a delegacia tinha o cheiro frio do concreto lavado, misturado a traços de café e papel velho. lâmpadas fluorescentes lançavam uma luz dura sobre as paredes amareladas, refletindo-se nos vidros das janelas gradeadas e no grande espelho de observação. cada clique distante de teclados, cada passo ecoando nos corredores, acrescentava uma pulsação nervosa ao ambiente. o ar estava pesado, carregado de tensão não dita. os policiais circulavam com passos calculados. um deles anotava em bloco de notas com mãos firmes, o lápis arranhando o papel como lâmina. outro ajustava a gravata, inclinava-se sobre a mesa, cruzava os braços, o olhar afiado perseguindo cada movimento dela ao chegar. a divisão era clara, havia o que sorria educadamente, inclinando-se para frente com expressões compreensivas, anotando detalhes e tentando ganhar confiança, o clássico good cop. e do outro lado, o que gesticulava mais, falava em tom ríspido, franzia a testa, paciência escassa e a postura rígida, o bad cop. cada um reagia a ela à sua maneira, mas nenhum escapava do controle sutil que ela já exercia sobre o espaço.
havia um brilho odioso que cruzava o olhar de ezra. imersa em tudo que acontecera nos últimos dias, a convocação fora uma surpresa. nada que não pudesse ser resolvido pela sua já conhecida extensa equipe de advogados. uma ligação, e ainda que não houvesse seu favorito disponível, mandariam-lhe sua segunda favorita. estava impecável como sempre. o vestido polido, sobretudo, jóias bem colocadas adornando o corpo, perfume intoxicante, os olhos estreitos como os de um felino. ela não tinha tempo para aquilo. até onde sabia, deveria ser o marido o responsável pelo desaparecimento; afinal, não era sempre esse o primeiro suspeito em casos de desaparecimento? ela não se preocupava; se protegia debaixo de seu álibi bem fornecido, fotos compartilhadas com contatos que mantinham um rastro detalhado de onde estivera. mas nada disso significava que entregaria de mão beijada um depoimento gravado.
quando a advogada, loira, brilhantes e profundos olhos azuis de sorriso traiçoeiro abriu a porta, ezra deslizou para dentro. o olhar varreu os policiais, demorando-se sobre o espelho, como se buscasse o encontro de olhos de quem a observava do outro lado. acomodou-se na cadeira, cruzando as pernas, recostando-se, respirando com a lentidão calculada de quem controla até a própria ansiedade.
este depoimento será gravado. comece nos dizendo… nome completo, idade, nacionalidade, profissão.
os olhos do bad cop estreitaram-se, avaliando cada gesto, cada reação de sua face. o good cop inclinou-se para frente, apoiando os cotovelos sobre a mesa, mãos entrelaçadas. seus lábios se curvaram em um sorriso contido, educado. “ezra blake avgeropoulos, trinta anos. inglaterra, worcester… e, negociadora corporativa.” sucinta, pomposa, impenetrável. a mente dela já vagava para outras coisas, enquanto a sala registrava cada sílaba.
como estava o começo da festa? divertido? tenso? notou algo estranho?
a advogada assentiu, dando a permissão para que seguisse e continuando a postura protetora como um escudo. ezra nem havia olhado para ela antes de responder, como se apesar de sua presença, não necessitasse de seu aval para deliberar o que responderia. “me pareceu agradável, mas não posso falar por todos os convidados.” um dar de ombros delicado fechava a frase, irritando sutilmente os policiais que esperavam mais detalhes.
onde você estava na madrugada do dia 4 de setembro, entre 3h e 6h da manhã? tem um álibi que pode ser comprovado?
ezra se calou, sorriso leve nos lábios, e a advogada, firme como rocha, falou: “minha cliente se reserva o direito de não responder essa pergunta.” cada tentativa seguinte recebeu a mesma resposta. “minha cliente se reserva o direito de não responder essa pergunta.” o bad cop apertava a caneta, franzia a testa, respirava fundo, enquanto o good cop inclinava a cadeira, buscando quebrar a barreira com gestos e palavras suaves. mas nada, cada insistência apenas realçava a precisão do escudo de ezra.
o que está fazendo em santorini? depois do casamento, quais eram os seus planos?
ela ergueu um dedo, interrompendo a advogada, jogando migalhas aos policiais. “tenho um contrato a ser fechado com algumas empresas que estão aqui presentes. por ora, até a conclusão destes, suas identidades são preservadas. mas não estou aqui em férias, se ficar mais claro.”
