Eu? Tô aqui! O mundo mudou, mas eu ainda não.
Por causa dessa história de isolamento social, vírus que mata, não saiam de casa, ninguém pega na mão de ninguém, algumas pessoas têm se mostrado um tanto sensíveis em relação a afastamentos. Algumas me mandam recado dizendo que estão com saudades, enquanto que outros apelam para sonhos, pressentimento, aperto no peito e coisas sensitivas desse tipo. Na boa? Eu continuo sendo o mesmo carinha de sempre, e, esse seu “afastamento” antes do afastamento, talvez seja o verdadeiro isolamento que nos incomoda. Nós éramos muito próximos. Mesmo distante, às vezes, nós estávamos sempre juntos. Eu torcia por você, você reclamava de mim, a gente se motivava, se queria, cuidava um do outro, mas de repente isso tudo acabou, e mudou o jeito como nos relacionávamos. Eu te conhecia tão bem e agora somos completos estranhos. Tão esquisito isso, não? Acho que se nos esbarrarmos na rua, deveríamos nos apresentar de novo. Eu não mudei, mas você mudou. Mudou sim, muito. Quer apostar? Se você decidir aparecer de novo vai perceber que tudo está no mesmo lugar. Eu continuo morando no nº 13 daquela rua sem saída. Meu celular é o mesmo com DDD 21 e final 59. Eu ainda não consigo comer legumes, frutas ácidas e feijão por cima do arroz, nem estou me esforçando. Continuo torcendo pro Bull's e pra Ferrari, aqueles lutadores americanos engraçados, e ainda detesto Football. Não larguei o vício em cafeína; ainda não bebo cerveja, mesmo com o plano diabólico dos meus irmãos para que eu largue o whisky. Ainda perco noites de sono jogando video-game, lendo ou me autodestruindo com pensamentos aleatórios sobre como eu poderia mudar completamente o que eu estou fazendo pra ficar ainda melhor e maior. Não acredito que você achou que um dia eu iria parar de escrever? Eu escrevo como quem troca de roupa. Teimoso? Perfeccionista? Procrastinador? Claro que sim, e ainda tenho pavor de ser esquecido. Ainda gosto de filmes de terror, de questionar o universo e aikido. Ainda continuo achando que minha alma ficou presa numa embolia temporal entre os anos 60-80. Continuo tendo dificuldade de falar de mim, de aceitar a idiotice dos outros e de responder perguntas retóricas. Enfim, eu ainda sou o mesmo. Por incrível que pareça, o mundo mudou, mas eu ainda não. Você não precisa me mandar recadinhos, ou tentar falar comigo pelas outras pessoas, chamar minha atenção de longe. Já pensou em aparecer por aqui? Posso não te colocar no lugar mais sagrado do meu coração, mas sempre vou te receber, e respeitar a importância que você teve pra mim. Mas tem uma coisa… nunca, em hipótese alguma, venha questionar o porquê mudei, pois, eu ainda sou o mesmo que você deixou pra trás por não te interessar mais naquele momento. 📚📝☕💭

















