Até transbordar
Costumava escrever sempre que algo estava na superfÃcie dos meus sentimentos. Com o tempo, e principalmente após a pandemia. Me peguei nula em sentir, nula em expulsar qualquer tipo de palavra que assombra-se a minha cabeça.
Hoje, me pego andando pelas ruas de São Paulo, em uma rotina exaustiva de um trabalho presencial, com direito a muitas horas em transporte público e muitas horas para refletir.
Foi em um andar qualquer, de uma das linhas do metrô mais cheio do Brasil, que eu entendi partes de mim que há muito estavam esquecidas.
E a gente esquece demais de si mesmo, de quem somos ou para onde estamos indo. Perdemos os sonhos, as memórias, as lembranças, os sentimentos... Mas esse não é um texto triste.
É um texto de retorno, não dessa rotina de sentir tudo na lupa e precisar escrever sobre cada vÃrgula, ou pelo menos eu acho isso, mas é uma volta de querer lembrar quem eu sou.
Quem quer escrever agora, nessa nova idade de 28 anos, perseguida por tantas cobranças de adulto e ao mesmo tempo, de uma adolescente que nunca saiu de casa.
Quem quer escrever agora, que parece que os sentimentos voltaram a florir, mas com outras cores, outras formas, outros jeitos de ser.
Hoje eu me encontro transbordando de amor, de saudades, de encontro comigo mesma. Eu me encontro minha, querida, saudosista, amada, filha, amiga, mulher e totalmente nova.
Um jeito novo de expressar, de sentir, de viver... Um jeito novo, de transborda.
















