The Fool and The Empress - Livro I, CapÃtulo 3
Contagem de Palavras: 1.991
Avisos: nenhum, eu acho
Observações:
Galadia, Verona e Annisdrai são lugares criados por mim
A fanfic se passa antes dos eventos do jogo, quando Lucio ainda era um mercenário.
Outros links da fanfic:
https://fanfiction.com.br/historia/786905/The_Fool_and_The_Empress/
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Livro Um – A Maga
Parte Três
Lucio grunhiu quando sentiu o pano morno deslizando em suas costas. O efeito analgésico provido pela pasta que ela havia batido no pilão na noite anterior havia acabado e Belladonna sabia que ele não demoraria a pedir mais daquilo assim que ela terminasse de lavá-lo. Apesar da palidez, tinha um aspecto melhor do que ela esperava, considerando que sequer pensava que ele sobreviveria. Precisava, no entanto, fazer com que se alimentasse melhor.
– Então, de onde você é? – ele perguntou enquanto ela cuidadosamente retirava as bandagens que cobriam o corte da amputação. – Seu sotaque não é de nenhum lugar que eu conheça e eu já estive em muitos lugares.
– Por que quer saber? – perguntou em resposta, olhos atentos no que fazia.
– Apenas curiosidade – e franziu o nariz quando viu as bandagens se desenrolando negras em vez de rubras. – Que merda é essa?
– Seu corpo está combatendo a infecção. O sangue contaminado tem essa cor por causa do aço, mas não se preocupe. Uma vez que seu sangue estiver purificado, estará vermelho novamente.
Percebendo o desconforto dele, Belladonna acabou por continuar a conversa para distraÃ-lo e evitar que ele surtasse como fizera no meio da madrugada.
– Eu sou de vários lugares – fitou-o. – Caso lhe interesse.
– Sempre na estrada?
– Não sempre – sorriu de canto. – Mas quando possÃvel. E você, de onde é?
Lucio desviou o olhar, tentando esconder seu desconforto.
– Nenhum lugar interessante.
– Certo – ela assentiu, afastando-se para pegar um pedaço descascado de Coração de Mandrágora que havia deixado sobre a mesa. Cortou um pedaço menor do que o primeiro que havia dado a ele e então ofereceu-lhe.
– É menos do que antes. Ainda estarei anestesiado? – arqueou uma sobrancelha.
– Sim. Em excesso pode viciar e deixar de fazer efeito, então não pode consumir demais.
– Não me disse isso ontem – resmungou enquanto mastigava a raiz a contragosto.
– Para que? Esperar você deliberar e perder um tempo precioso?
– Hunf – virou a cara. – Eu tinha o direito de saber.
– Eu acabei de contar a você – ela estreitou o olhar, incrédula.
– Deveria ter contado ontem – continuou resmungando.
– Que os deuses me deem paciência – revirou os olhos. – Me avise quando começar a se sentir dormente.
Levantou-se para misturar os ingredientes para a pasta, pilando-os cuidadosamente, quando percebeu Valerius adentrando a tenda.
– Como se sente? – perguntou a Lucio.
– Entediado. Um pouco de vinho seria bom.
– Vinho está fora de cogitação – Belladonna o encarou. – A menos, é claro, que queira perder o que resta do seu braço – disse em tom ameaçadoramente baixo.
– Hunf! – o loiro virou a cara.
– Ouviu a maga – Valerius o fitou antes de se aproximar dela. – Há algo que precise?
– Voltar para casa e descansar – respondeu irritada enquanto pilava os ingredientes. – Roupas limpas, um banho de verdade…
– Se quiser, Dan e Bran podem escoltá-la até a sua loja.
– Eu quero voltar permanentemente, Sr. Hildegard – ela o encarou. – Mas seu amigo, ao que parece… – fitou Lucio, que franziu o cenho, irritadiço. – Precisa de atenção constante para evitar que piore e morra.
– Eu já estou bem melhor – o loiro resmungou.
– Porque eu passei a noite toda vigiando você – Belladonna estreitou o olhar.
– Pelos deuses, Lucio – Valerius lançou-lhe um olhar censurador. – Você tem o que? Cinco anos? Pare de dar trabalho a maga, ela não é sua babá!
– Hunf! – fez um biquinho. Se pudesse, teria cruzado os braços.
– Disse que já cuidou dos feridos pela lâmina – continuou Valerius. – Todos eram assim?
– Não. A maioria estava morta em menos de seis horas – chamou a atenção de ambos. – Já está começando a se sentir dormente? – perguntou a Lucio.
Morgasson apenas assentiu, no que ela se sentou ao lado da cama e o ajudou a deitar, acompanhada por Hildegard.
