CapĂtulo 34 â NĂŁo Ă© errado se te faz bem
- O que vocĂȘ disse? â Perguntei me afastando e o PH me olhou desconfiado.
- Que eu te amo...?
- NĂŁo isso. A segunda parte. â Eu disse brincando e ele deu risada.
- Como vocĂȘ Ă© besta. â PH me beijou. â Sabia que vocĂȘ jĂĄ disse que me ama?
 Arregalei os olhos e franzi a testa.
- Que mentira! â Eu disse e ele deu risada.
- Ă sĂ©rio! VocĂȘ disse dormindo uma vez... Mas eu nĂŁo te contei porque eu queria ser o primeiro a falar.
 PH disse e fez biquinho fechando os olhos, esperando eu beijå-lo. Cruzei os braços e dei risada.
- Que desculpa mais esfarrapada!
 Ele abriu um dos olhos e sorriu.
- Ah, qual Ă©? Foi uma ideia bonitinha... Seria legal se fosse verdade...
 Fiquei o encarando e sorrindo. Ainda não acreditava que eu tava namorando o Pedro Henrique. O suposto sujeito que eu jurei odiar para todo o sempre porque esse imbecil me fez passar a maior vergonha da face da terra... Mas cå estou eu... Confraternizando, sem nenhum um pingo de culpa, com o inimigo.
- Que foi? â Ele perguntou. â VocĂȘ tĂĄ tipo com o sorriso do Coringa na cara!
 PH deu risada e se aproximou de mim, me dando um selinho namorado.
- Eu também te amo.
~*~
- Leonardo, para de me encher o saco! JĂĄ disse que eu nĂŁo lembro!
 O Bittencourt apareceu do nada na minha casa querendo saber com quem a Dani tinha ficado. Graças ao bom senhor, quando ele chegou, o PH tava tomando banho e eu jå tinha vestido uma roupa.
- Como vocĂȘ pode nĂŁo lembrar? VocĂȘ tĂĄ Ă© mentindo pra mim, isso sim!
 Bufei e revirei os olhos. Quando eu ia responder, o Pedro Henrique entrou no meu quarto só com uma toalha enrolada na cintura e disse:
- O barman a drogou... Hipoteticamente.
- VocĂȘ tem que parar de usar essa palavra. â Eu falei com raiva.
- Que palavra? Barman?
 O Leo deu risada e eu revirei os olhos. O Pedro Henrique só me olhava com aquele sorriso sarcåstico.
- Onde vocĂȘ enfiou minhas roupas? â O PH perguntou e o Leo começou a gargalhar.
- Eu sabia que tava sentindo cheiro de sexo no ar. NĂŁo acredito que vocĂȘ perdeu o cabaço e nem me contou! â O Leo falou e o PH começou a dar risada. Cara, nĂŁo dĂĄ pra alguĂ©m me ajudar aqui?
- VocĂȘ Ă© muito boca aberta, ia espalhar pra todo mundo!
- NĂŁo sou, nĂŁo!
- Ă sim! VocĂȘ contou pro Victor sobre eu e o PH! â Eu disse e o Bittencourt parou de dar risada.
- Seu irmĂŁo sabe? â O Machado me encarou com as sobrancelhas arqueadas e depois sorriu.
- Sei o que?
 O Victor entrou no quarto e fez a cara mais terrivelmente estranha que eu vi na minha vida. Primeiro ele olhou pro Leonardo, que deu de ombros e sorriu. Depois pro PH... E ai ele surtou.
- Por que vocĂȘ ta seminu no quarto da minha irmĂŁ?! CadĂȘ sua camiseta?!
 Pedro Henrique sorriu e percebeu que a situação ia ficar complicada... Mas ao invés dele se redimir, ou se oferecer pra lavar o carro do meu irmão por um ano... Não... Ele nunca falaria uma coisa dessas...
- Eu tambĂ©m nĂŁo sei. A Lua a escondeu em algum lugar! â Ele olhou pra mim e eu juro que pude ver o Victor soltando fogo pelas narinas. â Maruja, prometo que se vocĂȘ devolver minhas roupas eu te devolvo sua calcinha.
 E ai tudo aconteceu muito råpido... O Victor foi pra cima do PH e o Leo se aproximou dos dois correndo. Eu pensei que meu amigo ia separå-los, mas não... Ao invés disso, ele tirou a toalha que cobria as partes do Pedro Henrique... Não sei por que raios o Leonardo deixou o Machado pelado, mas isso fez o meu irmão se afastar... Não antes dele ter dado uns belos socos na cara do meu namorado.
- Luana, fecha os olhos!
