POV TASK 01: OS INTERROGATĂRIOS
Os passos de Damien eram tranquilos conforme se dirigiam para a sala de interrogatĂłrios. Depois de muita discussĂŁo, convenceu o pai de que nĂŁo precisava de um advogado, a Ășltima coisa que queria Ă© que colocassem ele na lista de suspeitos por estar jĂĄ levando um advogado consigo em algo como um assassinato.
O corpo estava relaxado na cadeira conforme esperava o delegado Baptiste chegar para o interrogatório, coisa que não demorou mais do que um minuto para acontecer. O Léfevre só não esperava que o delegado estivesse acompanhado de outro policial, talvez para que tivesse uma pessoa a mais caso esquecesse alguma pergunta que poderia ser considerada importante.
Um breve aceno de cabeça foi dado pelo mais velho antes de sentar-se na cadeira vazia a frente do homem. O policial que o acompanhava copiou o gesto do superior e sentou-se ao seu lado, antes que este começasse a falar. - Senhor LĂ©fevre, nĂŁo demorarei muito, pode ficar tranquilo. Apenas o chamei aqui para tirar algumas dĂșvidas. - o tom formal e um pouco simpĂĄtico demais fazia com o Dan desconfiasse que seu pai tinha alguma coisa a ver com isso.
Sem problemas, delegado, nĂŁo tenho nada muito importante que pudesse me deixar irritado. - deu de ombros, completamente descontraĂdo. Algo que foi notado pelo colega de Baptiste e que aparentemente lhe irritara um pouco, visto que fechou um pouco a expressĂŁo. Um foda-se desse tamanho para ele, pensou Damien.
Certo. Vamos começar entĂŁo. - um pigarro foi dado pelo delegado, ajeitando a postura levemente enquanto levava uma olhada de canto de seu colega. - Onde vocĂȘ estava na data da morte de Victor?
Com o Aron. Eu estava ensinando ele a jogar Hades II que lançou recentemente, inclusive, recomendo bastante. - disse animado, um sorriso formando-se nos låbios ao lembrar do jogo que estava jogando no momento. Nem se lembrava de quantas vezes zerara o mesmo.
Uma anotação foi feita, acompanhada de uma expressão de reprovação. Aparentemente o delegado achava uma besteira aquelas coisas, bem, um foda-se para ele também, porque Damien achava tedioso as pessoas julgarem o que as outras gostavam - exceto se isso acabasse fazendo mal para alguém, então ai ele até começava a concordar.
Ok, vamos para a prĂłxima. Depois vamos conversar com o seu amigo e ver se Ă© verdade. - uma irritação maior, pois o dar de ombro de Dan nĂŁo passou despercebido. - VocĂȘ o conhecia? Como era a relação de vocĂȘs?
Ăramos colegas na fraternidade, nunca fomos muito prĂłximos. Eu passava mais tempo jogando do que realmente interagindo com o pessoal da casa alĂ©m do Aron, entĂŁo, nĂŁo tenho muito o que dizer sobre ele ou a relação que tĂnhamos. As vezes nos encontrĂĄvamos em alguma festa, conversĂĄvamos e bebĂamos, mas nada alĂ©m disso. - explicou calmamente, os olhos escuros correndo do delegado para seu colega que permanecia em silĂȘncio ao lado de seu chefe.
VocĂȘ sabia que Victor estava investigando a vida das pessoas que integravam a Kappa Phi na data do acidente de Fiona? Alguma vez foi procurado por ele? - finalmente uma expressĂŁo diferente de tranquilidade transpareceu no rosto de Damien... surpresa. Ele estava genuinamente surpreso com aquela informação e tambĂ©m intrigado. O que VIctor estava procurando de diferente do acidente?
Não fazia a menor ideia de que ele estava investigando o acidente com a Fiona. - respondeu depois de alguns segundos absorvente a informação. - E não, eu não fui contatado por ele nenhuma vez desde que nos formamos. - estava curioso agora, mas não deixaria que soubessem, iria começar a usar as habilidades que aprendeu com alguns colegas de fóruns de jogos... começaria a tentar revirar arquivos sigilosos para saber o que Victor poderia ter descoberto.
VocĂȘ sabe o que aconteceu no dia do acidente de Fiona? Acha que foi apenas um acidente? - a pergunta foi direta. Aparentemente a paciĂȘncia de Baptiste com Damien estava chegando ao fim, mas ele nĂŁo demonstraria aquilo por medo de seu pai.
Sei o que foi passado por vocĂȘs. - disse erguendo uma sobrancelha para o delegado. Pergunta esquisita, serĂĄ que tinham mais alguma coisa suspeita? NĂŁo foi acidente? Estavam escondendo aquilo por qual motivo? Bom, ele agora estava querendo descobrir tambĂ©m. - AtĂ© agora eu achava que tinha sido mesmo. Mas com essa pergunta que vocĂȘ fez, eu jĂĄ comecei a duvidar tambĂ©m. - soltou sem pensar muito, era algo que sempre acontecia com ele e que jĂĄ nem ligava mais para as consequĂȘncias que poderia acarretar.
O cenho do delegado foi franzido, assim como o do policial ao lado dele - ainda nĂŁo conseguira ler o nome no distintivo, o que era uma merda. - Certo... vamos para a prĂłxima pergunta. - as palavras saĂram devagar, quase como se estivesse se arrependendo de ter perguntado aquilo. Damien era esperto, mais do que Baptiste gostaria e o delegado sabia daquilo. - Acha que Victor tinha motivos para desconfiar que alguĂ©m tinha causado o acidente?
Novamente, nĂŁo faço a mĂnima ideia do que Victor poderia estar pensando jĂĄ que nĂŁo falava com ele. - o tom de voz saiu meio Ăłbvio, fazendo com que o delegado ficasse vermelho, se era raiva ou vergonha, o homem nĂŁo tinha como saber.
Qual motivo ele tinha para achar que vocĂȘ estava envolvido? - mais uma vez, pergunta direta. Realmente o delegado queria mandar logo Damien para casa.
De novo: eu nĂŁo faço a mĂnima ideia. - precisou de muito autocontrole para nĂŁo xingar novamente o delegado ou falar que a pergunta dele estava sendo idiota demais para ser respondida. NĂŁo queria ser preso por desacato.
VocĂȘ foi procurado por Victor nos Ășltimos anos? - a postura do delegado jĂĄ indicava que aquela era a Ășltima pergunta que ele faria aquele dia ou pelo menos para Damien. Talvez o irritara o suficiente para ser riscado da lista de suspeitos.
Puta merda, pensou o LĂ©fevre, de novo a mesma pergunta? A polĂcia era tĂŁo sem criatividade assim? - Mais uma vez, nĂŁo falo com ele desde a faculdade. Mesmo ainda morando em Des Moines, eu nĂŁo saio muito de casa, jĂĄ que trabalho com computadores.
Muito bem, senhor LĂ©fevre, acabamos por hoje. Pode ir, apenas vou pedir que fique disponĂvel caso precisemos falar com o senhor novamente. - assim que o delegado terminou a frase, jĂĄ se levantou e preparou-se para sair acompanhado do idiota que nĂŁo abrira a boca durante todo o tempo. Parecia uma mĂșmia ao lado do superior.
Quase que em um salto, Dan levantou-se para poder ir embora e começar a fuçar o que Victor poderia estar desconfiado. Quem sabe acabava encontrando alguma coisa Ăștil, talvez algo que a polĂcia nĂŁo tivesse deixado pĂșblico.
















