coleção viver básico: Toca Seabra
entrevista/artigo com Toca Seabra, diretor de fotografia, para basico.com linkÂ
O segundo convidado de nossa coleção viver básico é Toca Seabra, mais conhecido por seu trabalho com imagens em movimento do que pela foto estática: Toca é diretor de fotografia de cinema, desde 1990 assinando trabalhos como “Cidade Baixa” (2004), “O Invasor” (2001) e “Estômago” (2006). A foto escolhida para nosso pôster é uma vista da Gávea, clicada durante um passeio de veleiro em 2010.
Toca começou a fotografar aos 10 anos, com as antigas máquinas 6Ă—9 do pai. Nunca pensou em seguir carreira com cinema – o envolvimento começou de maneira informal, quando um amigo o convidou para ser motorista para um longa-metragem, aos 19 anos. Segundo ele, durante os trĂŞs meses de envolvimento na produção, o que o encantou foi a qualidade das pessoas. Esse primeiro contato foi o vetor de inspiração que fez com que Toca descobrisse um novo universo e entendesse a fotografia de cinema como profissĂŁo possĂvel.
“O cinema Ă© tradicional no sentido em que existem mestres: a arte Ă© um ofĂcio” – para Toca, sua trajetĂłria profissional está muito mais prĂłxima das oficinas renascentistas do que das faculdades contemporâneas. Sua escola foi o trabalho e o empenho em absorver lições de pessoas incrĂveis, que admirava profundamente – desde aquele primeiro trabalho, foram 15 anos aprendendo, como assistente e operador de câmera, atĂ© que assinasse sua primeira direção de fotografia.
A técnica é obrigatória, mas aqui, novamente, entra a figura do homem renascentista: é necessário saber de tudo, impregnar-se de cultura, pois o trabalho do diretor de fotografia não é apenas produzir imagens; é, antes, um trabalho colaborativo, onde sua técnica entra como ferramenta para contar uma história, e sua sensibilidade dá o tom para que sua visão não prevaleça ou empalideça a visão do diretor. É como fazer música – construir algo novo a partir da colaboração de direção, fotografia e arte.
Assim, por entender essa colaboração como um diálogo expressivo, desde o princĂpio sempre escolheu os projetos com os quais se envolveu preservando sua opção de linguagem. Toca Ă© das pessoas que se levam a sĂ©rio sem a necessidade de serem sĂ©rias: quando reconta sua trajetĂłria, por trás da fala descontraĂda e das menções aos Stones e ao clima de liberdade pĂłs-ditadura, existe um cuidado apaixonado por seu ofĂcio e suas escolhas, uma opção por um cinema potente: “a vida Ă© muito preciosa”.
As imagens e o olhar fotográfico estĂŁo impregnados em seu cotidiano: Toca leva a fotografia consigo aonde vai, e desse exercĂcio nasceu um extenso arquivo de imagens desde a dĂ©cada de 70. Tivemos o privilĂ©gio de oferecer uma delas como presente em nossa coleção viver básico  - esperamos que gostem.