  O Victor disse em tom autoritårio e o Bittencourt, que ainda estava rindo, falou:
- Cara, ela jĂĄ viu tudo isso ai...
- CALA A BOCA! â Eu gritei pro Bittencourt. â E SAĂ DO MEU QUARTO! AGOOOOOORAAAA!!!
 Eu disse e fui correndo pro lado do Pedro Henrique. O Leo olhou pra mim e disse:
- Credo, isso Ă© falta de sexo! DĂĄ um jeito, PH!
- VocĂȘ quer apanhar tambĂ©m?
  O Victor perguntou pro Bittencourt, que riu e saiu dizendo:
- FamĂlia Alves em abstinĂȘncia sexual EXTREMA!
 O PH tentou dar risada, mas doeu, e ele franziu as sobrancelhas e fez uma cara de agonia.
- Meu nariz ta muito feio? â Ele perguntou e eu ri.
- Que pergunta mais gay...
- Eu nĂŁo fui gay noite passada...
- Eu ainda to aqui! â O Victor disse olhando mortalmente pro Machado.
- Ă, vocĂȘ ainda ta aqui! â Eu falei com raiva. â E Ă© bom vocĂȘ sair antes que eu quebre sua cara!
- O quĂȘ? â Meu irmĂŁo perguntou indignado. - VocĂȘ que faz merda e eu que tenho que apanhar?
- VocĂȘ deformou a cara do meu namorado!
- Valeu, amor. â O PH disse, rindo baixo.
- Cala a boca! â O Victor gritou pro Pedro Henrique.
- NĂŁo grita com ele! E saĂ do meu quarto!
- NĂŁo vou sair! Se eu sair vocĂȘs vĂŁo... Fazer coisas!
- Talvez... â O PH disse e eu o fulminei com os olhos. Quem nĂŁo ajuda nĂŁo atrapalha, caralho.
- Victor, saĂ! Antes que eu quebre a sua cara!
- Como se vocĂȘ tivesse força pra isso... â Ele falou todo cheio de si. Quando o Victor ta bravo, ele tende a ficar muito modesto.
- Lembra quando eu quebrei seu braço quando a gente era criança? â Meu irmĂŁo me encarou com raiva e o PH segurou a risada. â Pois Ă©, entĂŁo... SAĂ, CARALHO!
 Empurrei o Victor pra fora e tranquei a porta. Fui até o Pedro Henrique, que jå tinha deitado na minha cama, e observei seu rosto novamente. Com mais cuidado dessa vez.
- Isso vai deixar uma cicatriz bonitinha no seu nariz. â Eu disse colocando a mĂŁo sobre o corte e ele fez uma careta.
- Nada disso teria acontecido se vocĂȘ nĂŁo tivesse escondido minha camiseta...
 Ele riu da própria piada e eu dei um sorriso de lado.
- SĂł nĂŁo te bato agora porque meu irmĂŁo acabou com vocĂȘ. â Eu falei e ele deu de ombros. â E isso nĂŁo teria acontecido se vocĂȘ tivesse ido tomar banho.
 Eu levantei da cama e fui pegar ågua pra limpar o rosto dele. Sentei ao seu lado novamente e comecei a pressionar o algodão com ågua nos machucados. PH fazia caretas, e eu sabia que tava doendo, mas, infelizmente, era um mal necessårio.
- VocĂȘ Ă© muito ambĂgua, maruja... Ă vocĂȘ que reclama do meu fedo...
- Prefiro vocĂȘ fedido do que desconfigurado. â Eu disse e soltei uma risada fraca.
- Cara, minha auto-estima ta tĂŁo lĂĄ em cima que vocĂȘ nĂŁo faz ideia. - Dei risada do comentĂĄrio dele e o beijei. PH fez uma careta, fazendo eu me afastar rapidamente. â Relaxa... Porque pra te beijar eu consigo suportar uma dorzinha... â Eu sorri e o beijei mais uma vez. â Preciso me ver no espelho...
- NĂŁo acho que seja uma boa ideia...
~*~
- A formatura Ă© amanhĂŁ! JĂĄ escolheu seu vestido?
 Dois dias se passaram desde o terrĂvel incidente no meu quarto, e o Victor ainda nĂŁo tava falando comigo. Eu decidi nĂŁo me importar porque com o tempo ele ia aceitar que sua irmĂŁzinha nĂŁo era mais virgem e tudo ia voltar ao normal.
- Ainda nĂŁo... E vocĂȘ?
 A Vic tinha me ligado pra falar sobre o baile de måscaras. E ainda bem que ela me lembrou, porque eu tinha esquecido total.
- Ă claro que eu jĂĄ escolhi! E pode me agradecer depois, mas eu tambĂ©m escolhi um pra vocĂȘ!