– Onde tratou essas vÃtimas? – o moreno indagou.
– Nopal.
– Nopal? – Lucio balbuciou, começando a ficar grogue.
– Estive em Nopal até o começo dos conflitos armados – umedeceu um pedaço de pano em água morna para limpar a ferida. – Vi a cidade-estado se dividir em duas com os meus próprios olhos, quando o feiticeiro chamado Nergal acusou a mãe do rei de adultério e contestou a legitimidade dele em praça pública. Uma acusação grave da qual ninguém sabe se ele tem provas ou testemunhas, mas foi o que bastou para que meio estado se erguesse em rebelião.
– E assim nasceu Verona… – Lucio tentou cantarolar.
– Sim, e agora ela tenta tomar todo o território nopalês e mudar o sistema de governo. Algo me diz que esse feiticeiro pretende ser o novo lÃder do território. Vocês realmente não sabiam disso? – entreolhou-os.
– Sempre nos contam histórias diferentes – respondeu o moreno. – Além do mais, somos mercenários. Pouco importa a história que contam, contanto que paguem pelo nosso serviço. Como sabe sobre o aço luciferiano?
– Parte são rumores, parte são coisas que eu vi. Quando percebi que não havia recursos para tentar salvar todos, e que a lâmina talvez fosse feita para não deixar sobreviventes, deixei a cidade, separei-me de meu amigue médico.
– Então o lance de a lâmina ser amaldiçoada na forja é boato?
– Não, isso não. Reconheço uma maldição quando vejo uma. Além do mais, quando descobriram aquele tipo de obsidiana naquela mina… Bem… – suspirou enquanto apanhava o pilão para colocar a pasta sobre o ferimento de Lucio. – Não a apelidaram de Poço do Desespero a toa. Dizem que é guardada noite e dia e somente alguns mineiros podem entrar. A maioria dos que saÃram de lá enlouqueceram.
– Por que? – perguntou Lucio.
– Dizem ter visto monstros, ouvido coisas… Alguns afirmam terem visto o Diabo em pessoa. Pode ser que seja verdade…
– … Ou? – Valerius arqueou uma sobrancelha.
– Algo lá em baixo está os fazendo alucinar. Não há como saber sem entrar.
– Então… Se isso tudo for verdade, Annyala foi atacada como aviso, certo? Por apoiar Nopal.
– É a única razão que faz sentido, acho – pegou bandagens limpas de cima da mesa. – Se quisessem, poderiam ter tomado a cidade em um único dia e Verona teria todos os recursos que quisesse para tomar o que resta de Nopal. Galadia está em desacordo com Annyala por isso – começou a enrolar as bandagens novas no que restava do braço de Lucio. – Sabem que não tem a menor chance de salvação se Verona decidir atacá-los e estão tentando permanecer neutros, enviando seus médicos para Prakra, Annyala e Nopal, mas todos sabem que se forem encurralados apoiarão Verona. Nos parece que a realeza galadiana prefere se submeter e apoiar a se rebelar e morrer.
– Então oferecemos nossas espadas aos governantes errados – Lucio franziu o cenho.
– Está louco? – Belladonna o encarou enquanto dava alguns nós não muito apertados nas bandagens. – Annyala e Nopal são os únicos com coragem para enfrentar Verona, enquanto Prakra se ocupa com os próprios conflitos e Galadia, Galbrada, Karnassos e Vesuvia se acovardam! Eles não percebem que quanto mais poder o feiticeiro conquistar, pior será para todos! Cada lâmina luciferiana que sai da forja de Verona os torna ainda mais perigosos!
– Então não temos como vencer – concluiu Valerius.
– Talvez. A única vantagem que se tem sobre eles agora é a lentidão do feiticeiro. Dizem que é muito desconfiado e a forja é guardada dia e noite por seus homens de confiança enquanto ele trabalha com o ferreiro-chefe. Ele deixa que o exército faça o que bem entende. Talvez esteja deixando-os pensar que controlam alguma coisa enquanto ele os arma. Se tiver a lábia certa, ou o feitiço certo, aà então estaremos todos perdidos.
– Se sabe de tudo isso e está incomodada, por que não fez nada? – Valerius a encarou.
– Eu sou apenas uma maga. O que é uma maga perto de vinte mil homens armados, ou trinta ou quarenta mil? Essa guerra começou com lábia e com lábia deve terminar.
– Então tudo o que precisamos é matar o feiticeiro.
– Teoricamente sim, mas um único lÃder caÃdo não é o suficiente. Além disso, chegar em Nergal não seria uma tarefa muito fácil. Se o velho tiver usado de feitiços para controlar a cabeça das pessoas, aÃ, de fato, tudo o que bastaria seria matá-lo, mas a única forma de descobrir seria testando a teoria.
