uni-solo XIV
mergulhei tão pesada nesse teu mar que senti como se fosse um saco de areia mané encolhi e aos poucos fui me afogando em ti já não sou mais eu ou nós eu simplesmente já não sou - se é que um dia fui eu mergulho novamente em ti com a ânsia de que tudo se resolva tudo se encaixe tudo seja tudo mas nada o barco virou ou parece estar virando tá virando mesmo! e quem é que sabe nadar? nesse vazio tão imenso que nem mesmo um anjo de asas gigantes conseguiria sair nem mesmo a sombra do lado mais sombrio da terra conseguiria cobrir é um vazio tão imenso tão……….. mas você consegue abre um buraco tão pequeno no meio da imensidão é como um pontinho vermelho ou azul num infinito de cores ou de preto ou de branco é um pontinho tão pequeno é um pontinho tão nós nosso que quase me faz passar e escapar daquele tudo muito imenso mas eu não passo sou absurdo demais para pontos pequenos sou sentimental demais para vazios muito grandes eu sou tão tudo tanto imenso que já quase nem tento mais escapar eu coloco um livro na cara um par de olhos imenso - tudo é imenso quando eu podia usar apenas grande - e continuo a respirar com falta de ar com falta deles com falta de tu de nós de mim de ser minha tudo me falta que eu chego a quase não sentir não sei se sinto ou se escrevi ou se pinto qualquer coisa que engula esses pensamentos ou se deixo escreverem sobre mim sobre minha vontade de está com você ou de ser engolida por um tornado qual seria mais adequado? porque eu escrevo historias conto sobre cantigas canto cantigas desenho os meus proprios olhos ou os seus lábios dentro do céu eu olho bem fundo da minha janela porque mesmo longe a lua que te ilumina que faz meus olhos imensos emergirem também te ilumina enquanto tu pensa em mim e quando eu disse que mergulhei tão pesada no teu mar esqueci de acrescentar sobre mergulhar tão pesada forte profundamente de cabeça sem estribeiras em qualquer mar e a pior parte disso é que as vezes eu mergulho em lagos ou em poça de lamas que pareciam conter a ariel mas só........ solidão.......... mas nada que eu já não tenha demasiadamente dentro de mim, não? agora imagina você: eu absurdo demais cheio demais com um mar de sentimentos com um rio de talentos com mãos que pintam e voz que nina o meu amor eu, tão cheio do vazio tão solitário pássaro que voa procurando um eixo e num pontinho azul acha um ninho pra se curar de amor mas veja bem veja só só talvez eu precise por uns óculos escuros pra encarar a vida sem ela achar que ando desviando os olhos porque no fundo eu continuo olhando profundamento o teu peito subindo e descendo dentro do meu abraço e imagina você eu estourando com tanta coisa não fujo porque talvez só talvez o mundo precise dos meus absurdos pra curar um tintim de gente pra curar aquele que eu canto e ponho pra dormir pra curar o meu pontinho azul e curar a mim com o mergulho na felicidade de poucos de muitos vazios birdlonely e ponto-do-eixo








