Ontem assisti a segunda parte da peça "A Herança" ("The Inheritance") e até agora continuo tomado por toda a história.Brilhantemente, aos olhos do expectador, é apresentada grande parte da História do Movimento Gay, através de seres humanos que dão vida a uma história que poucos sabem.
Saber até sabem, mas será que sabem com um olhar atento, cuidadoso e respeitoso? Afinal todos nós nascemos, crescemos com sonhos, expectativas, dores, mágoas. Somos magoados na mesma intensidade que magoamos, assim como somos capazes de produzir coisas maravilhosas. Pare e pense: quantas vidas você impactou nesta vida?
Graças a esse lugar mágico, o TEATRO; memórias, histórias, vivências nos levam a viajar na nossa própria história.Quem viveu (e vive), sabe.
Ontem era 7 de abril, e ontem coincidentemente, eu fazia aniversário da minha vinda para SP. Foi em 7 de abril de 2002 que definitivamente eu vinha para 011.
Desde criança, eu sempre senti pulsar a necessidade de ir embora, de partir e buscar um lugar para chamar de casa.
Ano passado, li The Room with a View, de E. M. Forster, escrito há mais de 100 anos e ontem também tive a oportunidade de encontrar com Forster, cara a cara. Mentalmente agradeci a todos os atos de resistência que vivíamos, que vivemos e que viveremos.
A peça A Herança foi uma catarse, levando-me às lágrimas. Não tem dor neste choro. Eu não mudaria uma vírgula da minha história. Mas de felicidade, olhando para trás e sabendo que tudo deu certo e como sempre digo: "o que não dá certo, a gente faz dar certo".
Nunca deixe ou permita que alguém te coloque em um armário.