– Deveria contar isso ao rei – ele concluiu. – Talvez possamos fazer algo a respeito.
– Vocês mal sobreviveram a um ataque de aviso – ela o encarou. – Seus médicos estão todos ocupados tentando salvar os feridos. Como exatamente espera que você e seus homens consigam chegar ao feiticeiro? Quantos de vocês ainda estão vivos?
– Pouco mais de três mil – ele desviou o olhar, envergonhado com a derrota.
– Contra o que, quinze mil? – ela indagou descrente. – É suicÃdio.
– Se Nergal é perigoso como você diz que é, eu não o quero vivo. É questão de sobrevivência. Primeiro Nopal, depois Annyala, Vesuvia, Galadia, e então quantos mais? Com um território desse tamanho, e com um exército tão grande quanto, quem conseguirá resistir a eles e por quanto tempo?
– Recuperem-se primeiro – ela insistiu. – Um povo ferido não tem forças para lutar, e vocês precisam de homens, armas e provisões. Precisam de aliados, e aliados poderosos. Isso ou… Bem… – desviou o olhar enquanto se levantava para jogar as bandagens velhas de Lucio em uma bacia.
– Ou… ? – Lucio e Valerius perguntaram ao mesmo tempo.
– Podem tentar se infiltrar no exército deles – estendeu a mão sobre a bacia, que se acendeu em chamas, surpreendendo ambos.
– Se juntar ao inimigo para descobrir suas fraquezas… – Valerius ponderou, o olhar distante sobre as chamas. – E eu sou o suicida?
– É apenas uma ideia. Vocês são espadas a venda, façam o que acharem melhor. Apenas entendam suas escolhas e saibam que se escolherem errado, pagarão com suas vidas por isso.
– Você é tão sinistra! – Lucio resmungou. – Podemos falar sobre outra coisa?
– Certo – ela deu de ombros. – Que tal falarmos sobre você descansar e comer direito para se recuperar mais rápido? – pôs as mãos na cintura.
– Que tal falarmos sobre você ir embora? – franziu o cenho.
– Pode apostar que eu irei, mercenariozinho de araque – estreitou o olhar da forma mais ameaçadora que pôde.
– Qual é o problema de vocês dois, hein?
– Seu amiguinho está agindo como criança, querendo dificultar as coisas. Se ele continuar assim, ficará mal e acabará morrendo – ela encarou Lucio.
– Quem você pensa que é? Minha mãe?
Uma risada involuntária escapou de Valerius, chamando a atenção de ambos.
– Nós dois sabemos que Belladonna ao menos se importa com você enquanto cliente dela – disse o moreno. – O mesmo não pode ser afirmado da parte da senhora sua mãe.
– Fecha o bico, cachaceiro – Lucio resmungou.
– Só se você se comportar, bode velho – o moreno retrucou.
– Parecem um casal de velhos – Belladonna revirou os olhos.
– E você é uma bruxa – o loiro se irritou. – Me encarando com esse olhar assassino!
– Deuses, me concedam paciência – ela tombou a cabeça para trás, suspirando. – Sabe o que mais? – ela se espreguiçou, esticando os braços e estalando o pescoço de um lado para o outro. – Eu gostaria daquela escolta que você ofereceu. Preciso pegar mais algumas coisas que estão acabando, mesmo, e de roupas. Por quanto tempo mais vai querer os meus serviços, Sr. Hildegard?
– Até o bode velho se recuperar – ele cruzou os braços, encarando o loiro.
– Eu não me esquecerei disso, pinguço – Lucio disse entredentes, virando a cara pela milionésima vez naquele dia, visto que não tinha forças para virar o corpo e dar-lhes as costas.
– Nesse caso… Posso reconsiderar trabalhar para vocês – entreolhou-os, no que os dois arquearam as sobrancelhas ao mesmo tempo. – Com uma condição.
– Além do pagamento pelos serviços? – perguntou Valerius.
– Preciso que confiem em minha experiência enquanto maga. Se eu lhes disser para erguer acampamento e ir embora, é o que farão. Se eu falar para seguirem caminho por determinadas estradas ou trabalhar para determinadas cidades, não hesitarão.
– Por que farÃamos isso?
– Porque se eu estiver trabalhando para vocês, usarei magia a seu favor e me certificarei de que não morrerão. Façam o mesmo por mim e iremos longe. O que me dizem?
Bastou que Valerius e Lucio se encarassem por meros segundos e trocassem um sorriso largo para que respondessem em unÃssono:
– Negócio fechado.