 Ai meu Deus!
- De que cor, VictĂłria?
- Rosa, Ă© claro! â Ela respondeu entusiasmada.
- Ah, nĂŁo... NĂŁo quero ir...
- NĂŁo julgue o vestido antes de vĂȘ-lo! â A Bittencourt me interrompeu. â Ele Ă© lindo e vocĂȘ vai adorar! Vem aqui em casa ver! RĂPIDO!
 Ela desligou o celular e eu dei risada. Que beleza, um vestido rosa. Tirei o pijama e coloquei um shorts jeans e uma camiseta fresquinha pra ir na casa da Vic, mas antes de sair, liguei pra Dani.
- Ow, que cor Ă© seu vestido do baile de mĂĄscaras?
- Bom dia pra vocĂȘ tambĂ©m, querida. â Ela respondeu. â E obrigada por me acordar.
- Jå ta na hora, né fia... Agora me responde.
- Preto. Agora tchau!
 Filha da puta desligou na minha cara. Saà do quarto e dei de cara com o meu irmão. Ele me encarou por uns minutos e disse:
- Precisamos conversar.
 Saco.
- Entra ai. â Abri a porta do meu quarto novamente e sentei na cama. LĂĄ vem bronca.
- Por que vocĂȘ nĂŁo me contou que nĂŁo era mais... virgem?
- Porque isso nĂŁo Ă© o tipo de coisa que a gente fica ansiosa pra contar pro irmĂŁo mais velho.
 Victor revirou os olhos e disse:
- Engraçadinha... Mas eu queria saber, ué.
- Se eu tivesse te contado vocĂȘ teria me dado a maior bronca do mundo...
- Ă, mas ao invĂ©s disso eu bati no seu ânamoradoâ. â Ele fez aspas com os dedos.
- NĂŁo precisa fazer aspas quando fala do Pedro Henrique ser meu namorado... Porque ele realmente Ă meu namorado.
 Victor começou a andar de um lado pro outro e passou as mãos nos cabelos, meio inquieto.
- VocĂȘ ama mesmo aquele cara?
 Dei risada do jeito que ele perguntou e respondi:
- Sim. Eu amo mesmo aquele cara.
 Victor bufou e sentou do meu lado na cama.
- Eu to perdendo minha irmĂŁzinha pra um cara tatuado e esquisito. HAHAHAHA.
- NĂŁo Ă© porque eu tambĂ©m to amando o PH que eu to amando vocĂȘ menos, seu babaca.
- Eu sei, cabeção... Mas Ă© que sei lĂĄ... Tenta entender o meu lado... Ă estranho... Lembra quando vocĂȘ entrou no meu quarto e eu e a Laura estĂĄvamos quase...
- LEMBRO! Foi péssimo!
- Então! Eu me senti um pouco pior que péssimo quando o vi só de toalha no seu quarto!
 Ă, ele tem um pouco de razĂŁo. UM POUCO! E nada justifica ele ter batido no PH.
- Entendi... Mas vamos mudar de assunto, por favor! E nunca mais se atreva a levantar um dedo contra o meu namorado, escutou? â Ele riu e assentiu. - A gente ta bem, nĂ©?
 O Victor sorriu e me abraçou.
- Estamos sim, cabeção.
- Ătimo, porque eu nĂŁo consigo ficar sem falar contigo por dois dias inteiros.
 Nós rimos e ficamos conversando no quarto. Perguntei se ele ia ao baile e a resposta me surpreendeu um pouco...
- Vou! Porque eu meio que âconvideiâ alguĂ©m pra ir comigo.
- Ai meu Deus! Por favor, nĂŁo diz que Ă© a VictĂłria.
- NĂŁo! Por que seria? - Arqueei as sobrancelhas e ele entendeu. â Ah, ta... Pode crer... Mas nĂŁo... Ă a Laura.
- Ainda, Victor?
- Ă, talvez pra sempre...
 Ele respondeu triste. Ah, mano... Porque a Laura ta fazendo isso com o meu irmão? Justo quando eu tava começando a gostar dela...
- VocĂȘ a convidou? â Perguntei.
- Mais ou menos... Tipo, eu deixei um vestido de baile na casa da mĂŁe dela com um bilhete... E no bilhete tava escrito que se ela quisesse dar uma Ășltima chance pra nĂłs, era pra ela vestir aquele vestido e aparecer no baile.
- Aaaawn... Como vocĂȘ Ă© romĂąntico. â Eu falei e o Victor riu. â O PH jamais faria algo assim pra mim... AliĂĄs, fui eu quem o convidou pra ir ao baile comigo... Namorado imprestĂĄvel esse meu.
