Os barulhos de hoje são os uivos de amanhã
É só nisso que consigo pensar quando preciso da tranquilidade que só eu mesma causo.
São dias em que eu escuto mais do que devo, posso e que as palavras se perdem e viram monotônicas. Barulhos repetidos a um mesmo tom e a uma mesma velocidade, causando quase que uma música perfeita pra ir dormir.
Mas não podemos dormir.
Não podemos descansar.
A vida já está cobrando esses segundos que o devaneio se perdeu. Olhando fundo pra quem você é e se perguntando por quê ainda se desvia de respostas que não quer dar.
Não podemos dormir.
O barulho só cresce e o tempo só diminui, e nisso somos perdidos e procurando por sentido. Como posso colocar isso no mute?
Não podemos descansar.
A minha tranquilidade se baseia em tempos de reflexões solitárias, em que não vejo ninguém podendo tomar o meu lugar.
Mas a vida vem mais uma vez, pesada e sozinha, perguntando quem vai tomar o seu lugar.
É nisso que barulhos diminuem os tons, lentamente, até se tornarem os uivos alarmantes, ainda um pouco assustadores, do que nos espera o amanhã.
Mas ainda não podemos dormir.















