exato momento em que escrevo estas palavras. Sei que não fosse ele, eu não teria decidido conhecer melhor Paraty e muito menos acampado lá, não teria conhecido dois amigos queridos, não teria ido a Argentina (pelo menos não da maneira que fui), não teria conhecido um grande amor, não teria escrito uma de minhas músicas preferidas e por aí vai. E sabe lá o que eu signifiquei pra ele também. Asique gracias, Uruguayo.
La Toca del Cuervo
O que é: Bar
Onde é: Av. 24 de outubro, 1409 - Auxiliadora
Porque é bom: Comidas uruguaias muito boas, bom preço e o dono, que também é uruguaio, é muito atencioso e cheio de histórias.
Média de preço: 12 a 18 reais comendo alguma coisa e tomando uma cervejinha.
Sugestão de Thomaz Avancini
Editado: No momento está fechada; aparentemente vai reabrir, conforme mais informações, colocamos aqui.
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