O florista, ao avistar um velhinho de chinelos caminhando pela calçada, passando em frente a sua banca, larga tudo e vai até o senhor e pergunta:
-- O senhor estava me procurando, seu Antônio?
O velhinho sorri e faz sinal com a cabeça que sim.
O florista monta um buquê e entrega para o velhinho, diz algo em seu ouvido, que volta para o prédio de onde saiu.
O primo do florista, que estava começando naquele dia a trabalhar na banca de flores, ficou curioso, mas não perguntou nada.
Nos dias que se seguiram viu isso se repetir. O velhinho com jeito de perdido, de quem não sabe onde está, sendo atendido pelo florista, que faz sempre a mesma pergunta, depois entrega um pequeno buquê e sussurra em seu ouvido.
O primo tinha imensa curiosidade, mas nunca perguntou nada. Porém, um dia o florista precisaria se afastar para cuidar da saúde e deu uma série de instruções para os dias em que estaria fora. Então o primo pergunta se deveria ficar atento com o seu Antônio. A resposta afirmativa foi imediata.
Então o rapaz pergunta por que ele fazia isso e nunca cobrou pelas flores.
-- É simples! Seu Antônio sempre comprou minhas flores, desde quando eu apenas vendia algumas rosas.
-- Ah! Entendi. -- Disse o rapaz, achando que a história tinha acabado.
-- Acontece que ele sempre me dava um troco a mais, que era para eu montar minha banca, dizia ele. Seu Antônio sempre me incentivou a ampliar meu negócio. Ele encomendava buquês no aniversário da esposa. Apresentou para outros clientes e me ajudou a fornecer para algumas lojas.
-- Nossa! -- Disse com espanto o rapaz, que ouvia tudo com atenção.
-- Em um ano consegui montar minha banca. E todos os dias ele vinha pegar um buquê e me pagava com um troco a mais.
Então o florista fez uma pausa, respirou e continuou.
-- Mas então a esposa dele faleceu. Ele ficou doente, teve um AVC. Ficou internado e nunca mais foi o mesmo. Acho até que está com Alzheimer. Eu não sei ao certo.
-- Nossa! -- Repetiu o rapaz.
-- A filha está morando com ele e deixa o seu Antônio descer, pois sabe que eu vou fazer ele subir. Eu prometi que lhe daria de presente um buquê de flores e faria ele voltar para casa.
-- Mas o que você diz no ouvido dele, que faz ele sorrir, dar meia volta e retornar para o prédio?
-- Simples! Eu digo: vá levar para a esposa o buquê que o senhor comprou!
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Um conto
De Edison Botelho













