2017 foi um ano incrível: eu fiz 30 e me reinventei, me amei, me (re)conheci.
Tal como um peixe num aquário, saltei muitas vezes numa catarse para fora dele (como um pulo suicida, metaforicamente falando), a fim de ver o todo, e mergulhei nele novamente. Tentei, muitas vezes, sair do aquário para ver o aquário… seguindo à risca o conselho de Saramago, de que “É necessário sair da ilha para ver a ilha, não nos vemos se não saímos de nós.”.
Criei muitas expectativas em 2017, mas, melhor do que isso, eu corri atrás de praticamente todas elas. Tentei ao máximo ser senhora do meu destino, dona do meu rolê e culpar somente a mim mesma pelas escolhas que pude fazer. Não utilizei a religião para me acovardar nem a ideia de um destino já traçado para me resignar. Eu não me acomodei em 2017. Na medida do (que me era) possível, tentei manter a serenidade para aceitar o que eu não pude mudar, a coragem para modificar o que estava ao meu alcance e a sabedoria para distinguir as circunstâncias.
Em 2017, eu me reencontrei e me revi através do espelho… Assim como Alice, de Lewis Carroll:
“Fico imaginando se fui eu que mudei durante a noite. Deixe-me ver: será que eu era a mesma quando acordei hoje cedo? Tenho a vaga lembrança de haver me sentido um pouco diferente. Mas se eu não for a mesma, então a pergunta é: quem diabos eu sou? Ah, isso sim é um enigma!” (CARROLL, 2014, p.22)
Em 2017, eu me fiz essa mesma pergunta várias vezes… até que encontrei em Michel Foucault (“Michel Foucault: entrevistas”, de Roger Pol-Droit) uma boa resposta: “Não me perguntem quem sou e não me digam para continuar o mesmo.”.
Para 2018, eu desejo estar cada vez mais de bem e em paz comigo mesma. Mantendo a serenidade para aceitar o que eu não possa mudar, tendo coragem para seguir em frente mesmo com medo e sendo sensata o bastante para discernir e bancar cada escolha que eu fizer.
“’Eu poderia contar minhas aventuras… Começando por hoje cedo’, disse Alice um tanto timidamente, ‘mas não adiantaria falar de ontem porque eu era uma pessoa diferente.’” (CARROLL, 2014, p. 147)
2018 ainda é apenas uma página em branco, em que podemos, em certa medida, escolher o que vamos escrever…
*CARROLL, L. Aventuras de Alice no País das Maravilhas. Tradução de Vanessa Barbara. Ilustrações de Yayoi Kusama. 1. ed. São Paulo: Editora Globo, 2014.