as perguntas seguintes sobre o labirinto, thea argyros, buscas nos aposentos ou celulares, culpabilidade ou medo… todas recebiam o mesmo bloqueio. a advogada repetia com precisão robótica: “minha cliente se reserva o direito de não responder essa pergunta.” cada repetição arrancava suspiros contidos, olhares irritados, gestos impacientes. os policiais anotavam, murmuravam entre si, trocavam olhares. o bad cop bufava discretamente, enquanto o good cop tentava sorrir. ezra permanecia ali, impecável, felina, controlando o tempo, o espaço e a narrativa. nada, absolutamente nada, daquela sala a atingia mais do que a certeza de que nenhum detalhe seria entregue sem seu consentimento e a presença de sua advogada. ela verificou seu relógio, se levantou, e antes que eles anunciassem, ela mesma os cortou, com um sonoro. “acredito que estamos encerrados por aqui. em dúvidas, podem entrar em contato com minha equipe.” ela meneou a cabeça para a advogada, que prontamente os entregou o cartão corporativo. e tão elegante quanto havia entrado, marchou para fora, deixando apenas o som dos seus saltos para os que ocupavam a delegacia.
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mesmo por detrás dos óculos escuros de lente fumê, era impossível não captar a expressão de desdém que moldava seu rosto. observava o ambiente ao redor como se tivesse sido forçada a atravessar um brechó malcheiroso; paredes manchadas por infiltrações, arquivos empilhados sem ordem aparente, o som constante de um telefone que ninguém atendia, o estalar de chiclete vindo de uma escrivã encostada na mesa ao fundo. cada detalhe lhe parecia um insulto à sua presença! mas ali, estava também a sua maneira inconsciente de se distrair do fato de que estava prestes a prestar depoimento. depreciar o espaço, zombar em silêncio, sentir-se superior.
o contraste era gritante. hazal caminhara até a sala com o perfume adocicado deixando rastro pelo corredor, cabelos ruivos soltos e brilhantes caindo sobre os ombros nus. o vestido branco, ajustado à cintura e em camadas delicadas que lembravam babados de organza, tinha um corte elegante e ousado ao mesmo tempo, deixando parte da coxa exposta a cada passo. a fenda lateral dava um ar quase festivo, como se estivesse pronta para um coquetel, não para uma delegacia. o bracelete dourado no pulso reluzia sob a lâmpada fria, e o pequeno clutch de pedrarias parecia uma provocação contra as pastas de couro puído espalhadas pela sala. sandálias finas, douradas, tilintavam discretamente a cada movimento. ela queria até dizer que havia sustentado look porque branco passava sinal de inocência… mas em algum lugar em sua intenção se perdera por completo.
ao seu lado, grimmes, seu advogado substituto, compunha um quadro oposto. terno escuro de alfaiataria impecável, gravata discretamente alinhada, sapatos engraxados que refletiam a luz fraca da sala. havia nele uma precisão calculada, cada movimento controlado; a própria rotina da advocacia era um espetáculo a ser executado. mesmo sentado, mantinha a postura ereta, mãos unidas sobre o joelho, apenas o polegar roçando o punho da camisa de quando em quando. observava mais do que falava. afinal, ele e hazal tinham um histórico: não se suportavam.
à frente, o policial responsável pelo interrogatório parecia já sem ânimo antes mesmo de começar. era um homem de rosto quadrado, bigode mal aparado e olheiras profundas que denunciavam noites mal dormidas. os ombros largos curvavam-se para frente carregando o peso de demasiados depoimentos inúteis, advogados pomposos, ricos irritantes. girava uma caneta entre os dedos, sem disfarçar o tique de impaciência, e mantinha um bloco de anotações à frente, já meio amassado. tinha lidado com damian horas antes, pelo que ela sabia, e agora enfrentava a sensação de que perderia novamente tempo precioso.
