Please never tell me to go away || Richaff
Ocorpo magro revirava-se sobre a cama, debatia-se tentando sobreviver àquela água negra e gélida sufocante. O suor fazia seus fios esbranquiçados colarem em sua testa e suas roupas grudarem em seu corpo. Como já era de costume desde o acidente do lago, só acordou quando o ar não entrava mais em seus pulmões. Suas unhas procuraram instintivamente sua garganta, arranhando a pele alva, marcando-a com linhas avermelhadas que demorariam para desaparecer sem a ajuda de um feitiço curativo ou poção. Seus olhos marejados vasculharam todo o ambiente ao redor. Mesmo agora, que já estava consciente de que estava no dormitório da Sonserina, era difícil respirar normalmente. Era um processo demorado e agoniante, e a ansiedade não colaborava para sua melhora.
Essa não era a primeira vez e certamente não seria a última. Agora que sua respiração começava a se regular, a primeira coisa em que pensou foi os olhos azuis, tão plácidos e acolhedores. Era sempre a mesma coisa. O pesadelo, a sensação de que morreria sufocando, a vontade de estar com Richard. Sentia-se tão fraco. Nunca antes havia precisado tanto de alguém. O professor era agora uma necessidade assumida. Ele, seus sorrisos, o tom de sua voz e a mania de falar sem parar. Foram tantas noites resistindo ao impulso de levantar da cama e ir ao encontro daquele homem, que para bem da verdade, Gustaff não tinha mais forças para isso. Seu corpo, que sempre fora magro, estava mais magro agora. As olheiras eram nítidas, e tornavam seus olhos escuros e sombrios. Tinha a impressão de que apenas o mais velho o faria sentir melhor. E sem se dar ao luxo de pesar as consequências de ir vê-lo, o garoto levantou da cama.
Gustaff não teria trocado de roupa se não estivesse nojento de tão suado, mas essa seria a única melhoria que tentaria fazer em seu visual. Sem olhar para trás, saiu do dormitório e em seguida do salão comunal. Lançou em si mesmo um feitiço de desilusão, esperando que fosse o suficiente para não ser pego nos corredores do castelo às três e meia da manhã, e com a sorte ao seu lado, logo já estava nos campos externos.
A brisa gélida da madrugada atravessou suas roupas finas e encontraram sua carne, fazendo-o tremer. Não havia se preparado para isso - usava apenas uma camisa de malha de mangas longas e calça de moletom-, mas não se importava. Seguiu seu caminho, a passos largos, até o dormitório do mais velho, e quando chegou à porta, foi freado por um momento de hesitação. Não queria incomodá-lo, não queria levar uma bronca. Só queria... Estar com ele. E por mais ridículo que soasse, desejava receber um abraço e ouvir que tudo ficaria bem; que era normal estar daquele jeito. Precisava disso. Respirando fundo, Gustaff bateu na porta o mais forte que pôde, para caso o professor estivesse dormindo. Torcia para que ele abrisse a porta, torcia para que lhe sorrisse. E acima de tudo, torcia para que seu coração parasse de bater tão forte. Se continuasse assim, tinha a sensação de que o som da sua pulsação o denunciaria antes de qualquer palavra dita.














