Agnosticismo
George P. Landow era Professor de Inglês e História da Arte na Brown University e escrevia sobre a Era Vitoriana e iconologia literária. O texto a seguir foi publicado em inglês no site da BU em 1999 como parte de um projeto sobre religiões na Grã-Bretanha Vitoriana. Como qualquer material do meu arquivo pessoal, ele está disponível para ser enviado na íntegra por e-mail.
Esta palavra, que no século XX passou a significar pouco mais do que descrença passiva, foi inventada por Thomas Henry Huxley em Cambridge na década de 1840. Ele cunhou o termo, diz ele, porque todos os outros eram "-istas" de um tipo ou de outro, e ele não tinha um rótulo para aplicar às suas próprias crenças. Ele pretendia se distinguir daqueles cuja fé fornecia respostas para as perguntas mais profundas:
Deus existe? Como podemos conhecê-Lo? (Por que Ele não é revelado de forma mais inequívoca nas escrituras?) Por que Ele criaria o mal e por que permitiria que os bons sofressem e os maus prosperassem? Ele intervém milagrosamente neste mundo?
Ele descobriu que não conseguia responder a essas perguntas. Além disso, passou a acreditar que ninguém conseguiria, sem recorrer a um conhecimento (ou gnose) que vai além da razão. Huxley, devemos lembrar, foi um dos primeiros cientistas a considerar a ciência como sua profissão; antes do período vitoriano, a maioria dos dados científicos era coletada por vigários com tempo de sobra. Como cientista profissional, Huxley insistiu na razão e no método empírico como a única maneira propriamente científica de conhecer este mundo. Para ele, fé significava acreditar no que é literalmente inacreditável (isto é, irracional) e, portanto, impossível para um cientista. Ao lidar logicamente com o desconhecido, pode-se inferir apenas fenômenos semelhantes àqueles que ele já compreende. A princípio, ele acreditava que qualquer fé envolvia lógica ruim (ver Jean-Paul Sartre sobre "Má-Fé"), mas depois recuou dessa posição. Outros agnósticos (como Leslie Stephen, George Eliot e W.K. Clifford) se mostraram muito dispostos a assumir essa posição, no entanto.
Huxley sempre insistiu que não existia agnosticismo organizado, que, para ele, o termo descrevia apenas suas próprias crenças. Mas, em grande medida, essa criança superou seus pais.
A característica distintiva da descrença vitoriana era o grau em que ela se tornou uma alternativa à religião tradicional, e quando homens como Leslie Stephen e W.K. Clifford começou a se autodenominar agnósticos, e o agnosticismo alcançou o tipo de sucesso que Comte tentara criar para o positivismo (que Huxley rejeitara como "catolicismo sem cristianismo"). Pela primeira vez, homens e mulheres que não aceitavam os dogmas exigidos pelas religiões puderam se valer de um corpo de argumentação lógica. Em 1884, eles até tinham seu próprio periódico, o Agnostic Annual.
Aqueles que atacavam Huxley e o agnosticismo tendiam a ignorar as distinções cuidadosas que ele fazia, agrupando agnósticos com ateus, materialistas e outros "infiéis". Somadas à moral bastante tradicional e conservadora dos primeiros agnósticos, que se preocupavam em se comportar como modelos vitorianos de classe média, essas distinções são importantes para explicar a influência do movimento. Enquanto o ateu afirma que Deus não existe, o agnóstico afirma que a razão jamais poderá ser usada para provar a existência de um ser que transcende a razão e, existindo ou não, Ele não intervém nos assuntos humanos, tornando irrelevante a especulação sobre Sua existência. Estamos por nossa conta.
Pensadores do século XX, especialmente existencialistas, usaram o agnosticismo como ponto de partida para suas próprias filosofias, e a imprecisão com que o termo é usado hoje em dia é uma medida de seu sucesso. Grande parte desse sucesso se deve à criação do nome por Huxley. "Agnosticismo" tem um prestígio que nem "descrença racional" nem qualquer outra expressão poderia alcançar.