“este depoimento será devidamente registrado em gravação.” a voz dele soou firme, ainda que atravessada por um cansaço arrastado. fitou hazal por cima do papel, como quem já antecipava a dor de cabeça. “comece informando, para constar: seu nome completo, idade, nacionalidade e profissão.”
o policial manteve os olhos sobre ela por alguns segundos, depois baixou lentamente a cabeça para anotar. murmurou, num tom seco o suficiente para ser ouvido: “influencer… claro.” grimmes não respondeu, mas o modo como ajeitou o punho da camisa, sem tirar os olhos da mesa, carregava um achar graça do deboche no tom do policial. pareciam secretamente concordar. ei, não era para ele estar de seu lado? “como estava o início da festa?” prosseguiu o policial, sem muito rodeio. a caneta batia contra o papel no ritmo da própria irritação. “divertido, tenso? percebeu alguma movimentação fora do normal?”
a demirci ajeitou-se na cadeira, cruzando uma perna sobre a outra com toda a delicadeza ensaiada, o tecido do vestido acompanhando o gesto como uma onda branca. “ham… hazal safiye sönmez demirci… mas você pode me chamar só de hazal.” esticou a mão num gesto automático de simpatia, exibindo o sorriso perfeito. percebeu o constrangimento da própria iniciativa e logo recolheu os dedos, limpando a garganta, evitando encarar grimmes para não encontrar a reprovação silenciosa. “vinte e seis… e logo logo vinte e sete! sou de istambul, turquia, e trabalho como influencer.”
hazal inclinou a cabeça, as unhas pintadas batendo levemente contra a haste do óculos de sol que segurava os cabelos ruivos. “na verdade eu e damian nos atrasamos. só cheguei depois da cerimônia… foi memorável, sabe? demos um pulinho em outro lugar. sagrados sejam os heliportos, não é mesmo?”
o policial apertou o maxilar, apoiou-se no encosto da cadeira e esfregou o rosto com uma das mãos, como quem tentava recuperar a paciência. “senhora demirci… não estamos conduzindo uma entrevista de lifestyle. mantenha-se objetiva.”
ela apenas sorriu, como se fosse um elogio. grimmes, ainda sem alterar o tom, interveio com naturalidade: “a resposta foi objetiva, senhor. registrou-se que minha cliente chegou após a cerimônia, ponto que atende ao que lhe foi questionado. prossiga, por favor.” ah, então ele estava de seu lado, afinal! seguia só ostentando o sorriso, enquanto quase conseguia sentir o olhar flutuante de oscar em desagrado pelo seu excesso de charme. ela estava tentando seu máximo…
a tensão ficou suspensa por um segundo antes que o policial se inclinasse de volta, retomando. “onde a senhora estava na madrugada do dia quatro de setembro, entre três e seis horas? existe algum álibi verificável?”
a ruiva ajeitou-se, respirou fundo e respondeu com a cadência que ambos haviam ensaiado por longos minutos antes de chegar para o depoimento. “encontrei-me com o meu advogado, oscar brackenridge, próximo ao labirinto. discutíamos trâmites legais, contratos, implicações… coisas… e que não deu bem para resolver no meio da festa. estou expandindo minha marca, entende, policial?” o sorriso final parecia um recado para câmera, não para a polícia.
o policial riu baixo, seco, quase sem humor. “reuniões contratuais às três da manhã. criativo.” disse, deixando a frase pairar no ar como veneno. grimmes inclinou-se levemente para frente, a voz firme, sem perder a compostura. “insinuações não constam em registro oficial. limite-se a anotar os fatos, ou interrompo o depoimento imediatamente.” o policial sustentou o olhar por alguns segundos antes de soltar um “hm” e virar a página. “a senhorita conversou com alguém na manhã seguinte, antes da chegada da polícia?”
“sim. damian estava no meu quarto… gostamos de dormir juntinhos. ele disse que viria mais cedo, você pode ter o conhecido!” a ruiva sorria, com uma inocência pairando pelo olhar. só deixava de fora que havia visto também oscar, mas não havia sido exatamente pela manhã...
o policial ergueu uma sobrancelha, sem anotar de imediato. deixou o silêncio se alongar como quem queria forçar nervos. “interessante. conveniente, até.” grimmes cruzou as mãos novamente, voz calma mas cortante. “registre apenas a resposta, não o seu juízo pessoal.” a caneta voltou ao papel, arranhando rápido, e logo outra pergunta veio, carregada do cansaço da insistência. “e o que a senhora está fazendo em santorini? depois do casamento, quais eram seus planos?”
hazal inclinou-se um pouco para frente, voz animada como se falasse para seguidores em vídeo. “então, de acordo com a última edição da vogue, santorini é um dos próximos trending topics. mitologia grega, toda essa estética… e como estou trabalhando na expansão da minha marca, pensei que seria perfeito produzir conteúdo aqui em primeira mão. esses eram meus planos!”
o policial resfolegou, tamborilando a caneta contra o papel. a pergunta seguinte veio seca. “lembra-se do momento exato em que viu a senhora argyros pela última vez? acredita que seja possível que ela tenha planejado sumir sozinha?”
