⸻ 𝖋𝖎𝖑𝖑𝖊𝖉 𝖆𝖘: 𝖕𝖗𝖎𝖛𝖆𝖙𝖊!
onde: cabine do pirata. para: @scaledsoreveign. tw: facas.
zehra não saberia apontar exatamente em que momento o tédio começara a se instalar. entre um copo e outro, percebeu que já não prestava atenção em metade do que acontecia ao seu redor. o fato era que, quando se deu conta, a festa já havia deixado de oferecer aquilo que procurava. e, para certos estados de espírito... ou certos níveis de embriaguez... existiam remédios muito específicos. naquele horário, apenas um lhe parecia adequado. a cabine do pirata. algum dos pestinhas de seus irmãos havia perdido a chave, o que significava que teria até alguns motivos para tocar o terror ligeiramente lá. discutiu com um que quebrava parte da mobília, ameaçou fazer uma pessoa limpar a própria sujeira com a língua, e, quando considerou suficiente, afundou-se na velha cadeira giratória de couro atrás da mesa. a mesa que um dia pertencera ao seu pai. a madeira carregava marcas suficientes para contar décadas de histórias. riscos de facas, queimaduras, manchas. foi justamente sobre ela que zehra apoiou a mão. na outra, uma faca. estava derrubada. qualquer pessoa com o mínimo de bom senso concluiria isso depois de observá-la por alguns minutos. mas havia uma diferença importante entre estar bêbada e estar despreparada. naquele jogo específico, afinal, nunca tinha perdido um dedo. a lâmina girou entre seus dedos antes de descer sobre a mesa. toc. depois outra vez. toc. toc. o movimento acelerou gradualmente. a faca encontrava os espaços estreitos entre seus dedos numa sequência contínua. um. dois. três. quatro. cinco. pessoas próximas diminuíram as conversas para observar. outras apenas lançavam olhares ocasionais na direção dela, atraídas pelo risco inerente ao espetáculo. zehra continuou por mais alguns segundos antes de interromper a sequência com um golpe seco. a faca atravessou o último espaço e cravou-se profundamente na madeira. ela permaneceu ali por um instante, os dedos ainda abertos sobre a superfície marcada, observando a lâmina enterrada entre eles. então ergueu os olhos para seu interlocutor, retirou a faca da mesa e apontou-lhe. com um sorriso absolutamente perverso. “você confia em mim?... ou, melhor, quer apostar? a não ser que esteja com medo.”











