Não é Tara Perdida, é Punk Rock de valor Acrescentado | Reportagem Completa
Punk celebrado no Hard Club com muita intensidade | mais fotos clicar aqui Já pouco tempo falta para a comemoração de 30 anos da existência dos Tara Perdida, será em junho do próximo ano que tal data será celebrada. Acredito que será um momento muito especial desta formação mítica do panorama musical nacional. Pela sua carreira, pelo impacto na música portuguesa e por tudo o que representam era imperdível a oportunidade de os ver ao vivo. Tal chance surgiu e foi com muito gosto que marquei presença na passada sexta-feira, dia 15 de março no Hard Club na Cidade Invicta.
Desde 1995 a história do punk rock português confunde-se também com os Tara Perdida. Para tal contribuiu imensamente João Ribas, músico falecido em 2014 de doença respiratória aos 48 anos. Enquanto viveu incorporou o espírito punk como ninguém como músico, vocalista, compositor e letrista. Antes dos Tara Perdida esteve envolvido em outros projetos nos anos 80: Cu de Judas e os Censurados. A sua memória foi invocada e celebrada nesta noite no Hard Club, como não poderia deixar de o ser. Assim será enquanto os temas forem tocados ao vivo.
Casa cheia para Tara Perdida no Hard Club | mais fotos clicar aqui ‘Vida Punk’ é o álbum mais recente dos Tara Perdida editado em março de 2023 no qual os temas mais emblemáticos da banda são cantados por Ruka: guitarrista e um dos pioneiros do projeto. Dá lema à recente tournée “Vida Punk Never Dies” teve já passagem pelo Casino Estoril a 8 de março e continuará em Leiria no Stereogun a 23 de março.
A sala 1 do complexo portuense do Hard Club registou uma presença massiva de fãs devidamente munidos das suas t-shirts, com os clássicos 'badges' da banda tingidos de cor branca em t-shirts pretas. O habitual portanto. Houve pouco movimento na primeira meia hora depois da abertura sendo que estes fãs compuseram a sala de forma massiva, quase totalmente lotada, nos últimos 20 minutos prévios à hora marcada para o início do espetáculo.
Gritos de "bora" entoaram pela sala já depois das 22h na antecâmara da entrada do quarteto. Atualmente a formação lisboeta conta com Rui Costa (Ruka) como vocalista, Tiago Silva (Ganso) na guitarra, Pedro Rosário (Kistos) na bateria e Filipe Sousa no baixo. Este último faz parte do quarteto desde 2020.
Tara Perdida no Hard Club | mais fotos clicar aqui A formação lisboeta tem também fãs no norte, o alcance deles é mesmo a nível nacional. Presença maioritária de público masculino adulto e maduro com um belo contraste de um bem visível travo feminino.
As luzes baixaram às 22:10 horas e foram entoados primeiros cânticos de “Tara Perdida, Tara Perdida” da noite. Algo recorrente por entre temas. "O que é que eu faço aqui" não era dúvida para nenhum dos presentes e certamente que todos descobriram as razões da escolha. Ao terceiro tema: “Sentimento ingénuo”, já todos os “motores” estavam devidamente aquecidos. Toda a gente a procurar desfrutar do concerto e da noite. Em palco com garrafas de cerveja na mão, na plateia com copos marcados com o logo do Hard Club cheios de cerveja.
Vocalista e guitarrista: Rui Costa (Ruka) | mais fotos clicar aqui “Eu não sou de ninguém!” refrão de “Realidade” foi entoado a plenos pulmões com um êxtase fora do normal.
Por entre os temas "Jogar de novo e arriscar", "Baril" e "Vou Pra Longe" houve um momento de interlúdio com alguns acordes de “Contentores” dos Xutos & Pontapés.
“Batata frita pala pala, é uma tara de sabor” deu apenas em fome para um mosh pit bem animado e entretido no qual o pessoal abriu alas a pedido de Ruka.
“Vocês curtem para car#lho" disse o vocalista visivelmente satisfeito pela animação demonstrada pelo público nortenho antes da interpretação de “Acreditar (Força de libertação)”. Efetivamente o pessoal todo estava imbuído do espírito punk e a viver cada tema de forma imersiva, com as letras devidamente na ponta da língua e cantadas em todo o seu esplendor.
Tiago Silva (Ganso) na guitarra | mais fotos clicar aqui O primeiro momento para as redes sociais surgiu com “Lisboa”, faixa perfeitamente reconhecida mesmo para quem não é fã. Os smartphones estiveram ao alto na amostragem ao vivo deste momento. Diga-se, em abono da verdade, este público não abusou no uso dos aparelhos eletrónicos, esteve bem mais preocupado em vivenciar o concerto.
Por entre instantes com mosh pit e até crowdsurf por parte dos mais corajosos, incluídas mulheres, a performance ia entrando na sua reta final. Depois de “Desalinhado” o quarteto saiu e teve uns longos instantes fora de palco. Este público não regateou esforços para terem o merecido encore.
Filipe Sousa no baixo | mais fotos clicar aqui No regresso houve outro tema épico: “Nasci Hoje”. Foi o segundo momento para as redes sociais, quiçá até mais forte e áureo do que com “Lisboa”. Ruka, Tiago Silva, Pedro Rosário e Filipe Sousa tiveram uma pose bem sóbria rubricando uma performance muito bem conseguida. Final de concerto às 23:24h com a foto de família ao som de “Lisboa”. Um registo ao vivo marcado na memória de todos os fãs presentes, isso foi notório no final.
Reportagem fotográfica completa: Clicar Aqui
A animação foi constante e o crowdsurf também | mais fotos clicar aqui Texto: Edgar Silva Fotografia: Jorge Resende