ela franziu os lábios, pensativa por um instante. “mal a vi. como cheguei depois da cerimônia, só a captei de relance. bem bonita, não? será que se arrependeu?” comentário saiu como quem não pensava muito sobre, e então ela se lembrou que ele era também um candidato a prefeito. a caneta caiu sobre a mesa com um estalo alto, arrancando alguns olhares curiosos da sala ao lado. o policial respirou fundo, claramente à beira de perder o controle. grimmes, sem se mover um centímetro, apenas girou discretamente o anel no dedo, a voz baixa e precisa. “perguntas especulativas não competem à minha cliente. registre apenas o fato de que o contato visual foi breve.” a resposta ecoou seca, restando apenas o som distante de um telefone que ainda tocava.
“há algo que tenha visto, ouvido ou suspeitado, que não foi perguntado até aqui?” arriscou o policial, como última tentativa de cavar algo. grimmes ergueu a mão com calma, semicerrando os olhos, a expressão tão polida quanto intransigente. “essa pergunta é arbitrária. minha cliente não irá respondê-la.” e hazal só assentiu, como se concordasse e soubesse do que ele falava.
“permitiria que investigássemos seu quarto de hotel? e seu celular?” insistiu ele, já quase num tom de desafio. o advogado interceptou de imediato, firme como lâmina. “em nenhuma hipótese. qualquer acesso só será possível mediante mandado judicial. fora disso, a negativa é absoluta.”
o policial, já resignado, recostou-se na cadeira, soltando o corpo pesado contra o encosto. mas ainda buscou, num último suspiro de provocação: “se estivesse no lugar de quem a sequestrou, onde esconderia a vítima?” grimmes fechou a pasta à sua frente com precisão quase cerimonial, em risada discreta anasalada, levantando-se em seguida. “o depoimento da minha cliente está encerrado. se houver continuidade, que seja dentro dos limites da lei.”
a sala mergulhou em silêncio. o policial apenas girou a caneta mais uma vez entre os dedos, encarando-os sair. hazal, com seu perfume doce e passos leves, parecia deixar atrás de si uma aura deslocada, atravessado a cena sem jamais realmente pertencer a ela. tinha certeza que ainda ouviria sobre aquele depoimento quando chegasse em seu hotel. então só fez uma careta para o advogado, e virou-se para ir em direção oposta logo que encontraram a saída.
Não poderia dizer que foi a primeira vez, pois Hadrian viu essa mesma situação se repetir em alguns vários momentos da própria carreira — Oscar que o diga. Porém nunca foi considerado suspeito de algo envolvendo desaparecimento ou assassinato, deixando suas passagens na polícia reservadas a somente invasões de terrenos privados e as muitas vezes que atravessou fronteiras de forma ilegal. Brigas de bar também, mas essas já era solto antes mesmo de chegar a passar muitas noites na delegacia.
De qualquer forma, lá ia ele sem opção de negar. Pegou a primeira roupa preta que viu no bagunçado armário, com a postura e semblante fechado de sempre quando não precisava fingir simpatia. Teve que retirar os óculos escuros ao entrar na delegacia, já sabendo que teria perguntas sobre o rosto inchado. Mas se ateria ao que fosse perguntado, somente. Por fim, respondeu:
"Hadrian Ashford, trinte e sete anos, inglês, historiador e arqueólogo. Abro mão da presença de advogado"
Colocou a mão por cima do próprio colo com os dedos entrelaçados. Apesar da evidente olheiras de canseira, iria cooperar o quanto podia para ir embora logo. Em sua mente, não passa de uma mera formalidade e nada lhe tira da cabeça que foi o próprio marido que sumiu com a mulher.
Como estava o começo da festa? Divertido? Tenso? Notou algo estranho?
Normal para um casamento. Nada de estranho, pessoas felizes e conversando.
Tenso estava ele próprio, não chegou nem a reparar muito nos outros convidados. Totalmente contrário desse Hadrian de hoje, que sabia bem como se portar na frente de autoridades e segurar os maneirismos nas mãos entrelaçadas. Sem dar de ombros nem nada, somente a cara de paisagem.
Qual sua relação com os noivos?
Nenhuma, somente estou no hotel e conheci Horace por acaso ao visitar uma escola da região.
Estava na escola por qual motivo?
Sou professor, fui chamado para dar uma aula rápida sobre mitologia local.
