transbordo
como colocar em palavras tudo aquilo que transborda no peito?
se nem o peito sabe explicar esse excesso, essa urgência sem idioma, um tipo de sentir que não cabe na gramática dos dias
tento escrever (?)
mas as palavras escorrem indisciplinadas, como água que não aceita forma
e assim entendo: há coisas que não pedem voz, pedem o silêncio, há outras que pedem pausa, respiração funda e olhos fechados
porque o que transborda no peito não quer ser dito inteiro, quer ser sentido aos poucos, como quem aprende a existir de novo
e ainda assim eu escrevo, não para explicar o que não posso, mas para tocar de leve aquilo que insiste em viver além da linguagem, aquilo que insiste em sentir















