DESPEDIDA Cansaço: aos meus olhos o mundo inteiro repousa. Vozes se apoiam nas paredes: sol vagabundo na secura do canto empoeirado. Sala oca: meu corpo macerado desfalece.
SSeton.
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DESPEDIDA Cansaço: aos meus olhos o mundo inteiro repousa. Vozes se apoiam nas paredes: sol vagabundo na secura do canto empoeirado. Sala oca: meu corpo macerado desfalece.
SSeton.

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Causos do Paço da Guanxuma: a prima de Berenice.
Pelas leituras de Caio Fernando Abreu, medíocre, mas com amor.
"Carrega-me contigo, Pássaro-Poesia
quando cruzares o amanhã, a luz, o impossivel"
- Fragmento de Hilda Hilst. Amavisse.
Quero que me tome pela cintura que me obrigue, que me cole na tua carne. Que teu suor escorra por entre os caminhos de meu corpo. Quero que me imponha teu cheiro. A barba, esses pelos de tua cara arranhando a minha cara. Essa minha cara em febre. Debruça-te sobre mim, rocha, vale. Desagua em mim teu oceano infinito. E da violência do teu querer, afoga-me, deixa-me morrer... Afoga-me...
SSeton.
O ventre oco o coração oco, sensação de coisa sem peso, de falta. O ventre querendo a umidade da boca. O ventre que expõe. E uma boca que se abre. A boca que expõe a língua. A boca e o ventre; mesa posta, morangos e amoras, frutos como carnes. O ventre, o coração e a boca. Sem peso.
SSeton
Há tanta gente escrevendo, que é como aquelas sessões em câmara de vereadores... O jeito é baixar a cabeça e sair de fininho, ou ficar calado até que se insinue uma pausa e ... De qualquer modo, eu cá fico no conformismo... Os que tem o que dizer e sabem como fazer, que o digam!
SSeton.

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E como é que se dá vida a todas essas pessoas dentro da minha cabeça? E não param nunca, como se movimentam, como sentem, como conversam entre si. Algumas de tão longe, outras de tão perto. Como é que se dá vida a elas?
SSeton.
Miniconto autobiografia um tanto... Não tem jeito, é como em "Um homem célebre" do Machado: ele nasceu para polcas e eu para o clichê.
SSeton
Que. Não existo para ser amada. Não tive nenhuma escolha. É o peso do meu corpo, e do meu coração. É meu passo que se arrasta no mundo como a puxar vales escuros onde ninguém habita. Não existo para ser amada. Não tive nenhuma escolha. A primeira mão em meu corpo cobriu-o de silêncio. é meu repasto de dor cotidiana como quem precisa saber que não tem morada neste mundo. Não creio no destino, nem mesmo nas escolhas. Creio no silêncio amargo, no sorriso imposto e pesado amarrotando o canto da boca. Creio nos olhos que se derramam salgados como o oceano corrosivo a lamber com sal as ilhas vazias. Olhos de vento manso. Não creio no destino, nem mesmo nas escolhas. Creio no medo confuso e desconfiado, no medo arfante no escuro, como criança fugitiva. Como criança escondida A espiar a vida movente que sorri do lado de fora. Não nasci para ser amada Não creio no destino Mas sei esperar: cintura presa, costas curvas, dando amor em silêncio.