Apesar da pouca relação com os noivos, qual foi o pretexto para aceitar o convite ao casamento?
Por educação.
Porque era um idiota, isso sim. Nunca mais deixaria ser levado pelos amigos dessa forma.
O que está fazendo em Santorini?
Trabalhando.
Supostamente. Se contar o quanto ficou rodando por essa cidade enchendo muitas cadernetas com escritos espaçados, realmente estava trabalhando.
Pode discorrer mais sobre isso?
Estou terminando um livro sobre relíquias da Grécia.
As perguntas insistiram um pouco mais sobre a temática, mas Hadrian cortou o assunto ao retrucar que se reservava ao direito de permanecer calado devido a confidencialidade das informações.
Depois do casamento, quais eram os seus planos?
O eram seus planos te pegou um pouco, tendo que engolir um suspiro entrecortado que queria sair. Aquela confirmação de que seus próprios planos estavam arruinados por conta daquela história toda chega o tom saiu mais ríspido. Novamente, sem querer ser insensível, mas puta que pariu.
Uma conferência em Atenas na quinta-feira no qual tinha a intenção de ir.
Os machucados parecem recentes. O que aconteceu? Foi durante ou após o casamento?
E chegou a hora do grande elefante branco na sala, o qual ele sabia que algum momento teria que responder sobre. Tudo bem, já estava esperando. Sequer moveu um dedo na expressão facial para responder.
Eu briguei com um cara.
Se ateu ao básico, mas sabia que não seria o suficiente. Os policiais pediram mais detalhes, motivações, nomes e repetiram a pergunta: durante ou após o casamento? Era óbvio que Hadrian não apareceria assim para a cerimonia e que não podia dizer que foi após - principalmente por Alexander ser um dos acusados divulgados. Se isso te coloca-se na lista de suspeitos de alguma forma, ficaria PUTO de verdade. Não conhecia o cara o suficiente, só achava ele um merda e sempre tinha aquele sentimento sanguinário quando o via. Se podia ser um sequestrador? Talvez, vai saber. Sabia que Vivian era uma advogada bem boa para defendê-lo, ele não ia ficar manejando palavras para encobrir quem nem gosta.
Alexander Crowther @drakonianwar
Foi na praia, após a noiva jogar o buquê.
Estava bêbado, ele também. Rolou uma briga e foi isso.
Motivação, insistiam. Provavelmente pela relação direta de Alexander ali no meio e por que um professor se meteria com um lutador profissional. Batia um pouco na sua cabeça a vontade de jogar o quão o lutador era um surtado que tentou te matar, ainda que Hadrian claramente tivesse pedido por aquilo. Na posição que o outro estava, provavelmente seria muito mais uma vítima na história toda. Ao mesmo tempo, não queria ferrar mais a vida de Vivian em complicar o cliente dela com coisa que nem tinha relação com o caso. Que dilema ético hein. Ter nas mãos a cartada para contribuir com foder a vida de Alex assim, mas decidir não fazer. Esperava não se arrepender disso no futuro, mas faria isso por ela.
Ele ficou com uma ex minha. Foi pura briga de ego e bebida, só calhou a coincidência de estarmos no mesmo lugar.
Tem problemas com bebida, Senhor Ashford?
Pela primeira vez, se endireitou na cadeira. Era meio difícil assumir o óbvio em voz alta.
Sim.
Onde você estava na madrugada do dia 4 de setembro, entre 3h e 6h da manhã? Tem um álibi que pode ser comprovado?
Bêbado e no meu quarto. Tenho dois amigos que me levaram pra lá, mas tem as câmeras da recepção também.
Pode nos falar os nomes?
Joshua Harlow @joshsharlow e Edmund Altmann @controlalted
Conversou com alguém na manhã seguinte antes da polícia chegar?
Os mesmos amigos.
Agora sim mentiu, porque não colocaria o nome de Ezra na rodada. Sabia que provavelmente ela não responderia nada daquilo por ter alguma advogado caro para responder por ela. Se coloca-se teu nome no jogo tudo bem, depois lidaria com as consequências. Ainda sim manteria o dela oculto o tanto quanto possível.
Durante a festa de casamento, você chegou a passar pelo labirinto? (...} estava com alguém?
Só de vista, não cheguei a entrar.
E novamente mentiu, ocultando traços da Ezra da sua noite para não compromete-la em nada se aquele assunto da briga fosse escalado para alguma coisa. Não que aposta-se nisso, mas iria protegê-la o quanto possível. Foi bem discreto ao sair do labirinto após seu momento com ela, assim esperava pelo menos.