~*~
- Por que vocĂȘ demorou tanto pra chegar? Veio de rĂ©?
 A Vic perguntou assim que pisei na casa dela. Cumprimentei a mãe dela que estava na sala. De repente, o Leo veio correndo da cozinha com uma garrafa de cerveja na mão e pulou com tudo no sofå.
- Lua! O que vocĂȘ tĂĄ fazendo aqui? â Ele perguntou sorrindo e sua mĂŁe o encarou.
- Leonardo, jå te falei milhÔes de vezes pra não roubar a cerveja do seu pai!
- MĂŁe... O pai nĂŁo liga!
- MAS EU LIGO!
 O Leo subiu as escadas e deixou a mãe gritando sozinha na sala. A Vic foi me puxando pro quarto dela e assim que chegamos ela trancou a porta e começou a mostrar que vestido usaria no baile.
- Ă a sua cara! â Eu disse. E era mesmo. â Muito bonito... VocĂȘ vai com quem?
- Sozinha! Sou independente agora! Sabia que vou fazer intercĂąmbio?
 Ficamos horas conversando até que ela parou de enrolar e falar do Vinicius (que ela ainda obviamente gostava) e mostrou meu vestido.
- EXPERIMENTA!
- NĂŁo grita!
 Coloquei o vestido e ficou bonito... Não é que a Bittencourt tinha um ótimo gosto pra essas coisas?
- VICTĂRIA! ABRE A PORTA PORQUE EU TO PRECISANDO DE UMA OPINIĂO FEMININA PRO MEU TERNO!
 O Leonardo começou a esmurrar a porta. Eu continuei me admirando no espelho enquanto a Vic ia deixando o irmão entrar.
- Uau! Até parece gente, Lua! Sorte do PH, hein? HAHAHAHAHA.
- PH? Por quĂȘ? â A Vic perguntou com os olhos arregalados.
 Que ótimo, lå vamos nós de novo.
~*~
- Tem alguma pessoa que vocĂȘ ainda nĂŁo tenha contado?
 Depois de explicar tudo nos mĂnimos detalhes pra VictĂłria, ela me liberou e eu e o Leo viemos tomar um sorvete.
- NĂŁo contei pra Geovanna, mas posso resolver isso...
- Cala a boca! - Eu falei e joguei um pouco de sorvete na cara dele. - VocĂȘ vai com quem no baile?
- Com vocĂȘ, uĂ©! - Eu dei risada da piada do Leo e ele continuou sĂ©rio. â Qual a graça?
- VocĂȘ fez uma piada... EntĂŁo, eu ri.
- NĂŁo Ă© piada! To sem par pro baile e vocĂȘ Ă© minha segunda opção oficial!
- Pensei que sua segunda opção fosse a Geovanna.
- Ă, isso... VocĂȘ Ă© a terceira opção oficial... Tanto faz.
 Revirei os olhos e dei um sorriso.
- Eu vou com o PH... Pensei que vocĂȘ soubesse.
- Droga... Então, terei que ir com a minha quarta opção.
- Que seria...?
- Seu irmĂŁo, Ă© claro.
- Ă claro!
 Dei risada e ele riu comigo.
- VocĂȘ sabe com quem a Dani vai?
- Ah, nĂŁo... NĂŁo começa, Leo... SĂ©rio... Foi vocĂȘ que quis desse jeito.
- Eu sei... SĂł to curioso.
- Ahan, sei.
- à sério!
 Suspirei e coloquei mais uma colher de sorvete na boca.
- Ela vai com o Felipe.
- Aff... â Eu o encarei arqueando as sobrancelhas. â NĂŁo Ă© ciĂșmes... Ă sĂł que... Sei lĂĄ... Ele me irrita! â Dei risada e continuei comendo meu sorvete. â Mas aguarde... Porque eu tenho uma grande surpresa pra Montez nesse baile.
- O que Ă©? â Perguntei curiosa.
- Ă surpresa atĂ© pra vocĂȘ. â Leo piscou pra mim e eu revirei os olhos. â VocĂȘ terminou de escrever o discurso que eu vou ter que ler amanhĂŁ?
 Pois Ă©, o Leonardo foi escolhido como âparaninfoâ do baile de mĂĄscaras dos formandos de 2013... Mas, obviamente, ele nĂŁo tem cabeça pra escrever um discurso, entĂŁo... Eu que tive que fazer.
- JĂĄ!
- Ătimo, entĂŁo amanhĂŁ eu pego contigo. â O Bittencourt enfiou o resto de sorvete que ainda tinha em sua vasilha e se levantou. â Vou me encontrar com a Geovanna agora! AtĂ© amanhĂŁ!
 Esse Leonardo nunca vai tomar jeito.
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