Em que momento e local você viu Thea Argyros pela última vez?Acha possível que ela tenha planejado sumir por conta própria?
No momento do buque. Não sei, não conheço ela.
Se na noite de núpcias a pessoa que casou te deixasse vagar invés de transar a noite toda, com toda certeza também fugiria. Mas ai é ele, vai saber o que se passava na cabeça da mulher ou do talvez-psicopata-marido.
Há algo que tenha visto, ouvido ou suspeitado e que não tenha sido perguntado até aqui?
Não.
Você permitiria que investigássemos os seus aposentos no hotel? E seu celular?
Com mandado, claro.
Ah pra porra que ia deixar vasculhas suas coisas de graça assim. Mas com mandado, não costuma contestar muito não. Não esconde nada, sua vida é bem aberta como um todo, mas tem muitas pesquisas confidencias que guarda no notebook.
Se você estivesse no lugar de quem a sequestrou, onde a esconderia?
Não sei, não tenho boa capacidade de interpretação de personagens.
Pergunta doida.
Se soubesse quem é o culpado, contaria agora ou esperaria que a polícia descobrisse?
Se eu soubesse algo, já teria falado.
Outra pergunta doida. Estavam tentando pegar alguém no pulo ou?
Tem algo que está escondendo por medo das consequências?
Não.
Literalmente, um livro aberto. Parecia que demoraram horas ali, para o que achou que seriam poucos minutos.
Com um "é isso por hoje" Hadrian deu um sorriso forçado e se pôs para fora, colocando novamente os óculos escuros até andar para a SUV alugada. Ficou bem implícito que sair da cidade por hora ainda não era uma opção, já se sentindo ferver em raiva com a quantidade de telefonemas que teria que dar para justificar sua ausência. Não é de se arrepender de decisões passadas, mas realmente deveria não ter ido naquele casamento. E talvez deveria pedir uma indicação de um novo advogado temporário.
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With this event and task, the vibes are going to be a little different. This is going to be an interactive task. Obviously, different characters are going to have different reactions to going through a haunted house - different levels of fear and curiosity, different amounts of attention paid to detail.... And they have choices they can make as they go through the haunted house. What they don’t know - and what you don’t know - is that some of those choices may result in different pieces of information that your characters uncover, some of which may help them with solving the mystery of what exactly happened to THE GOLDEN GIRL.
Some choices they may have to make through THE HAUNTED HOUSE are:
Consent is always the most important thing, so before they even go in - do they indicate that they don’t want to be touched/interacted with at all ?? Those who don’t want to be grabbed/interacted with on that level will have a glow bracelet to put on their wrist so any cast members are aware of their wish to be left (mostly) alone. No promises they won’t be scared still though....
Either way, they have to go through the haunted house to get to the party. Is your muse going to put their head down and go through as fast as possible to make it to the drinks and dancing ?? Or are they going to have some fun exploring ??
Now, if they are okay being grabbed...what would their reaction be ?? Would they scream ??
Check out our ogden-inspo post for some of the aesthetics of the haunted house....would they go through the chain hallway (careful of being grabbed !!! ) or would they dare try to make it past the ghoul on the stairs ??
Would they be curious enough to try and get a better look at the haunted bride or would they take a closer look at the threatening message on the mirror ??
Now, perhaps not the most appropriate, but there are missing persons posters decorating one of the rooms in the haunted house...does your muse go look closer, or do they choose to ignore the tongue-in-cheek joke ??
Last but not least, I don’t know who would be dumb - sorry, brave enough to open the door marked “UR NEXT” but .... is it your muse ??
This task can be approached however you would like, but I would recommend writing a self para of their journey through the haunted house - it can be as short as you want, but reminder that some of the choices they make may result in them getting information on motives, secrets, or Greer in general.
The way this will work as after the task due date, those who chose something that will unlock information (which choices will you’ll have to wait and find out....) will receive a submit with exactly what was uncovered. What they choose to do with that information afterwards is up to the muse.... And obviously, feel free to write other threads in the meantime, since submits won’t be going out till Sunday/Monday !!!
AS ALWAYS, a reminder that this should NOT reveal your characters motive. And as always, if you have any questions, feel free to ask in the discord or send over a DM !!!
Please complete the task by THIS SUNDAY, NOVEMBER 13TH - while not required to do it, remember that how they go through the haunted house may get them some insight into the mystery surrounding GREER MORRISON....